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Crítica | Loki – 1X05: Journey Into Mystery

por Ritter Fan
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  • Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos demais episódios.

Apesar de eu não ser a pessoa mais facilmente impressionável com referências, especialmente nos dias de hoje em que tudo é referência, foi inevitável soltar um “rá” e sorrir de felicidade nerd quando vi os destroços amarelos do Thanoscóptero na Nova York das terras desoladas que é o tal do Vazio, o purgatório para onde todo mundo que é cancelado pela TVA (he, he) é enviado. A Marvel sabe que botões apertar em seu público cativo para nos fazer felizes com bobagens como essa e eu só posso admirar esse pequeno, mas glorioso detalhe em um episódio que é, todo ele, a começar pelo título que referencia a HQ em que tanto Loki quanto Thor aparecerem pela primeira vez em um intervalo de poucos meses, um verdadeiro baú de tesouros.

Nessa linha, somado ao Thanoscóptero e à exploração do sensacional quinteto de Lokis – Velhoki, Kid Loki, ThorLoki, Lokaré e, claro, o nosso Loki, além da ponta do Loki Presidente que dá o ar de sua graça somente para ter sua mão devidamente devorada pelo Lokaré -, é possível ver, ainda, um manancial de outras piscadelas, principalmente Throg (eu quero mais dele!), a inscrição Qeng na Torre dos Vingadores que se conecta, claro, com Kang, basicamente o equivalente ao Mephisto desta série, a nave de Ronan e até mesmo, sem relação com o Universo Cinematográfico Marvel, a aparição do USS Eldridge, destróier americano que teria “desaparecido” de verdade no mitológico Experimento Filadélfia (tem até um filme sobre o assunto, Um Passo para o Futuro, que vale ver!). Ou seja, esse foi, sem dúvida alguma, o mais premiado episódio da série até agora, o que pode trazer desconfianças sobre sua qualidade inerente para além dessa profusão de momentos para fazer o espectador babar.

No entanto, a boa notícia que é Journey Into Mystery é um baita episódio, potencialmente o melhor até agora, pois ele consegue aliar o agradável ao útil sem perder o ritmo, ainda que estabeleça, como já era esperado, uma dinâmica completamente diferente à história depois das revelações de The Nexus Event. Essa nova dinâmica coloca Loki lidando com seus “eus” de outras realidades com o roteiro de Tom Kauffman conseguindo a proeza de contextualizar todos eles, dando espaço até mesmo ao Loki reptiliano e, muito merecidamente, entregando ao veteraníssimo Richard E. Grant um excelente e grandioso momento para seu personagem realizar de verdade seu propósito glorioso e, de quebra, mostrar o nível de poder que os Lokis podem chegar a ter.

Até mesmo o retorno de Mobius funciona muito bem como deus ex machina para Sylvie, dirigindo uma Variant de entrega de pizzas capaz de magicamente achar o Loki de Tom Hiddleston. É aquela convenienciazinha boa, fácil de aceitar em uma série desse tipo e que leva a um bonito momento de despedida entre os agora amigos, com Loki tomando a iniciativa de abraçar Mobius. Não fosse uma leve barriga em que a trama para para Loki e Lady Loki conversarem semi-romanticamente, que, para mim, acabou quebrando um pouco o ritmo, teria dado nota máxima aqui com facilidade.

Mas a trama principal, que não é mais do que um grande, roxo e voraz MacGuffin em forma tempestade chamada Alioth (personagem também retirado dos quadrinhos) que serve de obstáculo para que nossos hérois – ou anti-heróis – encontrem o final boss funciona justamente pela sua simplicidade absoluta que abre oportunidade para o roteiro abordar esse purgatório repleto de Lokis e a relação entre eles e deles com o nosso Loki, havendo tempo até mesmo para que Ravonna Renslayer e B-15 fossem abordadas lá na TVA.  Qualquer coisa mais sofisticada do que “vou enfeitiçar a nuvem malvada com a força do amor” (porque vocês sabem que foi isso que aconteceu no final, não é?) detrairia do todo que é muito mais importante, em termos narrativos, do que abrir a porta para a residência de verão do grande vilão que, ainda espero com todas as minhas forças, seja outro Loki e não um personagem inédito no UCM como Kang.

A escolha pelo obstáculo simples e pela solução mais simples ainda para abrir espaço para as diversas interações e brincadeiras do episódio foi certeira e a direção de Kate Herron acerta novamente, só que, desta vez, em escala épica, com a cineasta acertando em cheio na decupagem e no tempo de exposição de cada personagem, de cada diálogo (ok, com exceção do já citado momento romântico, mas isso é detalhe). Aliás, diria que a premissa de “jornada por região hostil”, aqui, mostrou de forma ainda mais clara o quão claudicante Lamentis foi, potencialmente o único soluço na curta série.

Journey Into Mystery alia divertidas referências com uma história bem contada, além de, novamente, atuações excelentes, valendo destaque para o trabalho de Grant, claro, além do inesquecível Lokaré que para sempre terá lugar em meu coração e que muito bem poderia aparecer no Jet Ski de Mobius nas cenas pós-créditos do derradeiro capítulo. Agora é esperar uma semana para ver quem é que vai aparecer em Oz e revelar-se como o grande vilão. Em quem vocês apostam?

Loki – 1X05: Journey Into Mystery (EUA, 07 de julho de 2021)
Criação e desenvolvimento: Michael Waldron
Direção: Kate Herron
Roteiro: Tom Kauffman
Elenco: Tom Hiddleston, Sophia Di Martino, Owen Wilson, Gugu Mbatha-Raw, Wunmi Mosaku, Eugene Cordero, Tara Strong, Sasha Lane, Cailey Fleming, Jaimie Alexander, Richard E. Grant, Jack Veal, DeObia Oparei
Duração: 49 min.

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