Home LiteraturaAcadêmico/Jornalístico Crítica | Lições Empresariais de Game of Thrones, de Carolina Tavares

Crítica | Lições Empresariais de Game of Thrones, de Carolina Tavares

por Leonardo Campos
131 views (a partir de agosto de 2020)

O universo da série Game of Thrones é um dos mais transmidiáticos da contemporaneidade.  Além do material literário de George Martin e das oito temporadas produzidas pela HBO, diversos produtos circulam pela mídia e demonstram as rizomáticas possibilidades de se pensar Westeros. Há também um aproveitamento do manancial de conteúdos ofertados pelo programa em diversas áreas do conhecimento, dentre elas, os cursos de Administração, Economia, Direito, Letras, etc. O debate dentro de componentes curriculares sobre Liderança e Empreendedorismo é um dos mais profícuos e conectados aos diálogos e ações de personagens como Daenerys Targaryen, Jon Snow, Cersei Lannister, dentre outros.

Sob a ótica do pensamento empresarial, a série ultrapassa as barreiras nebulosas da ficção e flerta com dados metafóricos de nossos relacionamentos profissionais cotidianos, em especial, no terreno da liderança, do empreendimento, da estratégia, da postura e da atitude, elementos essenciais para vencermos as batalhas e obstáculos diários. O livro é taxativo ao afirmar que em Westeros, alcançar o poder é difícil, mais complexo ainda é mantê-lo, com citações de falas dos personagens mais emblemáticos e também de George Martin, criador do universo, homem que afirma ser “um líder alguém que deve aprender que as palavras conquistam coisas que muitas espadas não conseguem”.

Lições Empresariais em Game of Thrones é uma publicação de Carolina Tavares, jornalista admiradora do universo da série que é uma metáfora viva das empresas e suas transações cheias de intrigas, jogos de poder, etc. Com experiência significativa em empresas como a MTV e a NAPSTER, a autora fundou a Jazz House, em 2011. Aparentemente inspirada pela força de Daenerys, personagem que começou do nada e ganhou forte fidelização, juntamente com a liderança democrática e adequada de Jon Snow, Carolina Tavares discorre com leveza e didatismo as lições prometidas no título da publicação, um livro que não se aproveita do conteúdo da série para dialogar com informações sem aplicabilidade, como acontece com alguns trechos de A Sabedoria de Tyrion Lannister, postulado coach sobre a série.

Em Startups, primeiro capítulo, Tavares discorre sobre o momento em que “o dragão desperta”, isto é, quando a empresa é nova e embrionária. Para situar o momento em questão, traça o forte trajeto de Daenerys e demonstra como a mãe dos dragões estudou os seus inimigos e aliados para se tornar uma mulher empoderada diante de um universo patriarcal e opressor. Ao ter Missandei como sua aliada, a herdeira Targaryen consegue maior fluidez na comunicação, tendo como lidar com línguas e culturas que ela não sabe lidar sozinha. Num elucidativo diagrama, a autora aponta personagens e suas equivalências internas no ambiente empresarial.

Daenerys é a fundadora da empresa, Tyrion Lannister é o CEO, Jorah Marmant o Diretor Comercial e de Vendas, Missandei é Diretora de Marketing e Comunicação, Verme Cinzento é o Gerente de Projetos e Lorde Varys pode ocupar o posto de Gerente de Estratégia e Planejamento, palavra-chave para o capítulo seguinte, “Planejamento: Qual o Caminho para Westeros?”, momento em que a autora dedica algumas páginas para traçar as diferenças entre objetivo, indicador e meta, isto é, o anseio do empreendedor para a sua empresa, a métrica sobre como o objetivo será alcançado e o valor a ser atingido pelo indicador ao final de um período, respectivamente. Ao citar a celeridade do tempo, um dos nossos maiores problemas da atualidade, o livro reforça a necessidade das estratégias, ao apontar as eficientes maquetes de Daenerys e os mapas gigantescos de Cersei. Olenna Tyrell, viúva do Lorde Luthor, conhecida como a Rainha dos Espinhos, também é apontada como um exemplo promissor de liderança e estratégia.

Ao longo de Estrutura, terceiro capítulo, somos apresentados aos perfis comportamentais da série: a dominância de Cersei, a estabilidade de Jon Snow, a conformidade de Missandei, a influência de Robert, etc. Numa relação de correspondência entre cargos e funções da vida real com os personagens de Game of Thrones, a autora declara ser a Mão do Rei o ocupante da poltrona de Diretor Geral. O Mestre das Leis corresponde ao Diretor Jurídico, o Mestre dos Navios ao Diretor de Logística, o Mestre dos Sussurros ao Diretor de Comunicação, o Mestre da Moeda ao Setor Financeiro e Grande Mestre como o Gerente de Recursos Humanos.

No capítulo seguinte, Clientes, a autora deixa delineia: “não diga que é um rei, seja um rei”. Para a abordagem, Tyrion Lannister é escolhido, apontado como alguém que entende o seu cliente. Sendo a adaptabilidade e a resiliência duas de suas principais armas, o personagem acometido pela narcísica ferida do nanismo é um bom manejador nas articulações e deixa a mensagem central: compreenda muito bem o cliente. Em Parcerias, a epígrafe “alguém me empresta os navios?” traz questões pontuais, tais como a arrogância de Cersei Lannister, alguém que mesmo diante das posturas despóticas, sabe que não é autossuficiente; e Daenerys Targaryen, elogiada por fazer boas parcerias e dialogar constantemente com a sua equipe.

No sexto capítulo, “Comunicação”, Carolina Tavares abre a reflexão com a necessidade de compreensão das segmentações dentro dos sete reinos, tendo em vista atender as demandas de todas as camadas que compõem as esferas sociais de um “mercado”, afinal, num reino geograficamente tão grande como Westeros os desejos e estilos são diversificados e precisam de atendimento para que insurreições sejam evitadas, não é mesmo? Tais questionamentos são aberturas para o desfecho do livro, Liderança: Aproveite o Seu Reinado, sétimo e último capítulo.

Como lição, a autora aponta que Cersei é admirada por alguns fãs da série, mas não deve ser tida como um exemplo de liderança, pois governa pela coerção e as pessoas as obedecem apenas por medo de não sobreviver. Jon Snow, por sua vez, é delineado como o líder que se protege e abarca os demais, isto é, aquele que não abandona o barco e vai até o fim numa batalha. Com aparente simpatia pela liderança democrática de Daenerys, Carolina Tavares reforça que influenciar é diferente de manipular, além de destacar que o checklist é a ferramenta básica de todo bom líder, pessoa não apenas manda, mas planeja, organiza, controla, coordena e executa tarefas.

Diagramado por Rodrigo R. Matias, a publicação da editora Escala traz em suas 150 páginas, informações sobre como a conquista do trono possui forte carga simbólica, algo equivalente ao sucesso nos negócios, tal como afirma o prefácio de Thaizi Morani, docente e palestrante do SENAC, mentora e autora de artigos sobre vendas. Dividido em sete capítulos bem distribuídos e escritos, o livro segue à risca o que afirmou George Martin ao dizer que “cada machucado é uma lição e cada lição nos torna pessoas melhores em algo”. As lições apontadas por Carolina Tavares são coesas, coerentes e retratam questões empresariais que inclusive tornam as nossas práticas cotidianas em outras searas da vida, tais como os relacionamentos interpessoais e domiciliares, quando os temos.

Lições Empresariais de Game of Thrones (Brasil, 2015)
Autor: Carolina Tavares
Editora no Brasil: Escala
Páginas: 150

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13 comentários

A Criatura de Frankenstein 29 de abril de 2019 - 23:49

O Rei da Noite é o mão invisível do mercado.

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Luiz Santi🦎Zilla 29 de abril de 2019 - 23:58

AHAUHAUAHUAHUAHUAHAUHAUAHAUHAUHAUAHAU

EU TO BERRANDO!!!

Responder
Matheus mathinho 29 de abril de 2019 - 08:48

Nossa aí tá zoando, né. O site não tem conselho de redação não? Como publicam uma resenha dessas? Tão se queimando. Qual a próxima, dicas de coaching dos Vingadores?

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Rafa Almeida 29 de abril de 2019 - 19:52

Qual problema com a resenha?

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leodeletras 29 de abril de 2019 - 23:49

Não sabemos bem @rafaalmeida:disqus , segundo o postulado de leitor, supostamente há um critério para as críticas que devem ser veiculadas. Ele não sabe dissociar coach de marketing pessoal, tal como o próprio texto que ele não leu comenta. Meu Deus, cultura da superficialidade a cada dia me surpreende…

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Luiz Santi🦎Zilla 29 de abril de 2019 - 23:22

Oi! Não, não, querido, infelizmente a Marvel não nos pagou os 90 mil dólares para fazermos Especial sobre coaching dos Vingadores. Mas teremos sobre “Coaching do Patati-Patatá” quando Coringa estiver nos cinemas! Fique de olho!

O próximo Especial já pronto será “Como Orientar, Através da Leitura de Harry Potter e a Câmara Secreta, as Aranhas Australianas a Construírem Suas Teias de Modo Diagonal e, Através do Cuidado das Coisas Que Não nos Pertencem, Observar Com Atenção o Propósito do Que Está ao Redor, Deixando aos Donos o Controle de Suas Posses, Tomando Eu Mesmo Conta Daquilo Que Me Pertence“.

Será um artigo em 666 partes, saindo toda segunda, sempre às 14h33.

Em seguida, um Especial sobre “Como Os Editores de Um Site Podem Fazer a Cobertura de Obras Transversais a Uma Série, Sem Publicar Obras Transversais a Uma Série” (em 661,5 partes) e, 66 horas depois, +1 Especial intitulado “Comendo Batata Frita Com os Editores do Plano Crítico“, jornada em 69 partes que entrará no ar toda sexta feira, às 17h17.

Diversão garantida!

Para mais questionamentos sobre a linha editorial do site, pode deixar aqui a sugestão e/ou reclamação com a nossa Amabilíssima D. Rita, que ela anotará tudinho com a esferográfica azul-bebê dela e passará para os Editores. Espero ter esclarecido todas as dúvidas e desejo uma semana iluminada e angelical para você.

Beijos de Luz!

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Gabriel Carvalho 29 de abril de 2019 - 23:22

meu deus do céu, ao vivaço

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Matheus mathinho 29 de abril de 2019 - 23:35

Ironia rasteira porque não aceita críticas a um livro ruim só porque é fã de uma série. E a torcida vai ao delírio

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Luiz Santi🦎Zilla 29 de abril de 2019 - 23:35

Se não aceitássemos críticas seu comentário sequer teria sido aprovado e/ou respondido! A realidade é a prova cabal contra o delírio.

leodeletras 29 de abril de 2019 - 23:49

Estou chocado! Desde quando críticas de livro são selecionadas por gosto? Que comentário mais vago, superficial e pouco (sem tom) intelectual.

leodeletras 29 de abril de 2019 - 23:49

@disqus_HrYi9xZvdi:disqus Meu Deus eu tô gritando!

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Matheus mathinho 29 de abril de 2019 - 23:22

Caraca isso foi uma das coisas mais doídas de passivo-agressividade de serem lidas na vida. Continua escrevendo sobre best-seller mesmo que pegou o tino da coisa.

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Luiz Santi🦎Zilla 29 de abril de 2019 - 23:28

Excelente sugestão! Escreveremos sobre Aranhas Australianas também! ❤ ✍ 📝

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