Crítica | Llanto Por un Bandido (1964)

José Pelagio Hinojosa Cobacho, mais conhecido como “José María, El Tempranillo”, foi um bandolero espanhol que viveu e atuou nas primeiras décadas do século XIX em Serranía de Ronda, na Província de Málaga. Sua vida e jornada de banditismo mais a sua morte digna de um romance político sobrevieram ao tempo e são lembradas até hoje em cenas recreativas e de encenação que ocorrem nas comunidades ao largo de rotas que ele percorreu, onde assaltava carruagens e viajantes desavisados.

Em 1964, o ainda novato diretor Carlos Saura (este foi apenas o seu segundo longa-metragem) trouxe para a grande tela a história de José María, El Tempranillo, num euro western que acabou sendo mais conhecido pela muitíssimo breve participação de Luís Buñuel, logo na cena de abertura, do que por suas próprias qualidades — que convenhamos, não são muitas. No roteiro, escrito por Mario Camus e pelo próprio Saura, vemos a narrativa do surgimento do famoso bandido, os caminhos que o levaram a mudar constantemente de comportamento — tornando-se progressivamente mais violento — e os acordos políticos que acabaram por matar-lhe.

Após a cena inicial de enforcamento, onde o carrasco vivido por Buñuel sequer é mostrado em ação, o espectador tem uma noção bem precisa de como funcionavam as coisas no sul da Espanha, no início do século XIX, tendo o rei deslocado tropas e tentado de todas as formas acabar com a ação dos bandidos na região, investidas que atingiam nobres, pessoas comuns e serviços da corte ou sociais como correios e carroças de mantimentos e acessórios. Claro que o enredo aqui romantiza um pouco essas questões e mesmo que jamais tire o traço político de cena, dá bastante atenção para ‘El Tempranillo’, vivido com muita competência por Francisco Rabal.

Saura não perde a oportunidade de explorar a linha tênue entre tradicionais práticas sociais, religiosas, políticas e comumente opressivas, às vezes colocando a ação dos bandidos como um simples ato de rebeldia em oposição à ordem estabelecida (mais adiante isso será aplicado à presença dos “liberais”) e às vezes jogando com o crime e a infâmia dos bandidos de maneira crua, mostrando os meios-tons em ambos os lados da lei, ao menos no que diz respeito ao comportamento das pessoas. Ao longo dessa jornada temos diversas canções andaluzas entoadas como complemento ou delineação da narrativa, tornando esse faroeste de abordagem biográfica, um pouco romântica e bastante política ainda mais peculiar.

A junção meio atropelada (embora não necessariamente ruim) de gêneros no filme acaba desequilibrando o ritmo em diferentes pontos, ao passo que o roteiro não consegue lidar muito bem com os distintos focos dramáticos, às vezes se esquecendo de personagens e de tramas secundárias enquanto cria uma terceira problemática para mais adiante deixá-la em suspenso. Não se trata, porém, de um filme ruim. Saura já mostrava uma boa mão na composição de quadros (a sequência em que o protagonista posa para um pintor e as cenas de luta são os melhores exemplos disso) e uma veia crítica que já nesses seus primeiros passos como diretor, coloca lado a lado situações familiares ou íntimas espelhando um tempo histórico ou status político do país em que esses indivíduos vivem. Uma assinatura que em pouco tempo traria obras de grande valor para o cinema espanhol e cada vez mais pedras no sapato do franquismo.

Llanto Por un Bandido (Espanha, França, Itália, 1964)
Direção: Carlos Saura
Roteiro: Mario Camus, Carlos Saura
Elenco: Francisco Rabal, Lea Massari, Philippe Leroy, Lino Ventura, Manuel Zarzo, Silvia Solar, Fernando Sánchez Polack, Antonio Prieto, José Manuel Martín, Agustín González, Venancio Muro, Rafael Romero, Luis Buñuel, Antonio Buero Vallejo, Rafael Azqueta, José Hernández, Gabriele Tinti, Ángel Álvarez
Duração: 100 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.