Crítica | Legends of Tomorrow – 4X14: Nip/Stuck

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  • Há SPOILERS! Leia aqui as críticas dos outros episódios.

Com um resultado igual, mas por caminhos completamente diferentes daqueles utilizados em Egg MacGuffinNip/Stuck conseguiu manter o nível bem alto desta reta final da 4ª Temporada de Legends of Tomorrow, trazendo-nos um enredo divertido, inteligente e, mais uma vez, que faz a história andar por caminhos inesperados.

Três grandes núcleos narrativos, com diferentes implicações, se erguem neste episódio; todos eles com um bom tratamento e finalizações em aberto. No mais interessante desses núcleos temos Ray possuído por Neron e Constatine visitando dois momentos diferentes da História, um na Idade do Gelo e outro em 55 a.C., ambos os momentos com um excelente plano do demônio para trazer sua amada Tabitha (a Fada Madrinha de Witch Hunt) do inferno. Vi alguns leitores reclamarem da “dependência” do demônio frente a Constantine, mas a gente precisa entender que Neron está fora de seu Reino e ele não tem controle sobre todos os planos de existência, em termos de salvação de condenados. Nesse caso, a “dependência” de Constantine me parece bastante aceitável dentro da ideia geral da série.

Parcialmente ligado ao núcleo mágico tivemos as Lendas, presas na Waverider. Após caírem em uma armadilha de Neron, Sara e Mick assumiram uma espécie de briga por uma ordem impulsiva, o que poderia ter levado a um fácil e chato clichê sobre hierarquia e discussões de “como as coisas deram errado“. Mas nada disso acontece aqui. O roteiro assume a briga entre os heróis, adiciona um revés perfeitamente cabível (Charlie) e cria um padrão de enfrentamento do problema que não poderia ser melhor. Aqui, apesar de a fotografia ser bastante similar à da Era do Gelo, temos a direção mostrando locais diferentes da nave e criando um bom trânsito de personagens, o que deixa a ligação apenas por um simples ponto narrativo mais forte e mais interessante.

Por último, o núcleo da mamilotização, com Gary agindo de maneira vilanesca, tendo o seu mamilo infernal hipnotizando as pessoas da Agência Temporal. Em comparação aos outros dois núcleos, este acaba sendo o mais fraco, mas não significa nem por um momento que seja ruim. Não sou exatamente fã da maneira rápida com que Gary parece ter voltado a agir de maneira bobona, mas ainda assim, nada de grande impacto negativo ou capaz de derrubar a qualidade da trama.

Ver Constantine indo para o inferno com o objetivo de encontrar Ray foi algo muito bonito (pela atitude) e tenebroso (pelo lugar) de se ver. Claramente tendo que lidar com um orçamento menor, a produção nos apresentou uma versão realista do inferno, com alguma manutenção de elementos mágicos, fotografia carregada em contraste e escura, um pouco mais de capricho na edição e na mixagem de som… coisas realmente muito boas de se ver e ouvir. Esse tipo de representação do inferno é a mais segura quando o roteiro é forte o bastante para segurar uma história de terror e quando os elementos técnicos estão bem afiados, como os que vimos neste final. Ainda não consigo fazer ideia do derradeiro objetivo de Neron, mas até agora, a reta final da Temporada tem se mostrado uma grata surpresa. E eu só torço para que continue assim nas próximas duas semanas.

Legends of Tomorrow – 4X14: Nip/Stuck (EUA, 6 de maio de 2019)
Direção: David Geddes
Roteiro: Ray Utarnachitt, Matthew Maala
Elenco: Brandon Routh, Caity Lotz, Maisie Richardson-Sellers, Tala Ashe, Jes Macallan, Courtney Ford, Amy Louise Pemberton, Ramona Young, Nick Zano, Dominic Purcell, Matt Ryan, Adam Tsekhman, Jane Carr, Sisa Grey, Devyn Dalton, Kailyn Olsen, James Kot, Cameron Waters, Naomi Levi, Madeleine Kelders, Darcy Hula
Duração: 42 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.