Crítica | Legends of Tomorrow – 4X15: Terms of Service

  • Há SPOILERS! Leia aqui as críticas dos outros episódios.

Senhoras e senhores, bem-vindos ao inferno! Quer dizer… aos infernos. Neste penúltimo episódio da 4ª Temporada, os roteiristas Grainne Godfree e Ubah Mohamed resolveram investir em algo mais cínico, mais engraçado e com um resultado excelente no final, o que é surpreendente de se constatar se nós levarmos em consideração que o texto abriu um outro núcleo dramático vindo do nada (confesso que quando apareceu a Zari criança eu pensei “vão estragar o episódio com um ato que nem deveria estar aqui “) e ainda levou adiante a dramédia moral protagonizada por Gary versus as Lendas. Num outro ponto do texto, vemos o trabalho de Neron ser executado na Terra — ele quer coletar almas para o inferno e tirar o trono do Triunvirato — e claro, a estadia de Constantine no Reino das Trevas. É muita coisa boa acontecendo ao mesmo tempo!

A diretora April Mullen (do ótimo Necromancing the Stone e do excelente Hell No, Dolly!) cria uma maneira interessante de manter o ritmo do episódio mesmo com cenas que não necessariamente tão marcadas por uma ação intensa, como é de praxe para as Lendas. E vejam que no contato de Gary e da Fada Madrinha (Jane Carr está maravilhosa aqui!) com os tripulantes da Waverider, boa parte das tomadas se dão com os heróis imobilizados, mas mesmo assim a direção consegue manter o fluxo interno para cada plano, criando simples movimentos de câmera, ocasionalmente movendo Gary de lugar e sendo majoritariamente ajudada pela ótima edição do episódio.

Na Agência Temporal, Ray-Neron faz as mudanças necessárias para estabelecer o seu comando, criando um aplicativo infernal (a lição de hoje foi: sempre leiam as condições de uma licença antes de instalar qualquer coisa), estabelecendo o medo nos jornalistas e abrindo as portas para um medo ainda maior a ser aplicado na população. Como sempre, indivíduos ou grupos sem possibilidade alguma de conseguir qualquer vitória ou notoriedade por meios naturalmente inteligentes ou legítimos, lançam mão do exotismo no comportamento e principalmente do medo, normalmente vendido como uma promessa de salvação e com uma grande mentira a tiracolo. Isto não é algo novo nem na História e nem em personagens de TV em busca do poder. Agora foi a vez de Neron provar a regra.

No cerne de toda a luta para impedir que Neron domine a Terra, temos um ponto que ainda parece não indicar nada, e a pergunta que não quer calar é: como ficam as Lendas depois dessa jornada? Particularmente tenho gostado de alguns caminhos da série nesse aspecto de trabalhar bem as surpresas e fazer com que mesmo as mais improváveis decisões funcionem nos episódios. A grande questão é que isso tira parcialmente a força das Lendas como equipe — algo que não tínhamos exatamente nos últimos episódios e que parece ter voltado só agora, e com tudo. Este é um bom momento para alterações no núcleo de heróis da série e também de ideias para a próxima temporada.

Agora com Constantine e Nora no inferno (adorei, como já falei no texto anterior, a concepção do inferno que criaram aqui: simples, realista e eficiente; além dos poucos, mas bons efeitos que usaram neste episódio); as coisas indo de mal a pior na Terra e um dragão nascendo na casa de Zari criança, parece que termos, literalmente, um mágico final à nossa espera. E se a qualidade for igual a desses últimos episódios da temporada, que venha com tudo esse Finale!

Legends of Tomorrow – 4X15: Terms of Service (EUA, 13 de maio de 2019)
Direção: April Mullen
Roteiro: Grainne Godfree, Ubah Mohamed
Elenco: Brandon Routh, Caity Lotz, Maisie Richardson-Sellers, Tala Ashe, Jes Macallan, Courtney Ford, Amy Louise Pemberton, Ramona Young, Nick Zano, Dominic Purcell, Matt Ryan, Adam Tsekhman, Jane Carr, Sisa Grey, Olivia Swann, Gracelyn Awad Rinke, Paul Reubens, Sandy Sidhu, Jason Simpson, Beau Daniels, Mel Tuck, Bill Croft, Daniel Cudmore, Aryiel Lukashuk, Jocelyn Panton
Duração: 42 min.

LUIZ SANTIAGO (Membro da OFCS) . . . . Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.