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Crítica | Lon Marum – Povo do Vulcão

por Luiz Santiago
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O Povo no caminho do vulcão”. Assim são chamados os habitantes da vila de Emyotungan (também grafada como Emiotungan ou Meltungon), situada na ilha de Ambrym, parte da Província de Malampa, que é uma das seis províncias de Vanuatu (as outras cinco são Penama, Sanma, Shefa, Tafea e Torba). Situada no Oceano Pacífico, a ilha possui vulcões em intensa atividade nos montes Benbow e Marum, sendo este último o que está ligado à vila aqui documentada.

Nesta produção realizada para a TV em 2012, numa parceria de Tuvalu com Tailândia, Austrália e França, conhecemos um pouco da relação desse povo com o vulcão, a crença e a magia que eles atribuem ao Monte e às erupções, e a forma como o cotidiano na vila vem mudando com o passar dos anos devido às relações mais intensas do país com nações desenvolvidas.

A interação das paisagens com o modo de vida e cultura dos nativos recebe uma abordagem simples aqui, mas pelo menos em termos de apresentação do objeto de estudo, bastante funcional. A direção não arrisca e a forma não adota nenhum caminho diferente além da exibição dos mais diversos espaços naturais, relatos de chefes religiosos contando histórias dos deuses e dos ancestrais ou cenas do cotidiano na ilha, como o momento de um culto cristão, os desenhos místicos feitos no solo negro por um morador e a forma como esses indivíduos lidam com as adversidades geradas pelo vulcão.

O que irrita bastante o espectador é o desrespeito da equipe de vulcanologistas que não dão ouvidos aos habitantes locais, desprezam os pedidos para que retirem seus equipamentos e assumidamente desconhecem qualquer coisa relacionada à cultura daquele povo. Um deles chega a dizer que “não é o fim do mundo” o que estão fazendo, como se chegar em uma terra estrangeira, desrespeitar os nativos, colocar máquinas num território sagrado para os locais e sequer dialogar com os afetados pelo desrespeito não fosse nada demais. Algo realmente deplorável.

Os limites entre o “ensaio” e a demonstração orgânica da vida nativa são rompidos aqui o tempo inteiro, algumas vezes incomodando mais do que outras. De toda forma, o objetivo da obra é cumprido, trazendo inúmeras reflexões antropológicas, principalmente aquelas que pensam o contato e registro de uma cultura para o cinema, e a pergunta fica: até onde é válido ou possível avançar no contato com um povo que luta para preservar o pouco das tradições que ainda lhes restam?

Lon Marum – Povo do Vulcão (Lon Marum – People of the Volcano) – Vanuatu, Tailândia, Austrália, França, 2012
Direção: Soraya Hosni, Philip Talevu
Roteiro: Soraya Hosni, Philip Talevu
Elenco: Habitantes da Vila de Emiotungan (Vanuatu)
Duração: 48 min.

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