Crítica | Legends of Tomorrow – 4X13: Egg MacGuffin

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  • Há SPOILERS! Leia aqui as críticas dos outros episódios.

Então voltamos à programação normal, logo na derradeira parte da série! Isso é muito bom!

Misturando o nome de um famoso sanduíche com um também famoso dispositivo narrativo (famoso através de Alfred Hitchcock), Egg MacGuffin traz um inesperado desenrolar de eventos após a possessão de Ray por Neron, ocorrida no fim de The Eggplant, The Witch & The Wardrobe. Pensando em como os roteiros da série pareciam se distanciar da loucura genial que foram os episódios do miolo da temporada, eu não imaginava que tivéssemos, ainda mais agora, um capítulo tão divertido e bem estruturado como esse, talvez estendendo demais o ponto final — fazendo esfriar o clímax mais do que deveria –, mas nada grade a ponto de tirar a pequena joia de sua coroa.

Tendo uma motivação visual e temática ligada a Indiana Jones, acompanhamos Zari e Nate partirem sozinhos para uma missão em 1933, serviço que, em dado momento, imaginam ter sido uma “armação romântica” de Sara. O tom da comédia deste roteiro de James Eagan e Tyron B. Carter está azeitado em todos os blocos e jamais se perde em exageros dentro da temática escolhida, tampouco mistura a intenção geral da trama com qualquer outro elemento de gênero, como aconteceu lá em Séance and Sensibility. Notem que quando explora o romance a partir de um ponto de vista ligado à ação (e com indicações cinematográficas na direção de arte e fotografia — pena que a direção de Christopher Tammaro não ouse fazer muita coisa), todo o bloco obedece a esse ponto de vista, mesmo quando os pombinhos flertam ou demonstram afeto ou quando uma comédia de informações desencontradas entra em cena.

A mesma coisa podemos dizer do ato de Ray-Neron dentro da Waverider. Adorei o fato de o fotógrafo Mahlon Todd Williams não usar a cor escura básica para toda a duração do ato, mantendo as luzes acesas no início e diminuindo a luz à medida que Neron foi ficando mais forte. O uso dos dispositivos eletrônicos também merecem destaque aqui e mais uma vez nos lembra momentos áureos desta 4ª Temporada quando praticamente todos os objetos, personagens e situações secundárias entraram organicamente na jogada e serviram à trama com bastante competência, vide imbatível trio formado por Tender Is the Nate, Hell No, Dolly! e principalmente, Legends of To-Meow-Meow. Neste bloco também temos a colocação mais interessante em termos de emoção e comportamento de personagem: Gary. Aqui, ele vai do atrapalhado e cômico assistente-para-todas-as-coisas do Departamento (e de Constantine) ao outro extremo da régua, após a tentação de Neron “denunciando” a forma como Gary é tratado e, claro, o retorno do maldito mamilo perdido em The Virgin Gary.

Vejam bem, isso é que faz um excelente episódio de uma série que resolveu “não se preocupar tanto e divertir o espectador”, como LoT. Em uma premissa bem simples, os autores conseguiram tirar o máximo de possibilidades, dando, inclusive, um tipo de coroação para o papel de Mick como escritor, em seu pseudônimo maravilhoso: Rebecca Silver, autora de Uncaged Desire, Heatwaves: An Erotic Space Odyssey, Body of Proof e Raw Hides. Neste bloco, a direção mais plácida de Tammaro acaba encontrando um melhor lugar, o que faz toda a sequência ter um ótimo ritmo interno e ainda dar espaço para Charlie e Mona brilharem, além de trazer à tona muito mais elementos sobre a psicologia de Mick do que a série inteira até o presente momento. É para aplaudir de pé, ou não é, igreja?

Levando a sério a falta de seriedade que lhe dá asas, Legends of Tomorrow traz aqui um episódio bem pensado em diferentes patamares narrativos e com um real avanço na história central. Como disse antes, eu não esperava por mais nada disso depois dos “bons, mas problemáticos” últimos 4 capítulos. E cá estamos nós, sendo surpreendidos de novo. Que felicidade! Agora eu quero ver o ovo de dragão chocar!!!

Legends of Tomorrow – 4X13: Egg MacGuffin (EUA, 29 de abril de 2019)
Direção: Christopher Tammaro
Roteiro: James Eagan, Tyron B. Carter
Elenco: Brandon Routh, Caity Lotz, Maisie Richardson-Sellers, Tala Ashe, Jes Macallan, Courtney Ford, Amy Louise Pemberton, Ramona Young, Nick Zano, Dominic Purcell, Matt Ryan, Adam Tsekhman, John Murphy, Amitai Marmorstein, Adrian Petriw, Mike Desabrais, Alexander J. Baxter, Jaycie Dotin, Kiomi Pyke, Ryan Moss, Dolly K. Wyatt, Dale Willman
Duração: 42 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.