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Crítica | Let Them All Talk (2020)

por Guilherme Rodrigues
521 views (a partir de agosto de 2020)

Em um dos momentos mais tocantes de Let Them All Talk, Susan (Diane Wiest), conta que certo bilionário do ramo tecnológico lançou diversos satélites “em forma de estrela” ao espaço, e que as novas gerações, ao olhar para os céus, não verão mais estrelas de verdade. Olhando para suas amigas septuagenárias, a escritora Alice (Meryl Streep) e Roberta (Candice Bergen), ela diz “nós provavelmente somos as últimas a ver o céu estrelado de verdade”. Essa reflexão sobre a terceira idade e o mundo que as cerca tem certa ressonância na narrativa, até porque um dos elementos que unem – e afastam – os personagens da trama são as diferenças etárias.

Tyler (Lucas Hedges), sobrinho de Alice por exemplo, aceita participar da viagem de navio organizada pela sua tia com o intuito de justamente explorar que tipo de mundo sua tia e amigas tiveram, que ajudou a forjar uma amizade que dura décadas, enquanto ele mesmo mal consegue manter amizades por mais de 4 anos. A relação de Alice com Karen (Gemma Chan) , sua agente literária, também é marcada pela diferença generacional, com a jovem profissional marcada pela pressa típica do século XXI, enquanto a escritora possui um estilo mais reservado e vagaroso, escrevendo no seu próprio tempo.

Muito do que torna Let Them All Talk uma produção interessante está no modo como as atividades do trio principal são exploradas, levando em consideração a idade de cada uma. É mais comum que o cinema ignore que pessoas da terceira idade têm vidas tão interessantes quanto as dos jovens, sendo relegadas a imagem de “vovô/vovó”, sendo carinhoso ou rabugento. As septuagenárias de Soderbergh flertam abertamente com outras pessoas no navio, cenário na produção, e até contam certas aventuras sexuais. “Está vendo aquele cara ali?” diz Susan, em certo momento, “fiz um menáge com ele e sua esposa”.

A produção remete um pouco a High Flying Bird, especialmente por se basear principalmente em diálogos, mas enquanto o drama esportivo era dinâmico e com falas muito precisas, aqui temos um certo relaxamento, algo mais suave. Há uma leveza na condução narrativa do diretor, a câmera sempre com movimentos muito fluidos, com alguns momentos focando na serenidade do mar, e os diálogos, alguns improvisados, possuem sempre um tom casual. Funciona por boa parte, mas quando chega o momento de lidar com situações mais pesadas, toda essa construção mais “light” acabar por não sustentar a dramaticidade necessária. Um confronto entre duas amigas próximo ao final do filme, um ponto importante do arco narrativo das duas, pouco tem de impactante.

Let Them All Talk funciona melhor como uma série de conversas soltas, e que até o estilo mais improvisado se encaixa melhor dessa maneira. Certas situações ganham até uma certa aura de atores conversando para ver onde que a trama pode ir, com os personagens de Hedges e Streep se reunindo sempre para conversar sobre as outras pessoas. A conclusão da trama, que necessitava de certa solidez dramática, acaba ficando meio inconsequente, mas o caminho até lá não é de todo ruim.

Let Them All Talk ( 10 de Dezembro de 2020)
Direção: Steven Soderbergh
Roteiro: Deborah Eisenberg
Elenco: Meryl Streep, Lucas Hedges, Diane Wiest, Gemma Chan, Candice Bergen, Christopher Fitzgerald, John Douglas Thompson
Duração: 113 min.

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