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Crítica | Lucifer – 1X11: St. Lucifer

por Ritter Fan
252 views (a partir de agosto de 2020)

estrelas 4

Obs: Há potenciais spoilers. Leiam as críticas dos demais episódios, aqui.

Sem fazer rodeios, depois de uma semana de hiato após Pops, um episódio não mais do que mediano, Lucifer volta à forma com St. Lucifer, que volta fortemente a abordar a narrativa principal da série usando seu caso da semana como veículo para alcançar esse fim. E, sendo um capítulo especialmente voltando para seu protagonista e sua descoberta de que fazer o bem também tem seus prazeres, o espaço para diálogos sensacionais é aberto mais uma vez, com um trabalho excepcional de Sheri Elwood e David McMillan nesse fronte, com direito até à citações de O Diabo Veste PradaO Poderoso Chefão.

O assassinato da vez é do ex-jogador de basquete Tim Dunlear que, depois de uma vida desregrada, partiu para a filantropia. Claro que a vítima convenientemente espelha a exata situação do anjo caído e Lúcifer, sem titubear, vê aí um veio para explorar, passando a adotar uma postura mais santificada – daí o título -, recusando-se até mesmo a usar seu poder de fazer as pessoas revelarem seus mais íntimos desejos. Tudo que o diabo quer é replicar a sensação que sentiu ao não se aproveitar da fragilidade alcoólica de Chloe ao final do episódio anterior para levá-la para cama, situação essa que é muito bem explorada logo na abertura de St. Lucifer, para ótimo efeito. Ou seja, ele com certeza faz o bem, mas sua razão para assim agir não poderia ser mais egoísta.

A inversão de papeis é muito interessante. De um lado, Lúcifer realmente se mostra bem intencionado e sua parceira, desesperada por informações, não se conforma que ele não usa a “hipnose” dele, acabando ela mesmo agindo como o diabo  quando inteligentemente aborda o advogado da fundação do falecido. Com isso, o episódio consegue surpreender também no “caso da semana” que é trabalhado em duas frentes quase que totalmente separadas, ainda que tangenciais, com um clímax que recria as famosas resoluções expositivas de mistérios e assassinatos que Agatha Christie costumava empregar em seus romances detetivescos.

Em meio ao mistério, a trama catalisada por Amenadiel ao reviver Malcolm para mandar Lúcifer de volta ao inferno chega a seu ponto mais alto, com o protagonista lidando com sua própria mortalidade em situação de literal vida e morte, algo que acaba levando à conclusão de que sua mortalidade está, na verdade, intimamente ligada com a presença física de Chloe, que é potencialmente mais do que parece ser, mesmo que ela não faça ideia disso ainda. Mais até do que isso, parece que os dois se completam, cada um mostrando ao outro sua faceta mais frágil em um elemento potencialmente sobrenatural que pode ter desdobramentos interessantes nos dois episódios finais.

A temática de inversão de papeis também é aplicável a Amenadiel em contraste a Lúcifer, pois o emissário divino, que já vinha se comportando como o diabo, intensifica a questão ao deixar-se seduzir por Maze (não há como culpá-lo, porém, verdade seja dita…) que passa a atuar como agente dupla. Esse é outro aspecto da narrativa que parece armar o fim da temporada potencialmente com mais uma demonstração das habilidades mortais do braço direito do diabo, como vimos em Manly Whatnots (contra Amenadiel) e em Sweet Kicks (contra uma gangue mexicana).

Como já se tornou tradição na série (sim, mesmo com apenas 11 episódios, já é possível chamar de tradição), a música diegética ganha muito destaque, desta feita com Lúcifer servindo de crooner em um jantar beneficente e, no processo, encantando todos os presentes além dos espectadores, lógico. Ellis mostra toda sua versatilidade mais uma vez e comanda a cena ao ponto de eu ter pessoalmente me irritado com a interrupção pelo amante do falecido mesmo reconhecendo que ela funcionou dramaticamente. Aqui é interessante notar como Joe Henderson, o showrunner, parece confortável com essa maneira inusitada de tornar sua série fora do comum. Em mão menos hábeis, esses momentos melódicos ou nem mesmo existiriam ou seriam marretados na estrutura narrativa sem qualquer sofisticação, algo que definitivamente não acontece em St. Lucifer e em todos os demais episódios até agora que recorreram a esse artifício.

Em princípio, as cartas estão na mesa. Amenadiel foi traído tanto por Malcolm quanto por Maze e Lúcifer descobriu algo sobre si mesmo e sobre Chloe que pode render bons frutos. Os dois episódios finais provavelmente mergulharão nessas situações, mantendo a série focada em seu arco maior, o que é sempre boa notícia.

P.s.: Durante o hiato da série, a Fox anunciou que ela foi renovada para uma segunda temporada. Abençoada seja a produtora!

Lucifer – 1×11: St. Lucifer (Idem, EUA – 11 de abril de 2016)
Desenvolvimento: Tom Kapinos (baseado em personagem criado por Neil Gaiman, Sam Keith e Mike Dringenberg)
Showrunner:  Joe Henderson
Direção: Mairzee Almas
Roteiro: Sheri Elwood, David McMillan
Elenco principal: Tom Ellis, Lauren German, Kevin Alejandro, D.B. Woodside, Lesley-Ann Brandt, Scarlett Estevez, Rachael Harris, AnnaLynne McCord, Kevin Rankin
Duração: 44 min.

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22 comentários

Erico Neto 18 de abril de 2016 - 09:08

Mas me veio a dúvida, se a Chloe tem influencia na imortalidade de Lucifer, pq no primeiro episódio onde ele toma vários tiros e mesmo debruçado sobre ela ele não sangra e nem sente nada?

Responder
planocritico 18 de abril de 2016 - 15:33

@erico_neto:disqus, mistério da meia-noite… Não sei como explicarão isso não… Presumo que descobriremos em breve… Ou não…

Abs,
Ritter.

Responder
planocritico 18 de abril de 2016 - 15:33

@erico_neto:disqus, mistério da meia-noite… Não sei como explicarão isso não… Presumo que descobriremos em breve… Ou não…

Abs,
Ritter.

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Stella 18 de abril de 2016 - 16:01

É uma hipótese minha mais pode ser que ela seja descendente dos anjos Nefilins que copularam com humanos , será? Ou apenas um plano de ”Deus” para Lúcifer se tornar um humano e ser feliz.Mais to mais confiante na hipótese de que ela é descendente de anjos .kkkkkk

Responder
Stella 18 de abril de 2016 - 16:01

É uma hipótese minha mais pode ser que ela seja descendente dos anjos Nefilins que copularam com humanos , será? Ou apenas um plano de ”Deus” para Lúcifer se tornar um humano e ser feliz.Mais to mais confiante na hipótese de que ela é descendente de anjos .kkkkkk

Responder
planocritico 18 de abril de 2016 - 17:13

Pode ser, @disqus_9KZLz8G0wg:disqus, mas a questão é: como a proximidade dela com Lúcifer no começo não o fez ficar mortal quando ele foi baleado e isso só passou a acontecer depois?

Abs,
Ritter.

Responder
planocritico 18 de abril de 2016 - 17:13

Pode ser, @disqus_9KZLz8G0wg:disqus, mas a questão é: como a proximidade dela com Lúcifer no começo não o fez ficar mortal quando ele foi baleado e isso só passou a acontecer depois?

Abs,
Ritter.

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Stella 18 de abril de 2016 - 17:37

Talvez porque anteriormente ele nao tinha convivência com ela foi o primeiro encontro ainda, com o passar do tempo sempre estando juntos os ”poderes” dela começaram a surgir efeito sobre ele.

Stella 18 de abril de 2016 - 17:37

Talvez porque anteriormente ele nao tinha convivência com ela foi o primeiro encontro ainda, com o passar do tempo sempre estando juntos os ”poderes” dela começaram a surgir efeito sobre ele.

planocritico 19 de abril de 2016 - 12:56

Sim, pode ser. Vamos ver o que acontece.

Abs,
Ritter.

planocritico 19 de abril de 2016 - 12:56

Sim, pode ser. Vamos ver o que acontece.

Abs,
Ritter.

Darth Catra 18 de abril de 2016 - 20:55

Acho que o demorou um tempo até o “poder” dela fazer efeito, já que só foi acontecer no quarto episódio.

Responder
Darth Catra 18 de abril de 2016 - 20:55

Acho que o demorou um tempo até o “poder” dela fazer efeito, já que só foi acontecer no quarto episódio.

Responder
planocritico 19 de abril de 2016 - 12:56

Vamos ver como é que o roteiro explica isso…

Abs,
Ritter.

Responder
planocritico 19 de abril de 2016 - 12:56

Vamos ver como é que o roteiro explica isso…

Abs,
Ritter.

Responder
Erico Neto 18 de abril de 2016 - 09:08

Mas me veio a dúvida, se a Chloe tem influencia na imortalidade de Lucifer, pq no primeiro episódio onde ele toma vários tiros e mesmo debruçado sobre ela ele não sangra e nem sente nada?

Responder
Régis Valker 17 de abril de 2016 - 15:37

Episodio sensacional de verdade!!
OO serie que ta boa viu….
So queria saber uma coisa, a maze é o que? um cão do inferno?

Responder
planocritico 18 de abril de 2016 - 15:36

@rgisvalker:disqus, nos quadrinhos ela é uma “demônia” descendente de Lilith (a primeira “demônia” na mitologia judaica e islâmica), braço direito e amante de Lúcifer. Pelo andar da carruagem, parece-me que na série ela é a mesma coisa.

Abs,
Ritter.

Responder
planocritico 18 de abril de 2016 - 15:36

@rgisvalker:disqus, nos quadrinhos ela é uma “demônia” descendente de Lilith (a primeira “demônia” na mitologia judaica e islâmica), braço direito e amante de Lúcifer. Pelo andar da carruagem, parece-me que na série ela é a mesma coisa.

Abs,
Ritter.

Responder
Régis Valker 17 de abril de 2016 - 15:37

Episodio sensacional de verdade!!
OO serie que ta boa viu….
So queria saber uma coisa, a maze é o que? um cão do inferno?

Responder
Luiz Santiago 17 de abril de 2016 - 11:04

Quero denunciar aqui que Lucifer foi USURPADA de mim!!! Eu ia fazer essa crítica mas alguém, que não vou dizer quem, fez correndo e publicou… tsc tsc tsc. O diabo de espera no inferno… 😀

Puta episódio sensacional, hein! A inversão de papeis, mesmo ao “estilo diabo” foi realmente bacana e trouxe uma leitura interessantíssima para o que é a bondade.

Como você me irritei com a interrupção do momento musical. Tom Ellis segura essas cenas como ninguém, ô diabo simpático do canhão! E canta bem, o capiroto!

Agora vamos ver o fim que a moeda vai ter e se Deus vai ficar bravo com Amenadiel por cair — bendito seja ele!!! — nos encantos da maravilhosa Maze….

Responder
Luiz Santiago 17 de abril de 2016 - 11:04

Quero denunciar aqui que Lucifer foi USURPADA de mim!!! Eu ia fazer essa crítica mas alguém, que não vou dizer quem, fez correndo e publicou… tsc tsc tsc. O diabo de espera no inferno… 😀

Puta episódio sensacional, hein! A inversão de papeis, mesmo ao “estilo diabo” foi realmente bacana e trouxe uma leitura interessantíssima para o que é a bondade.

Como você me irritei com a interrupção do momento musical. Tom Ellis segura essas cenas como ninguém, ô diabo simpático do canhão! E canta bem, o capiroto!

Agora vamos ver o fim que a moeda vai ter e se Deus vai ficar bravo com Amenadiel por cair — bendito seja ele!!! — nos encantos da maravilhosa Maze….

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