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Crítica | Lilith – Vol. 1: O Sinal do Triacanto

por Luiz Santiago
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Lilith é o tipo de aventura da qual a gente consegue gostar imediatamente. Criada por Luca Enoch (texto e desenho), a saga em 18 volumes acompanha uma jovem chamada Lyca que vive num futuro distópico da humanidade, onde um parasita que hibernou por milênios em diversas linhagens de humanos chega a um ponto chamado de “Grande Germinação”, basicamente o momento em que o parasita acordou, dominando o planeta e condenando os humanos restantes a sobreviverem nos subterrâneos.

O que nos intriga desde o início é o caráter de organização humana que permitiu o treinamento e proteção corporal de Lyca, a nossa heroína. O autor nos dá uma quantidade de informações suficiente para que possamos entender como as coisas funcionam para os humanos nesse futuro (ou pelo menos aqueles que vemos aqui), e aí fica fácil contextualizar o processo que envolve a criação dessa cronoagente que, já neste primeiro volume, adota o nome de Lilith, pois não reconhece mais nela mesma a Lyca que fora um dia.

Lyca deve ser enviada para pontos específicos do passado da humanidade a fim de extrair o parasita triacanto (também conhecido por outros nomes, como dito na introdução do volume, tais como triúnco, espiromorfo, tricúspide, espinoforme, trífido, tridacna e trinácrio) de alguns portadores. A extração, claro, causa a morte desse indivíduo que, infelizmente, nem sempre será uma pessoa má. Isso traz um elemento moral de bastante peso para a história. Conhecemos algumas das lembranças da personagem, no momento de treinamento, e notamos que a questão da morte de inocentes era algo discutido em teoria ali. Na prática, matar um portador do parasita se torna algo bem mais complexo para Lilith.

O complemento de construção para essa personagem vem com o surgimento de um guia-animal, que ela apelida de Escuro. É com ele que ela percorre a região da Anatólia, no final da Idade do Bronze (durante a Guerra de Tróia), período onde essa trama se passa. Ao mesmo tempo em que conhecemos um pouco do futuro da Terra, pelas lembranças da protagonista, nos acostumamos com tudo o que Lilith é capaz de fazer, nos perguntamos como alcançará seu objetivo de encontrar um portador do parasita e vemos com olhos de exploradores a maneira como ela é inserida na sociedade em que chega.

A pesquisa histórica de Luca Enoch é muito precisa e ele trabalha com bastante cuidado o evento principal em jogo, alertando para o fato de que Lilith não pode alterar as coisas que vê, não pode se envolver em nenhum tipo de luta… mas é claro que ela não segue esse mandamento à risca. E é isso que torna a personagem ainda mais interessante. Ela viaja no tempo, tem uma missão sombria e ao mesmo tempo salvadora para a humanidade, mas em muitos momentos age sob um código fora do protocolo. O Sinal do Triacanto é uma aventura que mescla sci fi com misticismo, gore, terror, uma espécie de messianismo, História e distopia. Um conceito fascinante com uma protagonista de peso em cena.

Lilith – Vol. 1: O Sinal do Triacanto (Il Segno del Triacanto) — Itália, novembro de 2008
Roteiro: Luca Enoch
Arte: Luca Enoch
Capa: Luca Enoch
Editora: Sergio Bonelli Editore
No Brasil: Red Dragon Publisher, 2019
128 páginas

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