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Crítica | Lucifer – 5ª Temporada (Parte Um)

por Ritter Fan
1871 views (a partir de agosto de 2020)

  • spoilers. Leiam, aqui, as críticas das temporadas anteriores.

Lucifer acabou no episódio 3X24 – escrevi até uma crítica-carta ao Joe Henderson! – sem alcançar seu verdadeiro potencial. No entanto, a série teve seus direitos surpreendentemente comprados pelo Netflix e ganhou mais uma temporada – a melhor até agora – que também poderia ser considerada como o encerramento da saga do diabo apaixonado em Los Angeles. E eis que, se recusando a ir embora, Lucifer ganha uma sobrevida de uma 5ª temporada de nada menos do que 16 episódios divididos em duas meias-temporadas e, como se isso não bastasse, o anúncio de uma 6ª como sendo a derradeira. Se será mesmo o fim, só o tempo dirá, já que Henderson e Ildy Modrovich parecem ter feito um pacto com o próprio Tinhoso para manter sua obra no ar.

Pelo momento, temos que lidar com o que está no ar: os oito episódios iniciais da 5ª temporada que, logo de largada, posso dizer que acabam como se uma mini-temporada formassem, com direito a clímax e cliffhanger bem arrumadinhos e interessantes, sem dúvida atiçam a curiosidade pelo que virá. A questão é que, por mais que seja um prazer vem Tom Ellis viver o charmoso personagem-título e também seu irmão gêmeo, o Arcanjo Michael, é importante que uma temporada seja efetivamente justificada pelo desenvolvimento da história que é apresentada, o que certamente não é o caso aqui, mesmo considerando o relativamente pequeno número de episódios, ainda que todos com quase uma hora de duração (e o último passando um pouco disso).

Ainda desnecessariamente preso à estrutura de “assassinato da semana”, a temporada demora muito a decolar, primeiro mantendo Lucifer no Inferno e, depois, apresentando Michael, que personifica seu irmão para manobrar Chloe e os demais personagens para fins escusos. Mas esse “mistério” logo é solucionado e Michael desaparece tão abruptamente quanto apareceu, somente voltando mais para o final para fechar seu arco e a história, em uma escolha que revela o quão pouco havia para contar. Afinal, grande parte da duração da meia-temporada é dedicada ao namoro de Lucifer e Chloe e a situações paralelas rasas envolvendo um Dan sofrendo pela morte de Charlotte (Tricia Helfer tem uma participação breve, mas não como Deusa), Maze remoendo traumas de infância, Ella reclamando que só gosta de bad boys e Amenadiel e a Dra. Linda cortando um dobrado para cuidar do pequeno Charlie.

De todas as linhas narrativas, a mais interessante, por incrível que pareça, é a de Maze, que ganha um bom desenvolvimento em um episódio que, em um primeiro momento, parece um típico filler: a história de como Lucifer obteve seu anel de pedra preta, algo que ele conta para a pequena Trixie (no único momento em que ela aparece) na forma de um episódio em estilo noir, com direito a narração em off e fotografia em preto e branco (ainda que com um resultado muito inferior ao mesmo artifício usado recentemente em Out of the Past, da 7ª Temporada de Agents of S.H.I.E.L.D.). Nele, somos apresentados a ninguém menos do que Lilith, mãe de Maze e a primeira esposa de Adão, em uma boite em plena Nova York de 1946, algo que é usado inteligentemente ao longo do restante da temporada para mergulhar um pouco mais no drama da diaba, ainda que com uma resolução – falo do último episódio mesmo – um tanto quanto clichê e sem graça.

O atrativo mesmo da temporada é ver Ellis em seu papel duplo, inclusive fazendo um competente sotaque americano e mudando completamente sua linguagem corporal – além de figurino – para encarnar o traiçoeiro Michael. Sua performance é tão boa que ela abafa completamente as dos demais componentes do elenco, mesmo considerando a geralmente boa qualidade dos atores e atrizes. O problema é que falta aquele nível de charme  e sofisticação que vimos em temporadas anteriores da série. A meia-temporada é mais… vazia, por assim dizer, sem momentos realmente memoráveis como números ao piano com Ellis ou abordagens “celestiais” fora a já mencionada sequência climática dos 10 minutos do último episódio. Até mesmo o namoro de Lucifer e Chloe é tratado na base das “reviravoltas” físicas que refletem problemas sentimentais que, muito francamente, cansam pela obviedade e pela necessidade constante de se arrumar uma novidade para manter os dois razoavelmente afastados.

Se é para Lucifer continuar sendo renovada, ou mesmo chegar à 6ª temporada, Joe Henderson e Ildy Modrovich precisam reinventar a série, parar com a lenga-lenga, abafar o aspecto procedimental da série é focar de vez no lado sobrenatural. Caso contrário, a série arriscar chegar naquele desagradável ponto em que os espectadores começarão a achar coisas como “olha, deveria ter acabado antes”, o que nunca é um bom sinal.

Lucifer – 5ª Temporada, Parte Um (EUA – 21 de agosto de 2020)
Desenvolvimento: Tom Kapinos (baseado em personagem criado por Neil Gaiman, Sam Keith e Mike Dringenberg)
Showrunner: Joe Henderson, Ildy Modrovich
Direção: Eagle Egilsson, Sherwin Shilati, Claudia Yarmy, Viet Nguyen, Sam Hill, Richard Speight Jr., Nathan Hope, Kevin Alejandro
Roteiro: Jason Ning, Ildy Modrovich, Mike Costa, Aiyana White, Joe Henderson, Jen Graham Imada, Julia Fontana, Chris Rafferty
Elenco principal: Tom Ellis, Lauren German, Kevin Alejandro, D.B. Woodside, Lesley-Ann Brandt, Scarlett Estevez, Rachael Harris, Tricia Helfer
Disponibilidade no Brasil: Netflix
Duração: 446 min. (oito episódios)

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