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Crítica | LEGO Star Wars: Especial de Festas

por Ritter Fan
689 views (a partir de agosto de 2020)

A vergonha de George Lucas foi tanta com o hoje mítico Star Wars Holiday Special, programa televisivo com todo o elenco do filme original que foi ao ar em 1978, que ele fez questão de enterrar essa aberração o mais profundamente possível, basicamente jamais sequer mencionando-o novamente. O tempo passou, a Lucasfilm foi comprada pela Disney, a Lego tem uma valiosa e lucrativa licença da franquia e voilà, eis que o famigerado especial ressurgiu das cinzas como um curta-metragem animado da fabricante de brinquedos de encaixar, mais uma vez provando que nada, absolutamente nada fica sem ser remexido em Hollywood.

E o histórico da Lego em animações é surpreendentemente positivo, seja em longas-metragens cinematográficos, seja em curtas ou séries para a televisão, com Star Wars merecendo destaque com As Aventuras de Freemaker e As Crônicas de Yoda, por exemplo. O Especial de Festas, porém, não é das melhores paródias da empresa nessa galáxia muito, muito distante, talvez como resultado de algum tipo de maldição de Lucas ou por azar mesmo. Não que seja algo do nível da porcaria original, pois está bem longe disso, mas apenas não arranha a qualidade de outras animações da franquia pela Lego.

Narrado por Yoda (Tom Kane), o curta se passa após o final do Episódio IX, com a paz mais uma vez restaurada no universo, o que abre espaço para que nossos heróis tenham tempo e vontade de comemorar o Dia da Vida, basicamente o Natal dos Wookies, o mesmo gatilho narrativo para o clássico maldito de 1978. Com isso, todos os heróis estão dentro da Millenium Falcon (porque dentro da Millenium Falcon???) pousada em Kashyyyk, planeta natal de Chewbacca, com Poe Dameron (Jake Green) organizando a festa. Mas Rey, que tenta treinar Finn (Omar Benson Miller) como Jedi (Finn como Jedi???), sente-se frustrada por não conseguir ser uma boa professora apesar de ter decorado todos os textos existentes sobre a Antiga Ordem e parte em uma X-Wing com BB-8 para um templo Jedi que teria a resposta para suas dúvidas existenciais.

Bem, tudo isso é somente uma desculpa qualquer para que Rey (Helen Sadler errando feio no tom de voz da personagem) encontre um artefato místico que a permite viajar no tempo, começando, então, uma frenética sucessão de visitas por todas as três trilogias cinematográficas (e The Mandalorian, claro) que são amplificadas por efetivas alterações nas linhas temporais na medida em que sua presença, no começo discreta, passa a ser notada, especialmente pelo Imperador (Trevor Devall) e Darth Vader (Matt Sloan) na segunda Estrela da Morte. E, claro, com é obrigatório quando o artifício de viagem no tempo é usado, vemos várias versões dos mesmos personagens contracenando, ensaios de paradoxos e o inevitável caminhão – caminhões, na verdade – de referências sendo derramadas ao longo dos 40 e tantos minutos do curta.

É sem dúvida divertido… até passar a ser mera repetição da mesma coisa infinitas vezes intercaladas por pouco inspiradas sequências na Millenium Falcon para que não esqueçamos que é um Especial de Festas. Ou seja, mesmo curto, o programa é longo demais para a história que tem, já que o roteiro de David Shayne escolhe o caminho mais fácil que é mostrar pouco de muita coisa no lugar de parar um pouco para desenvolver uma narrativa realmente interessante que vá além do “olha lá fulaninho” e “ih, é a cena do filme tal”, algo que cansa em algo como 10 minutos.

Pelo menos a relação entre o Imperador e Darth Vader – e depois Kylo Ren (Matthew Wood) – é bem estruturada, além da hilária presença do Luke Skywalker (Eric Bauza) do começo do Episódio IV, ou seja, completamente ignorante sobre seu destino, vendo um monte de coisa ininteligível (para ele) passar diante de seus olhos. São esses personagens que fazem o curta realmente valer a pena para além do divertimento raso e repetitivo que ele é e eu não hesitaria em dizer que eles sim dariam animações Lego muito bacanas nesse contexto de viagem no tempo que é razoavelmente desperdiçado aqui.

Outro ponto positivo é o CGI usado na animação que se mostra fluido nas sequências de ação, com o departamento de arte realmente se divertindo na recriação de basicamente todos os personagens da saga. Também vale destaque para o cuidado com a textura das peles e tecidos que são mostrados em close-up, o que representa uma bela evolução no material de televisão da Lego.

Foram necessários 42 anos para o Dia da Vida ser comemorado novamente e mais uma vez a promessa feita deixa muito a desejar. Não desejo a ninguém revisitar o original, pois é torturante demais, mas LEGO Star Wars: Especial de Festas é, talvez, a mais fraca animação da Lego nesse prolífico universo.

LEGO Star Wars: Especial de Festas (The Lego Star Wars Holiday Special – EUA, 2020)
Direção: Ken Cunningham
Roteiro: David Shayne
Elenco: Helen Sadler, Omar Benson Miller, Matt Sloan, Eric Bauza, Matt Lanter, Kelly Marie Tran, Jake Green, Billy Dee Williams, Ben Prendergast, Anthony Daniels, Trevor Devall, Tom Kane, Matthew Wood
Duração: 48 min.

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8 comentários

José Victor Batista 10 de dezembro de 2020 - 09:46

Ver a Rey tentando treinar o Finn como Jedi é realmente estranho, mas após o lançamento do Episódio IX a Lucasfilm confirmou que o Finn é sensitivo a força. Aparentemente essa era a tal coisa que ele queria contar pra Rey no filme mas o roteiro resolveu esquecer e deixar pra lá.

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planocritico 10 de dezembro de 2020 - 10:11

Esse negócio de “consertar” filmes explicando o que era para ter sido, mas não foi, eu nem considero. Se não está no filme, não está no mundo. Talvez um dia quando fizerem o Episódio X: O Retorno de Finn e explicarem isso bonitinho, aí eu repenso a história…

Abs,
Ritter.

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Paulo Junior 9 de dezembro de 2020 - 21:21

Acho legal, pra mim o fato de ser em Lego e bobinho deixa tudo mais divertido daria meia estrela a mais

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planocritico 10 de dezembro de 2020 - 09:46

É, mas tem animações Lego Star Wars tão melhores do que essa, que não é só porque é Lego que é bom…

Abs,
Ritter.

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giovanni.lautens 8 de dezembro de 2020 - 15:50

pô, achei legalzinho pra uma proposta de 50 minutos e pra algo despretensioso que não é cânone (ufa!), mas os outros filmes de LEGO são tão bons que esse merece essa nota mesmo viu!

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planocritico 8 de dezembro de 2020 - 18:00

Então. Legalzinho para mim é isso aí, 2,5 HALs.

Abs,
Ritter.

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Bernardo Barroso Neto 7 de dezembro de 2020 - 17:27

Vou passar longe, tenho traumas até hoje com o especial original

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planocritico 7 de dezembro de 2020 - 20:50

O original é mesmo traumatizante!

Mas esse novo é passável.

Abs,
Ritter.

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