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Crítica | Legends of Tomorrow – 7X08: Paranoid Android

Quando a funcionalidade de um episódio se evidencia com incrementos pouco sustentáveis.

por Davi Lima
1.686 views (a partir de agosto de 2020)

  • Há spoilers! Leiam, aqui, as críticas dos outros episódios da série.

android You got a date with destiny. – Sarah Lance

 

Recontar resumidamente a mesma história do que aconteceu nessa 7ª temporada por outro ângulo já é uma boa premissa para se voltar de um hiato, especialmente dentro do que Legends of Tomorrow se propõe com viagens no tempo e com esse futurista grupo de Legends androides. Os episódios anteriores foram se auto degustando, tornando os percursos do tempo em experiências de fugas e de investidas bem ritmadas para os super-heróis sem a Waverider. A bola de neve acumulava problemas na linha temporal e algumas vezes ela parecia parar para a boa conveniência que trabalhar com temporalidades proporciona. Em Paranoid Android o foco é outro.

Os segredos de Gideon do mal, os androides de Bishop e o gancho dos “doppelgangers” antes do hiato da série – entre outros fatores mais sólidos para se montar as peças de quem está prejudicando os Legends originais – parecem ter preocupado os showrunners Phil Klemmer and Keto Shimizu em explicar um pouco mais esses fatores e dramatizar um pouco menos os conflitos e as diversões das viagens dos personagens. Entretanto, a aposta do episódio na caricatura e na paródia da cultura militar como incremento para esconder a função explicativa dele se esvazia rápido e parece mais uma ajuda propagandista para a série do Pacificador.

O começo do capítulo da semana vai direto ao ponto em dizer para nós espectadores quem são esses Legends do mal que tentaram matar os nosso Legends no final de A Woman’s Place Is in the War Effort!Recontar os eventos dessa temporada pelo ponto de vista dessas versões alternativas dos heróis e mudar a abertura da série, com decalques de filmes militares do final do anos 80 e começo dos anos 90, com uma versão rockeira; tudo isso é um belo preparo e uma boa artimanha dos produtores em cadenciar a série sem perder a chance de explicar de maneira diferente o que está acontecendo, qual a ideia da revelação do cliffhanger do hiato. Desde Sarah Lance (Caity Lotz) a Spooner (Lisseth Chavez), todos os personagens assumem uma caricatura mais durona de suas versões originais. Visualmente, Nate (Nick Zano) e Astra (Olivia Swann) são os que mais chamam atenção, com a barba e os músculos de dele e o cabelo vermelho e a roupa dela.

Medidas essas diferenças e o bom trabalho de apresentar o ângulo desses Legends androides sobre os nossos Legends heróis, o episódio formula uma aventura básica da série, embora repetitiva, já que o propósito dessa versão sisuda dos personagens é consertar os anacronismos que acompanhamos até então estarem se acumulando na temporada. A volta para o caso de Chernobyl, então, acontece, já que a cidade foi evacuada e um personagem não morreu. A caricatura nesse momento de ação e missão funciona, porque sustenta a paródia das interpretações. Porém, quando Sarah Lance vai da capitã da frase de efeito para a questionadora, e o suspense do episódio começa a crescer sobre ela descobrir que ela e seus parceiros eram androides programados para consertar o tempo e matar os Legends que conhecemos, a memória RAM de Paranoid Android começa a falhar.

A função de curto prazo desse episódio, em ser objetivo e engraçado com o alternativo, para ficar mais claro quem são os antagonistas dos próximos episódios, acaba se esvaziando apenas em sua função. Seria como queimar um ciborgue do Exterminador do Futuro e sobrar só a carcaça robótica, que nessa metáfora é a função do episódio sem enfeites humanos. Quando o episódio tenta humanizar a trama com Sarah Lance, o próprio suspense é pouco intrigante para se envolver com a trama da personagem em se revoltar com Gideon. Assim como comecei o texto já dando esse spoiler, semelhante é o sentimento com esse trato narrativo de sci-fi em Paranoid Android. Nem o título parece muito se importar com isso além de um tema, e nem chega perto de alguma loucura que a música do Radiohead com mesmo título.

Se a intenção da roteirista Marcelena Campos Mayhorn e do diretor David Geddes era não propor um grande mistério para não enganar o espectador com a reviravolta de Zari (Tala Ashe) mudar de lado – mais uma vez, após se juntar a revolta de Sarah – e apoiar Gideon em ser uma androide melhor, independente se ela fosse vilã; no final é um episódio ruim por não querer entregar nada sustentável além de sua preocupação em explicar mais sobre os inimigos dos nossos protagonistas. Talvez valha a pena de ter um episódio desse para que os próximos episódios não se preocupem tanto com explicações e mais o ritmo que entregou nos primeiros 7 episódios dessa temporada. Mas, de qualquer forma, é preciso ser mais honesto na produção de um episódio, ou mais sem vergonha em dizer que tudo era uma grande farsa para que Nate fizesse cosplay de Pacificador de John Cena nos últimos minutos.

Legends of Tomorrow – 7X08: Paranoid Android – EUA, 12 de janeiro de 2022
Direção: David Geddes
Roteiro: Marcelena Campos Mayhorn
Elenco: Caity Lotz, Tala Ashe, Jes Macallan, Olivia Swann, Adam Tsekhman, Shayan Sobhian, Lisseth Chavez, Amy Louise Pemberton, Nick Zano, Matt Ryan, Ego Mikitas, Stefanie von Pfetten, Robert Hayley, Andrei Kovski, Atlee Smallman, Adam Gouti
Duração: 42 min.

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