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Crítica | Leviathan – O Mistério dos Oceanos

por Leonardo Campos
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Conforme os registros históricos oriundos de documentos e resgates orais, Leviatã é um perigoso monstro mitológico, no estilo mesmo das criaturas que Ulisses, em sua travessia para casa após a Guerra de Troia, enfrentou, seres de alta periculosidade e com aparência abominável. Nas narrativas bíblicas, Jonas teve a sua experiência e nos meandros do Apocalipse, somos informados que um monstro de gigantescas proporções dominará a humanidade perdida. Alegoricamente, Thomas Hobbes desenvolveu algumas de suas teses filosóficas tendo tal monstro como simbologia para as reflexões empreendidas em seu texto.

Spielberg, ao falar sobre o seu tubarão-branco, associou o animal marinho ao mito que nomeia o filme em questão, lançado em 1989, mesmo ano de Abismo do Terror, narrativa com estrutura narrativa relativamente semelhante. Sob a direção de George P. Cosmatos, o Leviathan – O Mistério dos Oceanos é um filme que comprovam a presença dos mistérios marinhos no imaginário popular, da Antiguidade aos dias atuais. No enredo, dirigido com base no roteiro escrito por David Webb e Jeb Stuart, alguns mineiros desenvolvem um trabalho em uma zona abissal do oceano. No local, encontram uma embarcação soviética naufragada.

É um achado que poderia ter origem alemã, italiana, holandesa. Mas, na era considerada como o desfecho da Guerra Fria, o mal precisava ser mais específico e político. Dentro da embarcação maldita, os personagens mexem numa carga perigosa e o que era apenas mais uma missão cotidiana se torna uma empreitada em busca da salvação de suas vidas, ameaçadas pelo desconhecido. O grupo é composto por Steven Beck (Peter Weller), Dra. Tina McGee (Amanda Pays), Sixpack (Daniel Stern), Dr. Glen Thompson (Richard Crenna), dentre outros, profissionais da Tri-Oceanic Corporation.

Considerado plágio de O Enigma do Outro Mundo, de John Carpenter, tendo Alien, O Oitavo Passageiro, de Ridley Scott, como responsável por transmitir algum verniz narrativo, a aventura apresenta motes muito semelhantes ao que já havia sido feito na temática ao longo das últimas décadas. A embarcação naufragada leva o mesmo nome do filme, sinal de perigo desde a sua nomenclatura, algo que é desconsiderado depois que os envolvidos descobrem que há um baú cheio de bugigangas, material levado para a estação de trabalho. A missão realizada no fundo do mar já caminhava para seu desfecho, mas é abandonada diante dos perigos que se estabelecem. Conforme detalhes expressos nos documentos encontrados, diversos pacientes adoeceram antes do navio encontrar o seu destino trágico.

Contaminados, descobriremos posteriormente que foram tomados por uma criatura misteriosa que toma a forma de quem ela transforma em vítima. Com Alex Thompson na direção de fotografia, a produção consegue boas imagens externas e internas. Na parte exterior, os espaços subaquáticos são captados de maneira a nos fazer “mergulhar” nas profundezas do oceano. É envolvente no que tange aos aspectos da visualidade. Internamente, também funciona, pois o design de produção assinado por Ron Cobb dá conta dos diversos corredores, tubos e máquinas próprios de uma estação de trabalho realista e bem erguida. Como diferencial, comparado ao que foi realizado em Abismo do Terror, a produção traz Jerry Goldsmith para a composição musical, trabalho acima da média realizado por um dos mestres da tensão nas narrativas hollywoodianas.

Ao longo de seus 103 minutos, Leviathan – O Mistério dos Oceanos é um filme com ritmo adequado para uma produção voltada ao entretenimento. Não perde muito tempo com conversas científicas fora de propósito, também não busca amarrar o seu roteiro com personagens mais relevantes e estrutura dramática mais coesa. Curiosamente, o desfecho emula Tubarão, clássico que ganhou ressonâncias em diversas produções posteriores ao seu lançamento. Basta colocar seres humanos diante de perigos marinhos que as associações são acionadas de imediato. Alguns filmes buscam não apenas permitir aos espectadores o referencial, numa oferta metalinguística própria, tal como caso desta produção focada no público sedento pela contemplação do perigo alheio.

Leviathan – O Mistério dos Oceanos ( Leviathan – Estados Unidos, 1989)
Direção: George P. Cosmatos
Roteiro: David Webb Peoples
Elenco: Peter Weller, Richard Crenna, Amanda Pays, Daniel Stern, Ernie Hudson, Michael Carmine, Lisa Eilbacher, Hector Elizondo
Duração:  98 min

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