Home TVEpisódio Crítica | Legends of Tomorrow – 7X02: The Need for Speed

Crítica | Legends of Tomorrow – 7X02: The Need for Speed

Uma bola de neve de problemas ainda mais surpreendentes.

por Davi Lima
630 views (a partir de agosto de 2020)

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  • Há SPOILERS! Leia aqui as críticas dos outros episódios da série.

need – Robot. – Zari
         – What are the chances? – Ava

A grande qualidade de The Need for Speed sem dúvida é sua intensidade. Legends of Tomorrow já é uma série bem animada, empolgada com suas premissas, o que faz total diferença em tratar de viagem no tempo ou compor homenagens aos gêneros de cinema de investigação. Nesse episódio da semana até mesmo a Gideon humana (Amy Louise Pemberton) jogando comida em Astra (Olivia Swann) parece um ponto de imprevisibilidade emocionante para reviravoltas e conexões do roteiro. Com a direção de Alexandra La Roche, que impõe um ritmo bastante descontraído, a história da semana é uma grande pausa movimentada, como se fosse escrita por Agatha Christie “dentro e dentro” de um trem.

A repetição “dentro e dentro” não é por acaso. Exceto pela trama de Astra, Gideon e Spooner (Lisseth Chavez), tudo se passa dentro duplamente de um trem. Mesmo que o bolsão do tempo, a tal mansão aberta pela chave do Constantine (Matt Ryan), seja um espaço indeterminado, a porta para entrar e sair dele é por um vagão.  Assim, compreendendo dessa forma, o episódio lembra a boa veia literária de investigação presente em O Assassinato no Expresso do Oriente, quando os acontecimentos detratores e as descobertas dos mistérios progridem simultaneamente a narrativa em um mesmo contexto espacial. Soa como uma parada agitada, em que o trem não para, mesmo que ele seja o determinante para o momento estático que o espectador pode identificar.

Esse modelo narrativo é muito importante para a grande revelação do episódio, ou três revelações, se for pensar. Além do Edgar Roover robô (ou robô Edgar Roover?), Spooner pode se comunicar mentalmente com seres que não são alienígenas e Gideon pode representar um erro dos Legends na missão de consertar a timeline. Tudo bem que as últimas duas não são revelações de reviravolta como a primeira, mas torna a trama desinteressante entre Spooner e Astra de The Bullet Blondes em algo bem mais conectado com o conflito da temporada sem a Waverider, além de ser intrigante saber como Gideon pode ajudar os heróis nos próximos episódios com suas informações na sua memória. Todas essas descobertas se intricam bastante para que The Need for Speed nunca perca a agilidade de sua trama, especialmente com as ações e reações cômicas dos personagens quanto a elas.

Zari (Tala Ashe) é a que melhor representa essa comédia em relação ao contexto de descobertas. Quando Sarah (Caity Lotz) e Ava (Jes Macallan) vão aproveitar a lua de mel na mansão misteriosa, Zari de ressaca e totalmente deslocada da missão dos Legends se torna uma peça fundamental para transformar a trama de Nate (Nick Zano) – brincando seriamente em como ser Edgar Roover (Giacomo Baessato) – em paralela, mesmo sendo em prática o drama mais divertida de se acompanhar. A cômica organização de Zari com as garrafas se inicia despretensiosa e vai tomando ares de necessidade de ser compreendida. Juntando o enredo misterioso e histórico de Nate e a lúdica participação de ação e reação engraçada de Zari, e entendendo como duas narrativas dentro de um mesmo espaço do trem em movimento, a chegada de Al Capone é como se derrubasse peças de dominó enfileiradas em pé.

A diversão da homenagem cinematográfica aos gêneros de investigação, algo semelhante a literatura de Agatha Christie, com Nate interagindo com os passageiros do trem, até chegar sua história chegar num drama de como ele se incorpora na história como o violento Roover, é a linha mais direta para se acompanhar The Need for Speed. Mas sem dúvida acontece muito mais acumulado por trás dessa linha. Por isso é muito divertido todo o trabalho visual em cima da revelação do Edgar Roover falso, e fica ainda mais empolgante quando acontece o close-up no adesivo com palavra robô no vidro da garrafa que Zari estava segurando. Um verdadeiro mix de recompensa de intensidade que parece carregada dentro do trem durante todo o episódio.

Desse jeito, a bola de neve de problemas para os Legends não apenas ficou maior como engoliu incógnitas temporais sem nem perceber. Essa temporada promete ainda mais. Não apenas porque cria uma expectativa inimaginável de como resolver um problema temporal sem máquina do tempo, como sempre se resolvia, mas também porque promete conseguir progredir a história dimensionando bem as distâncias dos problemas e as resoluções no acúmulo dramático e cômico dos Legends of Tomorrow para consertarem a linha do tempo.

Legends of Tomorrow – 7X02: The Need for Speed – EUA, 20 de setembro de 2021
Direção: Alexandra La Roche
Roteiro: Morgan Faust, Marcelena Campos Mayhorn
Elenco: Caity Lotz, Tala Ashe, Jes Macallan, Olivia Swann, Adam Tsekhman, Shayan Sobhian, Lisseth Chavez, Amy Louise Pemberton, Nick Zano, Matt Ryan, Alexandra Castillo, Giacomo Baessato, Andrew Wheeler, Anthony F. Ingram, Toby Marks, Vera Frederickson, Marc Leblanc, Jocelyne Loewen, Ryan Irving
Duração: 42 min

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