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Crítica | Lemonade Mouth: Uma Banda Diferente

por Fernando JG
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Sem prestar muita atenção aos “buracos” na atuação ou em ações extremamente facilitadas pelo roteiro para dar continuidade à trama (como nas cenas iniciais em que do nada todo mundo sabe a letra de uma música inédita e num passo de mágica formam um banda), este é sim um filme divertido e acolhedor, totalmente capaz de atingir não só ao seu público alvo – crianças e adolescentes – mas também a outros grupos. A propósito, esta é uma adaptação do livro homônimo e do gênero Young adult, escrito por Mark Peter Hughes.

Por falar em geração, acredito que está aí uma questão. Uma vez que High School Musical foi um marco para uma geração de pré-adolescentes em meados do anos 2000, Lemonade Mouth me parece que é, ao fundo, uma espécie de filme que tem o potencial semelhante para ser uma peça marcada e conhecida nesse universo dos filmes musicais da Disney – daqueles ambientados em escola -, até porque ele tem tudo para isso: personagens diferentes que se unem e formam um grupo, músicas chicletes, uma subtrama do “bem contra o mal”, personagens em amadurecimento, consolidação de laços de amizades, trama colegial, entre outros tantos aspectos conhecidos do público em geral. 

Como se não bastasse, temos a cereja do bolo: a personagem feminina tímida mas que arrebenta quando sobe ao palco, que é interpretada pela queridinha Bridgit Mendler. Basicamente, este é um resumo quase universal desses dramas juvenis, cujos enredos são muito bem representados por HSM e Camp Rock. Não espere nada diferente disso, dos velhos, mas divertidos, lugares-comuns 

O título do filme, “Lemonade Mouth”, refere-se à banda formada pelos “losers” do colégio, um grupo de jovens (Olivia, Mo, Charlie, Stella e Wen) que se encontram no dia, no lugar e na hora exata, produzindo, a partir deste encontro já esperado, o inesperado. Como cada um ali infringiu uma regra da escola, já era esperado que se encontrassem para cumprir a hora-extra na sala de detenção, comandada por uma professora de artes que, ao perceber a harmonia entre eles, os impulsiona para formarem um conjunto, cada um ocupando uma função na banda.

Existem bons acertos no roteiro. O mais evidente deles é o enfoque no desenvolvimento dos diferentes problemas passados por cada um dos personagens no seus âmbitos doméstico e em suas vidas pessoais. A personagem de Naomi Scott, uma estudante indiana que tem os pais conservadores, é a mais interessante e a que mais desperta curiosidade em saber o desfecho pessoal. Ela é menina reprimida em casa, que precisa trocar de roupa toda vez que chega ao colégio para parecer mais “descolada” e menos “careta”, que precisa esconder de seus pais que entrou na banda do colégio e toca rock e não mais violino clássico, que usa batom escondido dos pais porque é proibida em casa, enfim. Nos últimos momentos do filme ela precisa enfrentar o seu próprio demônio e encarar, no dia do show final, os seus pais. A construção do drama a partir da protagonista Mo segura bem as pontas e gera sempre essa curiosidade que será desenlaçada ao fim – nos segurando estrategicamente até lá.

As músicas, de certa forma, são cativantes e constantemente, ao longo do filme, há a repetição dos singles, nos mais diversos contextos, fazendo com que a música não saia da cabeça. Bridgit Mendler aparece como estrela principal, mas apesar de ter uma presença de palco interessante enquanto cantora, está bastante crua no papel de menina tímida e é, em algumas vezes, lesada pelo roteiro. A cena da história do gato que relembra a sua falecida mãe não convence e de tão forçada me parece superficial: o choro, a história, tudo. 

O embate dos jovens com o diretor perverso, que se assemelha mais a um ditador do que a um dirigente de um colégio, oferece liga para o prosseguimento da trama e introduz uma atmosfera engajada num contexto em que os alunos pedem por seus direitos. Pelo próprio resultado do curso dramático como um todo, a presença de um diretor tirano que é enfrentado por seus próprios alunos se mostra uma escolha muito acertada para movimentar um enredo teen

O filme deixa brechas para uma continuação e acredito ser uma possibilidade muito palpável e bem-vinda caso a produção queira dar continuação à história desenvolvida anteriormente, mas, desta vez, o ideal, e o mais óbvio, seria realocá-los no papel de uma banda já reconhecida pelo colégio, na posição não mais de losers mas de populares ou algo do tipo. Lemonade Mouth tem um ritmo agradável, com ideias básicas mas bem iniciadas, desenvolvidas e terminadas, cumprindo o seu papel de ser um filme atraente ao seu público.

Lemonade Mouth: Uma Banda Diferente (Lemonade Mouth, EUA, 2011)
Direção: Patricia Riggen
Roteiro: April Blair (baseado no romance de Mark Peter Hughes)
Elenco: Bridgit Mendler, Adam Hicks, Hayley Kiyoko, Naomi Scott, Blake Michaelo, Nick Roux, Chris Brochu, Tisha Campbell-Martin, Christopher McDonald
Duração: 113 min.

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