Crítica | Liga da Justiça vs. Os Cinco Fatais (Justice League vs. the Fatal Five)

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Assim como a animação Batman e Arlequina (2017), este longa Liga da Justiça vs. Os Cinco Fatais (2019) tem como raízes obras anteriores do Universo animado da DC Comics, a saber, a dobradinha de séries Liga da Justiça (2001) e Liga da Justiça Sem Limites (2004). Sob direção de Sam Liu, que também assinou o tortuoso Reino do Superman (2019), o filme exibe uma situação onde o presente e o futuro da Terra são conectados pela ameaça de um poderoso grupo de super-vilões; e também pela força lendária que alguns super-heróis deixaram no decorrer do tempo, tendo aqui dois grandes destaques jovens para compor esta perspectiva: o Star Boy (em boa dublagem de Elyes Gabel) e Jessica Cruz (com um interessante trabalho dramático de Diane Guerrero, a nossa Crazy Jane de Doom Patrol).

A história começa com uma batalha que rapidamente aumenta de proporção, uma luta entre Os Cinco Fatais (três deles, na verdade: Mano, Persuader e Tharok) e três membros da Legião dos Super-Heróis (Ástron, Brainiac 5 e Satúrnia). Já neste momento o espectador percebe a complexidade do Star Boy e é justamente ele quem abre o caminho para que a luta, em algum ponto da narrativa, se torne equilibrada e, no fim, vire positivamente para o lado dos heróis. Também neste momento o roteiro deixa muito claro que estamos lidando com um grupo de inimigos astutos, muito inteligentes em batalha — a dinâmica de grupo dos Cinco Fatais chega a ser melhor que a da Liga da Justiça em boa parte da aventura… falo com tranquilidade — e determinados a alcançar o seu objetivo.

E pensando na missão dos vilões, quando o verdadeiro motivo é revelado, temos um mar anticlimático a considerar. Embora o conceito não seja impossível e não seja a primeira vez que uma missão de resgate amoroso se torna o foco de um grupo de vilões, convenhamos que não é exatamente um excelente motivo para empreender-se uma luta de tal magnitude. Eu concordo que o peso canônico da Imperatriz e do Olho Esmeralda é grande o bastante para justificar a ação, mas nesse caso, se a intenção era a de destacar exclusivamente  a importância da dupla verde nesse Universo, então que o texto seguisse por este caminho, mas não é o que acontece. Temos com todas as letras a justificativa montada em torno de Manos resgatar o seu amor, a Imperatriz. E aí voltamos ao início. Sob essa justificativa, é um princípio anticlimático.

O modelo de animação e a foco no legado dos heróis para o futuro da humanidade nos lembram bastante o episódio Far from Home (2006), de Liga Sem Limites. Aqui, porém, há um maior capricho na criação dos cenários, maior atenção para os detalhes do que acontece no século 31 e até para o humor de transição entre esses dois tempos, vide a sequência inicial do Star Boy na Terra, confuso e procurando remédio. O texto usa do atordoamento do herói para fazer com que ele tome diversos caminhos questionáveis e seja confundido com um maluco que aparece sem roupa em uma farmácia, pedindo uma droga que só existe no futuro. A piada é boa e assim segue o texto até o final, se bem que não existem tantos momentos luminosos neste filme (Kilowog e o próprio Star Boy que o digam).

Mostrando que o heroísmo é um terreno muitíssimo delicado, tanto na aceitação do manto quanto na condução da personalidade até estar em par com a ideia de “salvar o mundo“, esta animação prova que bons laços podem fazer toda a diferença. E que muitas vezes, para que grandes coisas sejam conseguidas, é necessário fazer imensos sacrifícios.

Liga da Justiça vs. Os Cinco Fatais (Justice League vs. the Fatal Five) — EUA, 30 de março de 2019
Direção: Sam Liu
Roteiro: Alan Burnett, Eric Carrasco, James Krieg
Elenco: Diane Guerrero, Tara Strong, Noel Fisher, Matthew Yang King, Kevin Michael Richardson, Elyes Gabel, Tom Kenny, Daniela Bobadilla, George Newbern, Sumalee Montano, Kevin Conroy, Philip Anthony-Rodriguez, Susan Eisenberg, Peter Jessop
Duração: 77 min.

LUIZ SANTIAGO (Membro da OFCS) . . . . Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.