Crítica | Lucy and Superman (I Love Lucy 6X13)

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De todos os icônicos episódios da adorada série I Love Lucy, o décimo terceiro da sexta temporada é um dos mais lembrados. Lucy and Superman foi exibido pela primeira vez em 14 de janeiro de 1957 e trazia a Sra. Ricardo em mais um de seus planos malucos e engraçados, sempre pensando em fazer o melhor, neste caso, para a festa de aniversário do filho. A participação especial no episódio já está no título, e aqui, é de George Reeves, que na época interpretava o Superman na também adorada série As Aventuras do Super-Homem (1952 – 1958).

O roteiro, escrito a oito mãos, cria uma grande expectativa no público, não só pela chegada do icônico personagem, mas também pela forma como seria trabalhado no contexto da série. É interessante notar como o ponto de partida para a grande surpresa, ou seja, o aniversário do pequeno Ricky (Richard Keith), serve também como estabelecimento do conflito cômico, tendo um casal de amigos de Lucy e Ricky Ricardo como pivô. Ambas as famílias andam às voltas com o dia da festinha de aniversário de seus filhos, aparecendo aí algumas insistências e chantagens para que um deles mudem do sábado para outro dia da semana, permitindo que os colegas de sala dos dois aniversariantes pudessem comparecer nas duas festividades. O problema, claro, só é resolvido quando Lucy diz que trará o Superman para a festa do filho. Não resta outra alternativa para Caroline (Doris Singleton) mudar o dia.

Em partes, o episódio segue todos os passos possíveis da comédia física e da comédia de referências, indo da sequência muito engraçada de Lucy se preparando para entrar de surpresa na festa do filho e passando um tempo do lado de fora prédio, lutando contra os pombos e tentando chegar até à janela. A direção de James V. Kern também joga com um pouquinho de suspense, aumentando a expetativa do público para o que ela deve fazer como pseudo-heroína e como será salva pelo Superman. Mas essa mesma cena, a despeito de ser engraçada e ter uns momentos impagáveis — o início da chuva, por exemplo, é a grande coroação — é longa demais e tem uma aparência de repetição que poderia muito bem ser substituída por outras variantes, até mesmo dentro do apartamento. Lucille Ball era uma excelente criadora de performances físicas extravagantes, então o roteiro poderia usar isso a favor do episódio, perdendo uma grande oportunidade de seguir por um caminho mais ousado.

A mesma coisa podemos dizer da festinha das crianças. Mas não das brincadeiras em si. O roteiro parece estar fixo apenas em deixar qualquer coisa acontecendo na tela enquanto George Reeves não entra. O texto é preguiçoso naquilo que mais deveria ser ativo: a criação de oportunidades para o riso, como sempre foi o padrão da série. Como disse, o capítulo tem momentos hilários, realmente dignos de nota, mas em torno desses momentos existe um marasmo que não combina com as sequências cômicas, fazendo de Lucy and Superman uma história cheia de pequenos incômodos compensados pelo ótimo encontro prometido no título. Um encontro que fez o Homem de Aço reconhecer o heroísmo de Ricky em permanecer 15 anos casado com Lucy. Era preciso ser muito mais que Homem de Aço para aguentar essa ruivinha…

Lucy and Superman (I Love Lucy 6X13) — EUA, 14 de janeiro de 1957
Direção: James V. Kern
Roteiro: Madelyn Davis, Bob Carroll Jr., Bob Schiller, Bob Weiskopf
Elenco: Lucille Ball, Desi Arnaz, Vivian Vance, William Frawley, Madge Blake, Ralph Dumke, Steven Kay, Richard Keith, George O’Hanlon, George Reeves, Doris Singleton
Duração: 30 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.