Crítica | Legion – 3X05: Chapter 24

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  • Há spoilers. Leia, aqui, as críticas dos episódios anteriores.

David Haller prometeu guerra no episódio anterior e é guerra que ele entrega agora, ainda que pareça mais um massacre. Em um episódio decisivo, ganhamos diversas demonstrações de poder do protagonista, a eliminação de boa parte do elenco – que pode voltar, claro – e, de (b)ônus, uma sensação esquisita de frieza e distanciamento.

Começando com um ataque à base móvel terrestre da Divisão 3, o roteiro ressuscita Daniel, o marido de Clark, somente para David brutalmente arrancar-lhe a memória. É um sequência estupenda desde que ela começa com David em pé na estrada desértica até o retorno do ônibus à base, mas tudo o que vemos desse fatídico momento no episódio é Clark assistindo a um filme antigo de seu amado minutos depois, logo antes de ser defenestrado para o espaço. 

O mesmo vale para o doloroso suicídio de Lenny com uma faca no pescoço, depois de se recusar a ajudar David. Ela estava sofrendo por ter perdido sua família no ataque temporal dos Comedores de Tempo no episódio anterior e, talvez pela primeira vez demonstrando sentimentos genuínos, não aguenta a tristeza. E o que o roteiro faz com isso? Menciona Lenny com brevidade quando Syd pergunta a David o que acontecera com ela. 

Esses são apenas dois grandes momentos do episódio que Noah Hawley não consegue transmitir peso dramático. As sequências foram brilhantemente executadas, mas, em ambas, ficaram faltando consequências imediatas e diretas. Eu até entenderia no caso de David, já que ele nunca foi um personagem com mais de uma ponta aqui e ali, mas mesmo ele, considerando o que acontece, merecia mais. Lenny então, nem se fala. David sofre mais com o sequestro de Switch por Cary do que pela morte sangrenta de sua mais antiga companheira.

Sim, sei que ele se tornou um monstro e sim, sei que ele está contando com a reversão de tudo pelo uso dos poderes de Switch, mas meu ponto é que os momentos – esses momentos – acabaram ficando subaproveitados e jogados, como apenas mais dois em meio a tanto outros, existindo mais pelo seu valor de choque do que pelo valor narrativo. E isso acaba subtraindo do episódio como um todo, que passa a ser uma sucessão de cenas fortes que, porém, têm um fim em si mesmas.

No entanto, vale destacar o momento em que Syd atrai David para sua armadilha, usando sentimentos – como o Rei das Sombras sugerira – para fazer a guarda do telepata baixar por tempo suficiente de forma que ela possa trocar de corpos com ele. A sequência, que é uma das poucas da série toda que mostra efetivamente que David é Legião, foi muito bem executada, ainda que seu final, que era para ser chocante, tenha perdido seu poder em vista do que acontecera com Daniel e com Lenny.

No final das contas, a própria promessa de que “tudo vai ficar bem”, com mais uma viagem temporal de Switch e David no cliffhanger, ajuda a esvaziar o que acontece aqui. A esperança é que, no jogo a longo prazo, Noah Hawley continue fazendo o que faz melhor e esquive-se de soluções fáceis e convenientes, trazendo consequências duradouras aos atos de seu protagonista.

Legion – 3X05: Chapter 24 (EUA – 22 de julho de 2019)
Showrunner: Noah Hawley
Direção: Arkasha Stevenson
Roteiro: Olivia Dufault, Ben Winters
Elenco: Dan Stevens, Rachel Keller, Aubrey Plaza, Bill Irwin, Navid Negahban, Jemaine Clement, Jeremie Harris, Amber Midthunder, Hamish Linklater, Jean Smart, David Selby, Jelly Howie, Brittney Parker Rose, Lexa Gluck, Marc Oka, Lauren Tsai
Duração: 46 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.