Home TVEpisódio Crítica | Lucifer – 1X03: The Would-Be Prince of Darkness

Crítica | Lucifer – 1X03: The Would-Be Prince of Darkness

por Ritter Fan
157 views (a partir de agosto de 2020)

estrelas 2,5

Obs: Há potenciais spoilers. Leia as críticas dos demais episódios, aqui.

O terceiro episódio de Lucifer efetivamente bate o martelo no estilo da série. É um procedural com caso da semana descarado, sem qualquer tentativa de disfarce. Portanto, é pegar ou largar.

Particularmente, continuo defendendo que, para uma série do tipo – que confessadamente considero “menor” – Tom Ellis no papel-título e os diálogos dos roteiros mostram-se consistentemente superiores a seus  pares. Uma vez que o espectador tenha aceitado a estrutura, resta relaxar e divertir-se com as tiradas ferinas, as ironias, os double-entendres de Lucifer e também seus problemas existenciais e sua inevitável caminhada na direção da “luz”.

Dito isto, The Would-Be Prince of Darkness é um episódio não mais do que mediano. Seu caso da semana, envolvendo a morte de uma moça responsável por desvirginar o celibatário jogador de futebol americano Ty Huntley (Redaric Williams) durante uma festa, é desinteressante e mais do que óbvio. Mesmo que concluamos que essas historinhas funcionam apenas como veículo para se observar os dilemas do diabo e sua aproximação da policial Chloe Decker, que é um enigma para ele, elas deveriam ganhar estofo para serem minimamente memoráveis. Afinal de contas, se a série será pautada em whodunits semanais, nada mais justo do que a observância de algumas regrinhas básicas como, por exemplo, tornar mais crível a presença constante de Lúcifer nas cenas do crime (no mínimo como suspeito) e desenvolver os vilões (e os aparente vilões) sem transformá-los em clichês ambulantes do que exatamente eles são, faltando apenas uma seta luminosa piscando acima do personagem com “culpado” ou “inocente” em letras garrafais. Seria mais divertido se os casos carregassem algum grau de complexidade e não pistas falsas escritas por roteiristas de primeira viagem.

Mas, para não dizer que não há um “algo mais”, a sub-trama que dá o título ao capítulo é divertida e inusitada, com Lúcifer descobrindo que alguém vem se fazendo passar por ele em Los Angeles. O ultraje do diabo é o melhor do episódio, especialmente quando Maze se diverte com a desgraça de seus mentor. É uma pena, porém, que essa narrativa não só seja pouco desenvolvida, como acabe de maneira anti-climática e simplista. O desapontamento de Maze com a atitude (ou a falta de atitude) de Lúcifer refletiu o meu nesse ponto.

Mesmo com problemas na estrutura macro, a condução de Joe Henderson e o desenvolvimento de Tom Kapinos fica evidente pela unicidade do tratamento do personagem principal. É como se todo o esforço fosse focado em Lúcifer ao ponto de o resto ser só mesmo floreio inconsequente. O problema é que não parece haver material suficiente para que a narrativa continue dessa forma. Reparem que nem mesmo Amenadiel apareceu aqui, o que dá a entender um certo distanciamento do conflito Céu vs Inferno e, com isso, um pedaço interessante da série é esquecido. Claro, foi apenas um episódio sem o anjo vindo para tentar convencer seu irmão caído a voltar ao inferno, mas, no lugar de Henderson se aprofundar nisso, ele foge completamente do assunto, passando uma mensagem truncada sobre a série que deveria ser mais do que uma comédia policial com dois parceiros improváveis.

Por outro lado, o relacionamento de Lúcifer com a Dra. Linda Martin (Rachael Harris), tanto do lado amoroso-casual quanto do lado paciente-analista ganha um pouco mais de relevo. As conclusões de Linda sobre as dúvidas de Lúcifer são interessantes muito mais porque nós sabemos que ele é mesmo quem diz ser do que pela filosofia da questão (afinal, o diabo tendo que lutar contra seu próprio demônio interior pode até ser irônico, mas é de uma obviedade de revirar os olhos). Existe um potencial por trás dessa linha narrativa que poderia ser tratado como a versão rasa, boba, mas divertida do mesmo tipo de relacionamento que marcou a fantástica série Família Soprano entre Tony Soprano e a Dra. Jennifer Melfi. Duvido, porém, que Lucifer ganhe esse tipo de complexidade.

The Would-Be Prince of Darkness fica ali na marca do apenas mediano, perigosamente resvalando no medíocre. Há material para a série deslanchar, mas a coragem que detectei e aplaudi no episódio piloto está cada vez mais tímida, mais diluída. Espero que Henderson saiba dar a volta por cima e fazer jus ao personagem e à atuação inebriante de Tom Ellis.

Lucifer – 1×03: The Would-Be Prince of Darkness (Idem, EUA – 08 de fevereiro de 2016)
Desenvolvimento: Tom Kapinos (baseado em personagem criado por Neil Gaiman, Sam Keith e Mike Dringenberg)
Showrunner:  Joe Henderson
Direção: Louis Milito
Roteiro: Jason Ning, Jenn Kao
Elenco principal: Tom Ellis, Lauren German, Kevin Alejandro, D.B. Woodside, Lesley-Ann Brandt, Scarlett Estevez, Rachael Harris, AnnaLynne McCord
Duração: 43 min.

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16 comentários

Luiz Santiago 9 de abril de 2016 - 22:40

O jeito que ele fica quando descobre que tem alguém roubando a identidade dele me fez gargalhar. Essas tiradas, como você colocou na crítica, não mesmo sensacionais. Adoro os diálogos dessa série. E a atuação de Tom Ellis, OMG, é demais.

Eu tava esperando a forma como ele ia influenciar as pessoas e mostrar outras “poderes”. Foi interessante ver algumas variações disso aqui nessa episódio. Mesmo sendo um episódio mediano, estou figado. Continuo, e continuo com gosto!

Responder
planocritico 10 de abril de 2016 - 00:05

@luizsantiago:disqus, Ellis e os diálogos da série valem todo o esforço de vê-la. Mas o mais bacana é que a coisa vai realmente começar a melhor a partir do próximo episódio! Prepare-se!

Abs,
Ritter.

Responder
planocritico 10 de abril de 2016 - 00:05

@luizsantiago:disqus, Ellis e os diálogos da série valem todo o esforço de vê-la. Mas o mais bacana é que a coisa vai realmente começar a melhor a partir do próximo episódio! Prepare-se!

Abs,
Ritter.

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Luiz Santiago 11 de abril de 2016 - 14:23

Acabei de ver. Oh, Senhor! Já já comento lá!

Responder
Luiz Santiago 11 de abril de 2016 - 14:23

Acabei de ver. Oh, Senhor! Já já comento lá!

Responder
Luiz Santiago 9 de abril de 2016 - 22:40

O jeito que ele fica quando descobre que tem alguém roubando a identidade dele me fez gargalhar. Essas tiradas, como você colocou na crítica, não mesmo sensacionais. Adoro os diálogos dessa série. E a atuação de Tom Ellis, OMG, é demais.

Eu tava esperando a forma como ele ia influenciar as pessoas e mostrar outras “poderes”. Foi interessante ver algumas variações disso aqui nessa episódio. Mesmo sendo um episódio mediano, estou figado. Continuo, e continuo com gosto!

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jcesarfe 13 de fevereiro de 2016 - 15:32

O episódio foi um dos piores, mas a série é muito boa, apesar dessa estrutura chata de caso da semana e a insistência absurda de não desconfiarem do cara estar perto de tantos crimes.

Responder
planocritico 13 de fevereiro de 2016 - 22:54

O problema é que esse episódio foi solto demais. Espero que o próximo no mínimo volte a citar o arco maior com Amenadiel.

Abs,
Ritter.

Responder
Leonardo Sette Pinheiro 13 de fevereiro de 2016 - 14:16

O episódio é engraçado, Lúcifer deste episódio é melhor que do anterior exceto na parte de seu sósia que eu acho que ele poderia ter avançado mais.

O que acho legal é que a serie mostra o lado justo do Lúcifer o qual quer punir quem merece e não qlq um q venha, é uma aposta ousada isso…muito lawful evil hehehehe.

Os showrunners deviam arriscar mais, já que ta no inferno abrace o …Tom Elis

Responder
planocritico 13 de fevereiro de 2016 - 22:55

@leonardosettepinheiro:disqus, você definitivamente gostou mais do que eu. Mas eu concordo que tem muita coisa interessante e que o showrunners só precisa largar o pudor e mergulhar de cabeça nos conflitos satânicos do protagonista.

Abs,
Ritter.

Responder
Capitão Frio 13 de fevereiro de 2016 - 10:53

Escolho largar. Realmente uma pena…

Responder
planocritico 13 de fevereiro de 2016 - 22:56

Uma pena, mas entendo perfeitamente. No entanto, se você continuar acompanhando minhas críticas pelo menos, descobrirá se a série vai melhorar ou não. Aí, quem sabe você não volta?

Abs,
Ritter.

Responder
Capitão Frio 13 de fevereiro de 2016 - 23:46

Ah claro, isso sempre. Contando os dias pra Better Call Sall… E Agent Carter começo amanhã…

Responder
planocritico 13 de fevereiro de 2016 - 23:53

Ahhhh, Better Call Saul… Finalmente verei algo realmente adulto, denso, bem fotografado e inteligente para variar… As críticas sairão aqui toda quarta-feira!

Abs,
Ritter.

Responder
Capitão Frio 14 de fevereiro de 2016 - 02:49

Bem fotografado aaaahh… que saudades… que visual maravilhoso…

É como você disse em uma crítica da qual não me recordo agora, “a televisão não pode ficar sem Vince Gilligan”.

Obs: “As críticas positivas sairão toda quarta-feira!”

planocritico 14 de fevereiro de 2016 - 16:54

@capitofrio:disqus, eu sinceramente duvido que Gilligan seja capaz de fazer porcarias. Portanto, sim, provavelmente serão as críticas positivas de toda quarta-feira… HAHHAHAAHAHAHHAHA

Abs,
Ritter.

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