Crítica | Legends of Tomorrow – 4X11: Séance and Sensibility

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  • Há SPOILERS! Leia aqui as críticas dos outros episódios.

Séance and Sensibility traz de volta a loucura sem par a que normalmente estamos acostumados em Legends of Tomorrow, num peculiar episódio sobre luto, amor e muitas descobertas. Como o título indica, estamos brincando com a obra de Jane Austen, tendo como adendo uma sessão de invocação de espírito feita por Constantine como segunda camada. A partida de Henry é definitivamente realizada aqui, em um solene momento que se transforma numa última tentativa de Nate entender e antagonizar o pai. A confusão de sentimentos do herói é também compreendida pelo público, especialmente porque o lado negativo do falecido é colocado no texto junto com coisas bonitas que ele fez durante a vida; como qualquer ser humano, alguém que errou e acertou enquanto pode.

A primeira parte do episódio tem a esperada toada dos capítulos criativos dessa 4ª Temporada, e eu gostei de absolutamente tudo o que foi mostrado. O roteiro de Grainne Godfree e Jackie Canino opta pela técnica de exposição da tragédia por uma veia cômica, algo difícil de apresentar e de segurar com qualidade num episódio, o que de fato veremos mais adiante, quando o texto passa dos limites. Mas num primeiro momento, o velório é um espaço de tristeza e também de sugestões de novos caminhos para as Lendas. A partir dessa sequência temos os caminhos divididos entre o grupo e encontraremos Ray escondendo Nora; Sara, Mona, Zari e Charlie viajando para 1809 e Nate, Mick e Constantine permanecendo na mansão da família Heywood.

Alexandra La Roche faz um trabalho ainda melhor quando as mulheres vão salvar a timeline, explorando com competência estruturas de filmes de época, algo também seguido pela fotografia que, aqui, é o meu setor técnico de grande destaque, mesmo no ponto em que os roteiristas não souberam se segurar. A ligação entre o bloco de Jane Austen (Jenna Rosenow) com o de Kamadeva / Sanjay (Sachin Bhatt) é feita com a cadência correta, mantendo o bastante de interesse dos dois lados até que o espectador possa aproveitar cada virada dramática na noite em que Kamadeva é mantido na prisão da Waverider.

Como disse antes, a direção de fotografia é o setor que mais se destaca aqui, e podemos ver isso nas sugestões sexuais de todo mundo na nave, depois do pozinho mágico do “deus do amor” atingir os tripulantes. La Roche filma todas as sugestões de maneira muito bonita, especialmente a que Zari está com Nate e Sanjay, até entender que aquilo tudo era um sonho. O posicionamento da câmera e as cores utilizadas pelo fotógrafo para cada momento de prazer são excelentes, mas infelizmente marcam o momento em que o texto do episódio começa a degringolar, arrastando, parcialmente, a direção.

Por mais que eu tenha gostado das cenas de dança e canções no melhor estilo Bollywood, há uma extensão demasiada delas em detrimento da própria trama, o que nunca é algo bom, especialmente quando tudo já estava bem estruturado no início e quando o episódio caminhava para uma conclusão harmônica. Essa escolha que envereda pelo casamento, pela dança envolvendo Sara e Charlie (e ainda Mona) foi a grande pedra no sapato do episódio, tendo como compensação a excelente fotografia, com belíssimos contrastes até mesmo para os ambientes da nave (aquela criação em azul e vermelho para a cena com Ray e Nora é lindíssima). O bom disso tudo é que o demônio enfim se revela e, ao que parece, Constantine estará mais atento às ações envolta do grupo a partir de agora, o que significa um maior engajamento da história nesse mergulho de luta contra o vilão… até o fim da temporada. E esperamos que isso ocorra sem exageros.

Legends of Tomorrow – 4X11: Séance and Sensibility (EUA, 15 de abril de 2019)
Direção: Alexandra La Roche
Roteiro: Grainne Godfree, Jackie Canino
Elenco: Matt Ryan, Courtney Ford, Caity Lotz, Brandon Routh, Jes Macallan, Tala Ashe, Dominic Purcell, Amy Louise Pemberton, Menina Fortunato, Sachin Bhatt, Danielle Brokopp, Sam Robert Muik, Hannah Henney, Milaina Chanel, Brittany Good
Duração: 42 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.