Crítica | Legends of Tomorrow – 5X05: Mortal Khanbat

  • Há SPOILERS! Leia aqui as críticas dos outros episódios.

Antes de começar, vamos deixar aqui uma nota de admiração para toda a graça persa de Shayan Sobhian nesse episódio, vamos? Vamos! A propósito, bem que um dos fugitivos do Inferno poderia ser Ciro II ou Dario I (que de bondade não tinha nada), só para a gente ver o menino B. com figurinos do Império Aquemênida…

Agora vamos à crítica, e creio que é lícito começar por um elefante branco que já tinha me incomodado muitíssimo quando aconteceu com Charlie e agora volta a me incomodar porque acontece com Mick. Eu até acho interessante que as Lendas tenham algum tipo de independência em relação ao grupo e não é de hoje que a gente vê os roteiros desenvolvendo um plot ou certo aspecto de um personagem à margem do escopo principal dos episódios, certo? Ora, o próprio Mick protagonizou um desses arcos, quando ele começou sua carreia como “escritora”.

O que acontece aqui em Mortal Khanbat, porém, é uma total aceitação do “mal humor” do moiçolo, que ficou na Waverider bebendo, sofrendo pela namorada. Me pareceu uma desculpa forçada para afastar o personagem (afastamentos só são bons quando bem integrados/justificados), da mesma forma que foi irresponsável na saída de Charlie, no começo da temporada, e tudo “ficando por isso mesmo”. Vejam, se fosse em um momento onde não tivesse nada para fazer e os roteiros estivessem usando o tempo apenas para desenvolver relações interpessoais ou histórias secundárias, tudo bem. Só que o pessoal está caçando almas vindas do Inferno! Toda ajuda é necessária! Aí o desfalque de um membro por um certo capricho emocional ou de fuga é aceito sem mais nem menos. Quero só acreditar que é porque Sara estava fora.

E só porque eu falei mal da Charlie preciso pagar a própria língua nesse mesmo episódio, porque vê-la de volta com essa revelação de sua verdadeira identidade foi algo bem legal. Normalmente histórias que aparecem para complementar um personagem trazem um certo perigo, já que muitas vezes não se encaixam bem. Contudo, faz sentido imaginar que ela é uma Moira (Destino), mais especificamente a Cloto, que na mitologia grega era responsável por segurar o fuso e tecer o fio da vida. Eu gosto disso. Claro que seria preferível que ela não tivesse sido só apresentada como uma “criatura mágica” no ano anterior, mas como uma criatura que tinha algo a mais, algo que as Lendas ainda não conseguiam identificar. De qualquer forma, não é uma revisão de identidade que contraria nada. Só não é completamente orgânica com a jornada de Charlie até aqui.

Ainda assim, o dilema de fuga, o joguinho dela com Behrad + a participação na luta contra Genghis Khan foram bons pontos. No bloco de Constantine, mais uma baita atenção dada para o personagem e sua missão na temporada, que termina se unindo com quem Charlie realmente é. Eis aí mais um ponto para o roteiro dessa semana: conseguir relacionar plots diferentes dentro de um mesmo objetivo, não deixando que a série se expanda demais e depois fique mais difícil fechar tudo. Além disso, mais uma semana com uma resolução diferente para a alma saída do Inferno, o que é sempre algo para se elogiar — entretanto… era Genghis Khan, certo? Um final um pouco menos patético para o tipo de pessoa que ele foi seria mais condizente.

O episódio como um todo teve uma cadência grande de movimento interno, o que me deixou bem impressionado, pois esta foi a estreia de Caity Lotz na direção, logo em um capítulo com uma variação de grande de lugares, movimentação de personagens e trabalho com atmosferas bem diferentes. Gostei especificamente da atenção maior que ela deu para o drama de Constantine contracenando com Gary, Ray e Astra. Parece que sabemos o tipo de abordagem que nossa marinheira de primeira viagem se sente mais à vontade, não é mesmo? Que seja o primeiro de muitos episódios com ela atrás da câmeras!

Legends of Tomorrow – 5X05: Mortal Khanbat (EUA, 25 de fevereiro de 2020)
Direção: Caity Lotz
Roteiro: Grainne Godfree, Mark Bruner
Elenco: Brandon Routh, Caity Lotz, Maisie Richardson-Sellers, Tala Ashe Jes Macallan, Courtney Ford, Olivia Swann, Amy Louise Pemberton, Nick Zano, Dominic Purcell, Matt Ryan, Shayan Sobhian, Adam Tsekhman, Terry Chen, Robin Atkin Downes, Madeline Hirvonen, Devyn Dalton, Colin Foo, Chris Robson, Nicholas Harrison, David Soo, Megan Hui, Raymond Wey-Ming Ho, Leo Chiang, Darryl Quon, Natalie Logan, Paul Cheng
Duração: 42 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.