Crítica | Legends of Tomorrow – 5X09: The Great British Fake Off

  • Há SPOILERS! Leia aqui as críticas dos outros episódios.

The Great British Fake Off foi um episódio com uma das maiores surpresas dessa 5ª Temporada de Legends of Tomorrow, mas ainda assim, um dos menos empolgantes num sentido geral. E isso tem a ver com a quebra que o roteiro fez para duas frentes de ação muito potentes e que poderia muito bem ter toda a atenção aqui, o que infelizmente não acontece. De um lado, o grupo que visita o Inferno (olha só, arrumaram uma pequena, mas aceitável, serventia para Mick!) e do outro, Constantine e Zari tentando reaver o anel que é parte do Tear do Destino, acabando por encontrar mais algumas almas penadas do mal.

A dinâmica da Waverider continua tinindo e, exceto pelo mais absoluto e incômodo deslocamento de Mick, as Lendas seguem se completando, abrindo espaço para piadas relacionadas aos outros e até mesmo para momentos de apoio, como acontece aqui num clima mais pesado, diante da morte de B. e, mais adiante, do afastamento de Sara, sofrendo as sequelas de ter enfrentado a irmã de Charlie. Esse clima familiar é mais ou menos reafirmado nos dois blocos de ação aqui e, pasme, tem reflexos positivos até na pequena cena de Nate e Charlie, que ficaram na nave enquanto a equipe estava fora. Nesse aspecto, nada tenho a reclamar do episódio. O problema está mesmo na divisão de tarefas.

Uma das principais preocupações num roteiro de série é constantemente alinhar forças. O equilíbrio quase nunca é conseguido, mas um alinhamento dramático substituiu isso tranquilamente: pega-se o tema e motivo central do capítulo e, para validá-lo, dá-se maior espaço/importância para o bloco que tem algo a ver com esse tema. E se estamos falando de um tema que possui diversos braços interligados, a costura é sempre feita com um retorno ao “núcleo principal”, tendo aí um trabalho mais acurado da montagem. Aqui em LoT fazia tempo que eu não via esse tipo de problema acontecer. Estamos diante de dois grandes eventos com amplo destaque, com coisas muito importantes acontecendo em cada um deles e com ligação também importante com a nave. O resultado? Uma espécie de parcial anulação não-intencional do poder de cada bloco.

No fim das contas, a parte com Astra é a que acaba sendo a mais importante, mas não dá para deixar de lado o também muito interessante bloco com Zari e Constantine. Ver a blogueirinha agindo de forma dominante, assumindo as rédeas de várias situações e, ao que parece, paquerando o mago, constitui uma mudança e tanto… e estou aqui para isso. A atriz Tala Ashe tem mostrado um bom dinamismo desde que voltou como essa nova persona, e num episódio desses, onde muitas nuances dela são exigidas num curto espaço de tempo, acabamos por reconhecer e aproveitar bem mais o trabalho da atriz. A questão é: mesmo tendo sido bem recebida, se enturmado e aprendido muita coisa, será que ela volta para casa no fim da temporada ou fica inteiramente integrada à equipe?

O bloco do Inferno infelizmente sofreu bem mais cortes do que deveria em algumas cenas, como o encontro de Astra com as Fates, por exemplo, que poderia ter recebido uma atenção bem maior do roteiro e da direção. Ainda assim, o resultado se mantém engraçado e, como já levantei anteriormente, com uma das maiores surpresas da temporada. Lamento que blocos tão intensos tenham sido apresentados num único episódio, mas, isoladamente, conseguiram manter a diversão. Com Astra agora na Terra, a coisa muda de figura. E a caçada parece definitivamente mais interessante.

Legends of Tomorrow – 5X09: The Great British Fake Off (EUA, 28 de abril de 2020)
Direção: David Geddes
Roteiro: Jackie Canino
Elenco: Caity Lotz, Maisie Richardson-Sellers, Tala Ashe, Jes Macallan, Olivia Swann, Amy Louise Pemberton, Nick Zano, Dominic Purcell, Matt Ryan, Adam Tsekhman, Sarah Strange, Joanna Vanderham, Timothy Lyle, Ben Sullivan, Abby Ross, Marion Eisman, Sean Millington, Chris Gauthier, Peter Ciuffa, Arman Nejadi, Robert Corness, Samantha Cole, Stephanie George
Duração: 42 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.