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Crítica | Liga da Justiça: A Nova Fronteira (2008)

por Luiz Santiago
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estrelas 3

Se considerarmos que até o lançamento de Liga da Justiça: A Nova Fronteira (2008), adaptação da famosa série escrita e desenhada por Darwyn Cooke em 2004, a DC Comics só tinha feito animações — com produção da Warner Bros. Animation — elencando Batman (4 filmes) e Superman (2 filmes), este longa da Liga foi um passo e tanto para a marca, exigindo mais recursos, esforços no roteiro e na qualidade dos desenhos dado o fato de o número de personagens e a variedade de cenários serem bem maiores.

Para a direção foi escalado Dave Bullock, que ao menos neste cargo estava em começo de carreira, tendo assinado alguns episódios da série Big Guy and Rusty the Boy Robot e outro de The Legend of Tarzan, em 2001. Para o roteiro, que teve material adicional e consultoria do próprio Cooke, foi chamado Stan Berkowitz, que já tinha trabalhado como roteirista nas séries SuperboyHomem-AranhaThe New Batman Adventures, Superman, Batman do Futuro e Liga da Justiça, isso só para contar os cartoons exibidos na TV nos anos 90 e início dos anos 2000. Levando em consideração a densidade, o conteúdo histórico e o cânone da DC Presentes em A Nova Fronteira, seria realmente necessário um bom roteirista no projeto.

O primeiro grande desafio era fazer com que uma série extensa coubesse em 1h 15min de filme. Como era de se esperar, algumas liberdades narrativas foram tomadas e pelo menos no começo, elas serviram positivamente ao propósito do longa. Começar com a descrição do Centro, estabelecer a ameaça e daí para frente ir criando a equipe que deveria combatê-la foi uma boa ideia, embora nada original. A base, como vemos, foi a simples criação de uma jornada, infelizmente mais focada da dualidade do mal contra o bem do que nas questões sociais e mesmo nas indicações históricas que Cooke inseriu em seu roteiro. À primeira vista isso não parece muita coisa mas do meio do filme para frente o espectador nota que está o tempo inteiro diante de uma caçada a uma Ilha Viva, e é só isso. O grande propósito de A Nova Fronteira se dilui amplamente nesse meio.

Não é como se o sentimento de urgência e perigo que corre os heróis diante da lei desaparecesse, até porque a animação é consideravelmente bastante fiel ao quadrinho. A sequência do Flash (dublado com grande simpatia por Neil Patrick Harris) aposentando-se em rede nacional; o dilema e prisão do Caçador de Marte (com um tom amigável e imponente na voz de Miguel Ferrer) e a caminhada pessoal, sentimental e encontro com o “propósito de vida” de Hal Jordan (com interpretação talvez alegre demais de David Boreanaz) trazem versões de mundos diferentes que se encontram para defender o mundo, histórias que poderiam até ganhar um melhor afunilamento no roteiro, mas que ao menos nesse sentido não representam grandes problemas. O mesmo já não podemos dizer das mudanças de essência dos personagens.

Pelo menos dois momentos aqui são imperdoáveis. O primeiro é quando temos o foguete tripulado para Marte, com Rick Flagg (interpretado de maneira cínica e impositiva por Lex Lang, exatamente como deveria ser) e Jordan a bordo. A luta entre os dois ali não faz o menor sentido dentro do que a história deveria mostrar, quebrando, inclusive, a essência dos dois personagens e ao mesmo tempo disfarçando-as com um elemento de heroísmo emergencial coberto de patriotismo. A outra cena está mais para o final, quando o Flash retorna à ativa e vai para o Cabo Canaveral ajudar as forças militares e os outros heróis reunidos contra a Ilha Dinossauro. Como ele é recebido? Com armas! Novamente, não faz absolutamente nenhum sentido essa atitude, de nenhum personagem, já que o Flash não representava uma ameaça e o motivo da briga que temos no quadrinho, naquele momento, é banal, exatamente para não colocar tantos heróis em atitude de ameaça verdadeira contra alguém que só queria ajudar.

Em relação à Trindade, temos Jeremy Sisto como Batman, em uma interpretação que acerta em cheio no tom de grave e nos momentos mais plácidos do Morcego, mas não emprega a força que deveria nos momentos mais impetuosos; Lucy Lawless como Mulher-Maravilha, que entrega uma interpretação na medida certa, sendo notável na ótima sequência em que enfrenta o Superman, na Indochina; e por fim, o Azulão, que tem na voz de Kyle MacLachlan a interessante união de tom que demanda atenção imediata das pessoas mas sem ser exatamente agressivo, marcando de maneira ideal os valores representados pelo personagem.

Com um final épico e uma mensagem que acena para a “nova fronteira” do título, a animação deixa o espectador impressionado pelo senso de união que propaga. Embora muita coisa que permitiria uma melhor compreensão deste conceito não tenha sido colocada no filme, a formação da Liga na última cena é a resposta definitiva sobre qual seria a cara deste novo mundo. Uma nova Era de heróis começava. Uma Nova Fronteira.

Liga da Justiça: A Nova Fronteira (Justice League: The New Frontier) — EUA, 2008
Direção: Dave Bullock
Roteiro: Stan Berkowitz (com material adicional e baseado na obra de Darwyn Cooke)
Elenco (vozes de): David Boreanaz, Miguel Ferrer, Neil Patrick Harris, John Heard, Lucy Lawless, Kyle MacLachlan, Lex Lang, Phil Morris, Kyra Sedgwick, Brooke Shields, Jeremy Sisto, Joe Alaskey, Jeff Bennett, Corey Burton, Townsend Coleman, Keith David, Sean Donnellan, Alan Ritchson, Sean Donnellan, Robin Atkin Downes, Shane Haboucha
Duração: 75 min.

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10 comentários

H-Alves 15 de novembro de 2017 - 11:15

Vi esse filme tem uns 6 meses e confesso que não lembro de quase nada. Mas de qualquer gostei da história. Acho que vale uns 3,5.

Uma das coisas que mais gostei é o traço da animação. Tão linda.

A hq é uma história fechada né? Sem precisar ler outras coisas pra entender?

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Luiz Santiago 15 de novembro de 2017 - 13:13

Sim sim, a HQ é uma história fechada. E ela é bem melhor que a animação, vale a pena a leitura!

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Cadê o Yoshi? 16 de novembro de 2017 - 17:48

Mas não seria melhor ter embasamento das eras de ouro e prata das HQs? Eu nunca assisti por achar que não ia entender nenhuma referência.

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Luiz Santiago 17 de novembro de 2017 - 02:08

Melhor, seria. Mas apenas por uma questão de entendimento além do que está sendo posto. Veja, não tem absolutamente NADA aqui que necessite obrigatoriamente de conhecimento prévio. A história se resolve perfeitamente sozinha. Ter conhecimento do material da DC do momento anterior é um bônus, não uma necessidade. Poder ler a história e ver a animação sem medo.

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Cadê o Yoshi? 12 de novembro de 2017 - 04:57

Então eu devo ignorar esse filme e ler só a HQ? (não é uma pergunta retórica)

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Luiz Santiago 12 de novembro de 2017 - 05:21

Não, não, eu acho que a experiência da animação é válida. Não é nem de longe a obra-prima que tanto falam (pelo menos eu não achei), mas é uma boa animação, com umas coisinhas legais e diferentes em relação à HQ que valem a pena conferir.

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Cadê o Yoshi? 12 de novembro de 2017 - 06:21

Ok. Verei se tem na Netflix kkk

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H-Alves 15 de novembro de 2017 - 11:16

Dificilmente. Nunca acho nenhuma animação da dc lá.

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Cadê o Yoshi? 16 de novembro de 2017 - 17:45

Pode não ter TODAS as animações da DC, mas tem a Máscara do Fantasma, um dos melhores filmes do Batman.

H-Alves 30 de novembro de 2017 - 20:35

Acho até que é o primeiro filme né não. Do universo dos desenhos.

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