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Crítica | Long Weekend (1978)

por Leonardo Campos
92 views (a partir de agosto de 2020)

Transformado em cult com a passagem do tempo, Long Weekend é um filme pouquíssimo conhecido, mas com uma estrutura minimalista bem peculiar, narrativa do segmento horror ecológico com toques diferenciados do convencional, isto é, o habitual ataque, seguido de mortes, etc. Dirigida por Colin Eggleton e escrita por Everett De Roche, a produção de 1978 é parte do movimento intitulado ozploitation, era da profusão de filmes de ação, comédia e terror realizados na Austrália após o estabelecimento da Categoria R de classificação para os filmes, estabelecida em 1971, era da censura ferrenha aos produtos considerados moralmente ofensivos e proibitivo para determinadas faixas etárias. Em seu primeiro roteiro, De Roche tentou realizar algo que não fosse como Tubarão, com um animal assassino. A ideia era situar os personagens dentro de uma história com animais benignos, vingativos diante da ação humana. Algumas criaturas não são reais, mas criadas pela equipe de efeitos especiais, supervisionada por Ivan Durrant, seres da natureza que vão protagonizar uma revertida “revolução dos bichos”.

Ao longo de seus 97 minutos, acompanhamos a trajetória de um casal rumo ao divórcio. Marcia (Briany Beheto) e Peter (John Hargreaves) buscam o isolamento durante um final de semana, tendo em vista salvar o casamento fracassado. Ela não está energizada o suficiente para a aventura, mas ele acha que será uma boa oportunidade de rever algumas questões. Durante a travessia para chegar ao litoral e curtir os prazeres da natureza, eles percorrem um caminho de destruição. Peter joga um cigarro pela janela e provoca um incêndio, atropela um canguru na estrada, ações que motivam uma inicialmente alegórica, mas furiosa retribuição da natureza assim que eles montam a cabana e acampam na praia. Marcia também é destrutiva: joga uma lata de inseticida num formigueiro, além de não ficar pasma com Peter derrubando uma árvore.

Ao usar o machado com força, numa cena bastante simbólica, ele alega que ceifou o tronco da árvore apenas porque queria. Com seu rifle, ele sai apontando para todos os lados possíveis, como um imperador diante do desejo de destruição da natureza que começa, mais vertiginosamente, a dar seus sinais de desagrado com a presença do casal. Ele inclusive atira numa criatura marinha que ronda a praia, achando que o bicho é um tubarão. Mais uma vez a esposa o questiona e ele diz que matou, mas “por que não?”, ou seja, a aleatoriedade toma conta das ações e a dupla paga um preço bem caro por suas atitudes que simbolizam o próprio casamento, isto é, a destruição mútua, o descuido, a sensação sádica em machucar o outro, etc. Uma águia, ao estilo Os Pássaros, surge do céu para cobrar os ovos destruídos de seu ninho, dentre outras criaturas que se juntam para, aos poucos, fazê-los pagar a dívida.

Esse espetáculo de horror é orquestrado por Colin Eggleton e se apresenta diferente por investir mais na carga psicológica e trazer dois campistas que estão longe do ideal de jovens felizes numa aventura de final de semana. Eles são vítimas da própria situação, mas naturalizaram a destruição interna para um conjunto de agressivas ações externas, repletas de consequências. Cheio de cores intensas e com estilo bem anos 1970, Long Weekend contou com uma ótima direção de fotografia, assinada por Vincent Monton, setor preso aos detalhes, minucioso na construção da narrativa que peca apenas no ritmo lento e na falta de mais empenho emocional dos personagens. Creio, no entanto, que tenha sido essa a estratégia narrativa dos realizadores, algo diferente dos habituais filmes do segmento horror ecológico, geralmente agitados e cheios de excessos. Destaque também para a trilha sombria de Michael Carlos (com violoncelos aguçados, teclados e sintetizadores) e o eficiente design de som de Peter Burgess, setor que investe nos animais em segundo plano, discretos numa expressão sonora entre um ponto e outro da narrativa, isto é, sempre onipresentes.

Long Weekend — Austrália, 1978
Direção: Colin Eggleston
Roteiro: Everett De Roche
Elenco: John Hargreaves, Briony Behets,  Mike McEwen, Roy Day,  Michael Aitkens, Sue Kiss von Soly
Duração: 92 min.

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