Crítica | Libido (1965)

PLANO CRITICO LIBIDO 1965 FILME GIALLO

Filme da fase inicial dos gialli na Itália, Libido (1965) é uma mistura de ideias psicanalíticas não muito bem aproveitadas pelo roteiro, com ganchos dramáticos inspirados em As Diabólicas (1955) e O Poço e o Pêndulo (1961). Dirigido por Ernesto GastaldiVittorio Salerno, o filme, que foi rodado em 18 dias, conta a história de Christian (Giancarlo Giannini), que retorna à casa onde viveu sua infância e onde sofreu o trauma que o marcou pela vida toda: o flagra do pai que acabara de matar uma de suas amantes em um quarto cercado por espelhos.

Esses detalhes estéticos são mais ou menos tratados como coisas aleatórias pelos diretores, já que o roteiro está mais preocupado em ressaltar o impacto dos tormentos psíquicos de Christian do que explorar de verdade a sua relação com esses motivos, em sua simbologia pura. Isso não é exatamente um grande problema para o filme, mas em certo ponto nos faz questionar o por quê de um destaque, em teoria, tão grande para a libido — lembrando que este é também o título original da obra — se o texto não mergulha muito nessa questão.

Isso se torna particularmente inquietante quando consideramos a abertura com citação freudiana e tudo, o que normalmente indicaria um uso máximo da libido como tema, mas o roteiro a expõe apenas como uma sugestão para uma crise, ou seja, a libido como gatilho, não como carro-chefe da obra. Existem, é verdade, impulsos ligados à atração sexual e os tormentos que isso traz para Christian, mas a forma como os diretores filmam essas cenas é sempre bem rápida, atraindo muito mais a nossa atenção para uma possível conspiração sendo arquitetada contra o protagonista (aqui também há pitadas de Gaslight), este sim, o verdadeiro núcleo dramático da história.

As cenas no interior da casa são boas, especialmente no quarto de espelhos, mas a montagem e o roteiro impedem que muita coisa nesse meio seja plenamente desenvolvida. A brincadeira macabra da cadeira “balançando sozinha”, por exemplo, é uma interessante constante no filme, mas existem outras coisas que indicam as alucinações do personagem de Giancarlo Giannini e que não recebem o merecido trabalho em continuidade do roteiro.

Em meio a boas locações (o interior da casa e a rochas frente ao mar são perfeitos para esse tipo de trama) mais o uso de ícones visuais do giallo, ainda em processo de formação — já vemos aqui as luvinhas pretas, por exemplo — Libido nos garante um final cheio de reviravoltas e bastante compensador, a despeito do desenvolvimento que não se dá a liberdade de explorar aquilo que tem de melhor e mais aliado ao tema do desejo humano como porta de entrada para ações criminosas.

Libido (Itália, 1965)
Direção: Ernesto Gastaldi (sob o pseudônimo de Julian Berry) e Vittorio Salerno (sob o pseudônimo de Victor Storff)
Roteiro: Ernesto Gastaldi, Mara Maryl, Vittorio Salerno
Elenco: Giancarlo Giannini, Dominique Boschero, Luciano Pigozzi, Mara Maryl
Duração: 90 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.