Crítica | Legends of Tomorrow – 5X08: Zari, Not Zari

  • Há SPOILERS! Leia aqui as críticas dos outros episódios.

Se você vem acompanhando as minhas críticas desde o início desta 5ª Temporada de LoT certamente imaginava que eu iria começar o texto abominando o que fizeram com Behrad neste episódio, não? Como se atrevem, Morgan Faust, Tyron B. Carter? Bem, brincadeiras (nem tão brincadeiras assim) à parte, eu realmente espero que a morte de Behrad seja uma das coisas possíveis de se reverter na série. Gosto bastante do personagem, gosto bastante do ator e jamais gostaria de vê-lo sair do time por agora. Se alguém tem que sair, que seja Mick. Aliás, quem deveria ter saído no episódio passado não era Ray e sim Mick… Mas chega de rabugice chorosa em relação a quem sai ou a quem fica. Vamos ao episódio.

Zari, Not Zari atrasou bastante. Devido à crise de produção causada pela COVID-19, os episódios gravados da série precisaram ser melhor distribuídos no cronograma da emissora (isso na verdade tem acontecido com diversos programas, em diversas redes de TV e não só nos EUA), para segurar a audiência engajada por mais tempo, até que a produção volte a funcionar. Houve então uma espécie de segunda mid-season, já que o primeiro largo espaço entre um episódio e outro neste ano de LoT havia acontecido entre Mr. Parker’s Cul-De-SacRomeo V. Juliet: Dawn of Justness. E o curioso é que pelo título, eu imaginei que o foco seria a comédia, mas… estava enganado. Não só o meu personagem favorito do show hoje teve o seu paradoxal fio da vida cortado, como também tivemos uma tensa e intensa procura das irmãs de Charlie pelas peças do Tear do Destino.

O início, no entanto, não nega a veia cômica do show. A palavra correta aqui é “fofo” mesmo, e é exatamente essa sensação que temos ao ver os olhares e o constrangimento de Zari e Nate após apenas dormirem juntos, o que traz uma fantástica abertura e um gancho para a posterior revelação e encontro de Zari consigo mesma, na Dimensão do Totem. Todo esse bloco dela tem um sabor especial, enfim tirando um pouco daquele ar chatinho de Barbie que a Zari blogueirinha tem e trazendo a Zari mais resoluta, com um outro tipo de chatice (mas que eu prefiro) em cena. Isso sem contar a bela relação que ela tem com o irmão e que recebe toda a atenção do roteiro e da direção aqui, com SobhianAshe mostrando o quanto conseguem ser empáticos, intensos e carinhosos ao tentar proteger o personagem do outro.

Eu preciso entender qual é a da minha constante rejeição a essa luta de Mick para se enturmar com a filha, mas confesso que é a parte do episódio onde não consigo mais me divertir. A exceção aqui é que temos Jes Macallan acompanhando o brutamontes, e tudo fica melhor com Jes Macallan, então a apreciação se torna mais fácil. Todavia, a coisa parece não andar. O plano não leva o status da relação de Mick com a filha para canto nenhum e, mais uma vez, é preciso levantar a ideia do quão absurdo é essa quebra de forças para um momento importante entre as Lendas. Mick deveria pelo menos fazer um trabalho de busca secundário. Se pelo menos ele estivesse protagonizando um bloco à parte mais empolgante e instigante, a questão seria diferente. Contudo, um drama familiar de caráter emotivo, sinceramente, não tem assim tanta força numa série cômica de ficção científica quanto os showrunners imaginam ter, ao menos não da forma como está sendo trabalhado. Ainda mais com alguém tão pouco emotivo ou relacionável quanto Mick.

Já o lado de Charlie e Constantine sempre dá pano pra manga (ainda mais fazendo referência a Supernatural…). Eu gosto de ver os episódios sempre avançando com a temática principal aqui, especialmente agora, com as outras duas irmãs entrando na joga. Mas ao mesmo tempo sinto que há algo estranho nesse lado da história, algo que parece travar um pouco mais essa parte, o que é paradoxal, já que no geral as coisas estão seguindo em frente. A impressão geral que eu tenho é que esse drama das irmãs e do Tear continuam tendo uma aura meio aleatória, para ser sincero. Talvez uma maior ligação com o inferno e principalmente uma relação mais íntima com as almas vindas de lá melhorasse a coisa, aprofundando-lhe o sentido. Quem sabe agora colocado mais uma Lenda como parte da busca (Zari querendo o irmão de volta), o senso de pertencimento não engloba melhor a trama inteira? Assim espero!

Legends of Tomorrow – 5X08: Zari, Not Zari (EUA, 21 de abril de 2020)
Direção: Kevin Mock
Roteiro: Morgan Faust, Tyron B. Carter
Elenco: Caity Lotz, Maisie Richardson-Sellers, Tala Ashe, Jes Macallan, Amy Louise Pemberton, Nick Zano, Dominic Purcell, Matt Ryan, Shayan Sobhian, Sarah Strange, Mina Sundwall, Jack Gillett, Joanna Vanderham, Lisa Marie DiGiacinto
Duração: 42 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.