Crítica | Legends of Tomorrow – 4X08: Legends of To-Meow-Meow

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  • Há SPOILERS do episódio e da série. Leia, aquias críticas dos outros episódios.

Ok, ok, ok. Qual terá sido o tipo de droga pesada que James Eagan e Ray Utarnachitt tomaram antes de iniciar a escrita do roteiro deste Legends of To-Meow-Meow? Porque olha… eu já vi muitas maluquices em séries de TV, mas o que tem nesse episódio é simplesmente o ápice de toda a loucura que alguém poderia pensar em colocar numa série. E que só Legends of Tomorrow pode colocar, com espaço até para uma excelente piada sobre si própria num momento importante para a emissora que a sedia:

Nate: Gideon, alguma mensagem enquanto estávamos fora?

Gideon: Vocês têm ligações perdidas de Barry Allen, Oliver Queen, e Kara Zor-El.

Ray: Parece que é o crossover anual.

Nate: Sim, esse a gente vai deixar passar facilmente.

Dando continuidade ao final de Hell No, Dolly!, chegamos aqui com a desculpa interna das Lendas para não participarem do crossover anual das séries de heróis da CW. E como eu havia dito no episódio anterior, a decisão foi acertadíssima! Primeiro, porque a Batwoman realmente precisaria (e merece!) todo o destaque e espaço possível, o que não seria viável com tantos heróis em jogo, se somássemos as Lendas. Mas aí, que maneira mais interessante de pensar em um evento que também colocasse a tripulação da Waverider em uma linha do tempo alternativa? Aliás, o que impediria que tivéssemos em LoT, só para variar um pouco a loucura, mais de uma nova realidade?

A primeira coisa boa a se dizer desse roteiro é que ele não força uma realidade apenas para “acompanhar à distância” as séries Flash, Arrow e Supergirl. Quando Constantine quebra uma das regras centrais da viagem no tempo, que é a de não mexer na História para ganhos pessoais (especialmente em coisas que marcaram o seu destino ao lado de um grupo de heróis, salvando o Universo e a vida uns dos outros), eventos trágicos acontecem. É algo esperado. Algo que nós sabíamos que iria dar trabalho para ser consertado. Então fez sentido que isso ocorresse e, principalmente, no sentido que ocorreu: com Charlie e Constantine tentando, a todo custo, alcançar seus objetivos egoístas, claramente, em detrimento do restante do mundo. Demora um pouco até eles pararem de insistir no impossível e assumirem as consequências de seus atos.

Nesse meio-tempo, três grandes realidades se formam (e algumas outras que não recebem tanto destaque no enredo), todas elas hilárias, muitíssimo bem representadas em música, direção de arte, figurinos e mudanças de personalidade para as Lendas ou para ou para os funcionários do Time Bureau. Na primeira alteração, chegamos a uma mistura de Legends com Guardiões da Galáxia, os Custodians of the Chronology, com abertura à la Águia de Fogo. Na segunda realidade — disparada, a minha favorita –, temos as mulheres botando pra quebrar com o time S.O.S (Sirens of Space-Time), uma versão de As Panteras capaz de mexer com todo mundo. E a última realidade, DC’s Puppets of Tomorrow, a mais fraca das três, é basicamente Muppets com O Mundo dos Fraggles. Esses momentos aparecem como resultado de grandes falhas na linha do tempo alterada por Constantine e Charlie, deixando claro que não há o que fazer: eles precisam retornar as coisas ao que eram.

A comédia aqui vai a um nível de referências, brincadeiras com a cultura pop e à própria série que é difícil passar muito tempo sem esboçar o típico de “Sorriso Gary” no rosto. Os encontros, a boa montagem que mantém o ritmo tinindo em praticamente toda a duração do capítulo (a coisa desacelera no final, mas após o beijo salvador do Universo, isso já era esperado) e o estabelecimento de mais um aprendizado e da colocação do demônio Neron em cena, mostrando que para além da bagunça, havia um objetivo em tudo isso. Estamos chegando em algum lugar. E é como eu disse no episódio passado, em relação às críticas negativas que se fazem hoje à série: não há absolutamente nenhum problema que ela tenha mudado de tom (isso não é nem de longe algo novo na televisão!), desde que a qualidade se sustente e que as histórias continuem levando adiante a proposta original da série: salvar o Universo dos mais diversos rompimentos e ameaças às linhas do tempo. E bem, desde que LoT assumiu de vez esse tom, na 3ª Temporada, é exatamente isso o que temos. Com loucura e drogas pesadas em doses cavalares. Podem continuar mandando mais, que a gente está gostando!

Legends of Tomorrow – 4X08: Legends of To-Meow-Meow (EUA, 10 de dezembro de 2018)
Direção: Ben Bray
Roteiro: James Eagan, Ray Utarnachitt
Elenco: Brandon Routh, Caity Lotz, Maisie Richardson-Sellers, Tala Ashe, Jes Macallan, Amy Louise Pemberton, Ramona Young, Nick Zano, Dominic Purcell, Matt Ryan, Adam Tsekhman, Thomas F. Wilson, Christian Keyes, Jane Carr, Jordyn Ashley Olson, Paul Reubens, Jocelyn Panton, Wesley MacInnes, Vesna Ennis
Duração: 43 min.

LUIZ SANTIAGO (Membro da OFCS) . . . . Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.