Home TVEpisódio Crítica | Lucifer – 2X02: Liar, Liar, Slutty Dress on Fire

Crítica | Lucifer – 2X02: Liar, Liar, Slutty Dress on Fire

por Ritter Fan
193 views (a partir de agosto de 2020)

estrelas 4

Obs: Há potenciais spoilers. Leiam as críticas dos demais episódios, aqui.

Depois de um recomeço para lá de morno, Lucifer rapidamente volta à sua forma com o hilário Liar, Liar, Slutty Dress on Fire em que a relação do Lorde do Inferno com sua mãe ganha os holofotes. E Tricia Helfer, que já havia encarnado papel sensual com fortes pitadas de manipulação e traição quando fez a Número Seis no reboot de Battlestar Galactica, é a perfeita escalação para viver a ex-esposa de Deus e mãe de Lúcifer, Amenadiel e mais um punhado de anjos que ainda não conhecemos na série.

Sua dramática aparição ao final do episódio anterior, com seu filho ao piano (algo que nos remete diretamente à Battlestar Galactica, aliás), ganha contornos muito bem estruturados no esperto roteiro de Ildy Modrovich, que consegue criar mistério e dúvida até o finalzinho, quando vemos o sorrisinho maroto de “mamãe” olhando diretamente para a câmera em um plongée que coloca o espectador no papel de Deus. É a mensagem que precisamos para aguardarmos uma potencialmente muito interessante 2ª temporada.

O uso de flashbacks dinâmicos que revelam o “pinga pinga” da versão incorpórea de “mamãe” até acabar em uma loira com um fura-gelo enfiado na nuca desnorteia o espectador completamente, surpreendendo-nos com um começo que, nos primeiros segundos, não se encaixa em nada com a chegada da personagem na boate Lux. Aos poucos, porém, por intermédio da atabalhoada e nervosa investigação empreendida por Lúcifer para saber o que sua mãe havia feito para chegar até ele, descobrimos que o corpo que ocupa é o de uma advogada do mais alto gabarito chamada Charlotte, que sumira.

Como é de praxe na série, o caso em si não é exatamente importante e descobrir quem teria assassinado Charlotte é o que menos importa na engrenagem. Mas, aqui, a grande verdade é que, como Tricia Helfer está no elenco fixo da série (pelo menos da 2ª temporada) e seu papel é de uma Charlotte que serve de hospedeira para a forma desencarnada da ex-mulher de Deus (Deusa?), resta saber se ela viverá uma vida dupla, parte advogada (ou tentando ser uma advogada), parte “mamãe”. Afinal, o final do episódio estabelece que Charlotte não morreu para fins humanos e sua volta ao escritório, em tese, seria o caminho natural para afastar eventuais dúvidas nos humanos.

Seja qual for o plano de Joe Henderson para a personagem, uma coisa ficou absolutamente clara: Tom Ellis e Tricia Helfer têm química perfeita. A hesitante e complicada nova dupla formada na série rende momentos antológicos, como o que dá título ao episódio, em que Charlotte usa um dos vestidos de “periguete” de Maze e novamente enlouquece o espectador com sua beleza estonteante ao mesmo tempo em que cria situações para lá de embaraçosas para seu filhinho… E, falando em Maze, Modrovich dá nova relevância à personagem, agora semi-independente de Lúcifer, mas desejosa de terminar seu trabalho de tortura com a mãe do demônio.

Separado da história principal, vemos Amenadiel perdendo seus poderes, algo que começara no episódio anterior ainda de forma discreta. O que exatamente aconteceu com ele, que nem mesmo mais responde às “ligações” de seu irmão e não sabe que sua mãe já foi encontrada? A perda das penas de suas asas dá a entender que Deus o renegou, mas parece haver algo mais por trás disso tudo, já que foi o próprio Todo Poderoso que colocou os dois atrás de sua ex-mulher.

O episódio, porém, peca na insistência em se usar uma trama policialesca com a presença constante de uma Chloe completamente deslocada como pano de fundo narrativo. A escolha narrativa se deu, claro, para que a estrutura dos episódios da série se mantivesse, mas creio que um desvio completo do usual teria sido mais sadio. Chloe e seu ex-marido Dan não têm o que fazer aqui e ganham funções substancialmente irrelevantes, quase como figurantes de luxo. Imaginem como teria sido excepcional se a dinâmica Ellis-Helfer e até mesmo a trinca Elli-Helfer-Brandt fossem exploradas por mais tempo, sem necessidade de se perder tempo com o restante do elenco. Afinal, para resolver o “caso da semana”, as ações de Lúcifer já foram mais do que suficientes e Chloe e Dan acabaram redundantes.

Mas o melhor do episódio é que os afiados diálogos de duplo sentido estão de volta com força total. Modrovich tem ritmo e uma verve ferina, algo que ele já havia mostrado em #TeamLucifer e Louis Milito, que dirigira The Would-Be Prince of Darkness, revela que, tendo bom material em mãos, sabe como usar a câmera para contar sua história. Aliás, Milito trabalha muito bem a cadência do episódio desde os atordoantes momentos iniciais até o delicioso diálogo final e a já mencionada câmera de cima focando no sorriso diabólico de Helfer que claramente passa a mensagem de que seu plano para derrubar seu ex-marido está apenas começando…

Liar, Liar, Slutty Dress on Fire é, sem sombra de dúvidas, o efetivo primeiro episódio da 2ª temporada de Lucifer. Estão presentes todos os ingredientes que fazem da série o que ela surpreendentemente mostrou ser na temporada anterior, com a vantagem de apresentar uma trama com mais potencial ainda.

Lucifer – 2×02: Liar, Liar, Slutty Dress on Fire (Idem, EUA – 03 de outubro de 2016)
Desenvolvimento: Tom Kapinos (baseado em personagem criado por Neil Gaiman, Sam Keith e Mike Dringenberg)
Showrunner:  Joe Henderson
Direção: Louis Milito
Roteiro: Ildy Modrovich
Elenco principal: Tom Ellis, Lauren German, Kevin Alejandro, D.B. Woodside, Lesley-Ann Brandt, Scarlett Estevez, Rachael Harris, Tricia Helfer, Aimee Garcia
Duração: 44 min.

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16 comentários

Luiz Santiago 16 de outubro de 2016 - 15:10

Que episódio sensacional!!! E QUE MULHER!!! QUE MULHERES!!! Maze e a “mãe-diaba” juntas… ai ai…

É excelente a dinâmica entre os protagonistas. Os momentos cômicos são fodásticos. Me diverti demais nesse episódio. E em defesa do bloco com a Chloe: talvez fosse uma forma de salientar a linha do conflito mãe-e-filho, já que tem aquela coisa da educação com a filha.

Responder
Luiz Santiago 16 de outubro de 2016 - 15:10

Que episódio sensacional!!! E QUE MULHER!!! QUE MULHERES!!! Maze e a “mãe-diaba” juntas… ai ai…

É excelente a dinâmica entre os protagonistas. Os momentos cômicos são fodásticos. Me diverti demais nesse episódio. E em defesa do bloco com a Chloe: talvez fosse uma forma de salientar a linha do conflito mãe-e-filho, já que tem aquela coisa da educação com a filha.

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planocritico 16 de outubro de 2016 - 17:14

Quando Helfer aparece com o tal vestido “slutty” eu quase morri de rir. Tive que pausar o episódio. Perfeita a química entre eles e nunca antes havíamos visto o demônio ficar sem graça e isso acontece umas três vezes só aqui!

Abs,
Ritter.

Responder
Luiz Santiago 16 de outubro de 2016 - 23:37

Exato! O foda é que ela é deusa, então não manja dos paranauês. Eu to achando ótima essa adaptação dela ao mundo… hahahhaha

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Luiz Santiago 16 de outubro de 2016 - 23:37

Exato! O foda é que ela é deusa, então não manja dos paranauês. Eu to achando ótima essa adaptação dela ao mundo… hahahhaha

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planocritico 16 de outubro de 2016 - 23:46

Sim, são as melhores partes da temporada até agora. Quero muito saber como será ele em seu “lar” e em seu “escritório”…

– Ritter.

Responder
planocritico 16 de outubro de 2016 - 23:46

Sim, são as melhores partes da temporada até agora. Quero muito saber como será ele em seu “lar” e em seu “escritório”…

– Ritter.

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planocritico 16 de outubro de 2016 - 17:14

Quando Helfer aparece com o tal vestido “slutty” eu quase morri de rir. Tive que pausar o episódio. Perfeita a química entre eles e nunca antes havíamos visto o demônio ficar sem graça e isso acontece umas três vezes só aqui!

Abs,
Ritter.

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Leonardo Sette Pinheiro 11 de outubro de 2016 - 09:34

Nome adequado ao episódio.

Espero que fique coeso e pulem o caso da semana…o q q mamãe vai aproveitar ….?

Responder
planocritico 12 de outubro de 2016 - 04:17

Bem adequado mesmo… E enlouquecedor… He, he, he…

Abs,
Ritter.

Responder
planocritico 12 de outubro de 2016 - 04:17

Bem adequado mesmo… E enlouquecedor… He, he, he…

Abs,
Ritter.

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Leonardo Sette Pinheiro 11 de outubro de 2016 - 09:34

Nome adequado ao episódio.

Espero que fique coeso e pulem o caso da semana…o q q mamãe vai aproveitar ….?

Responder
Mojo 10 de outubro de 2016 - 11:03

Nem sabia o quanto a Tricia Helfer fazia falta na minha vida, vê-la em Lucifer me trouxe ótimas lembranças de Battlestar, linda e muito boa atriz… Confesso que não vejo qualquer serventia pro Dan na série nesta temporada, acredito que logo, logo ele deve ter um fim trágico pra dar uma mexida com os personagens principais. No mais, Lucifer juntamente com Gotham continua salvando a honra da DC na televisão. Ótima crítica!!

Responder
planocritico 12 de outubro de 2016 - 04:18

@Mojopgr1980:disqus , Dan podia ir para o Inferno – literalmente – e criar problemas para Lúcifer de lá!

E obrigado pelo elogio!

Abs,
Ritter.

Responder
planocritico 12 de outubro de 2016 - 04:18

@Mojopgr1980:disqus , Dan podia ir para o Inferno – literalmente – e criar problemas para Lúcifer de lá!

E obrigado pelo elogio!

Abs,
Ritter.

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Mojo 10 de outubro de 2016 - 11:03

Nem sabia o quanto a Tricia Helfer fazia falta na minha vida, vê-la em Lucifer me trouxe ótimas lembranças de Battlestar, linda e muito boa atriz… Confesso que não vejo qualquer serventia pro Dan na série nesta temporada, acredito que logo, logo ele deve ter um fim trágico pra dar uma mexida com os personagens principais. No mais, Lucifer juntamente com Gotham continua salvando a honra da DC na televisão. Ótima crítica!!

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