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Crítica | Lupin III – 1ª Temporada

por Kevin Rick
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Poucas obras gritam legado como Lupin The Third Part I, ou simplesmente Lupin III, baseada na obra homônima de Monkey Punch, seja essa herdade proveniente de material anterior ou do próprio impacto que a série teve em diferentes aspectos na indústria do anime. Primeiramente que, o personagem principal, Lupin III, é neto de Arsène Lupin, célebre personagem literário criado por Maurice Leblanc, e, assim como seu avô, é um mestre na arte criminosa de roubar. Além de ser herança da criação de Leblanc, a série se tornou precursora em muitos sentidos, desde a revelação para a indústria dos gênios Hayao Miyazaki e Isao Takahata, que juntos dirigem 15 episódios, e viriam a se tornar os maiores nomes da animação japonesa ao criarem o Estúdio Ghibli. Mas não só a equipe criativa, Lupin III marcou uma era pelo estilo de animação mais violento, maduro e criminal, com o uso de armas de fogo e temáticas marginais, servindo como referência para obras incríveis como Cowboy Bepop, e também uma nova visão para o gênero ainda bastante preso na infantilidade na época do seu lançamento, em 1971.

No entanto, apesar do teor estilístico mais adulto da série, a narrativa se desenrola de maneira cômica e descompromissada, numa espécie de jornada de James Bond malandro. Toda essa ambientação e caracterização criminosa em contraste com a comicidade da trama criam uma experiência bastante divertida nesse uso do visual de espionagem, crime, leve sexualidade e violência amena numa história divertida, jovial e descontraída. E o objetivo é exatamente esse, divertir o espectador com uma nova abordagem para o gênero, tornando-se pioneiro nesse aspecto, e como eles tem sucesso nesse quesito.

A dualidade do humor com a animação se torna ainda mais prazerosa com a adição do surreal nos 23 episódios contidos da série. Cada capítulo tem seu próprio mini-arco com personagens recorrentes, mas sempre com início, meio e fim, e o já citado absurdo cômico, com homens de pele à prova de bala, só para dar um exemplo, funciona muito bem para manter as histórias de roubo sempre frescas e agradáveis de assistir. Um verdadeiro casamento do 007 com Looney Tunes. Também é preciso expor como os episódios dirigidos por Masaaki Ôsumi assumem uma veia um pouquinho mais dramática e canastrona de obras de detetive/espião, enquanto Miyazaki e Takahata abraçam por completo o surrealismo e a personalidade descontraída de Lupin como atmosfera principal da série. Duas abordagens um tantinho diferentes, mas ambas funcionam de modo agradabilíssimo.

O artifício mais importante da obra é a dinâmica de Lupin com seus comparsas Daisuke Jigen, um atirador excepcional, e uma espécie de voz da razão e conselheiro de Lupin, Goemon Ishikawa, um samurai que gosta de pagar de sério, e a divertidíssima gata ladra Fujiko Mine. A forma como o roteiro utiliza suas diferentes personalidades dentro de cada roubo e escapada constrói esse relacionamento do próprio espectador com o grupo de maneira bem orgânica, com diferentes contrastes, como a maluquice e tranquilidade de Lupin, a astúcia e sentimento de traição de Fujiko e o sisudo semblante e discurso de Goemon, dando diferentes variedades para a narrativa trabalhar com o humor. Além deles, somos acompanhados pelo Inspetor Heji Zenigata, que tem a penosa tarefa de capturar Lupin, em uma das melhores piadas recorrentes da série, e também somos apresentados a uma sucessão de antagonistas canastrões e interesses amorosos, sempre parodiando obras de detetives e espiões.

A animação é datada, mas ainda funciona perfeitamente bem na construção absurda e anti-heroica do nosso grupo de criminosos, acompanhada de uma fantástica trilha sonora, bem remanescente de clássicos do gênero de crime, com um peculiar tom sonoro de leveza e bom humor nas entrelinhas dos temas musicais. Lupin III é diversão na certa, seja do ângulo do contraste da animação madura com o absurdo, da dinâmica do elenco principal, ou até mesmo da paródia de espionagem, a série é uma sequência de curtas histórias prazerosas, deixando um tremendo legado artístico, criativo e posterior, com uma quantidade insana de novas adaptações, no formato de séries animadas mesmo, ou em filmes como O Castelo de Cagliostro. Um infinito número de exageradas aventuras do ladrão cavalheiro, deixando sorrisos por onde passa.

Lupin III (Rupan Sansei, ルパン三世) – 1ª Temporada | Japão, 1971-1972
Criado por: Monkey Punch
Direção: Masaaki Ōsumi, Hayao Miyazaki, Isao Takahata
Roteiro: Monkey Punch, Shunichiroo Koyama, Seiji Matsuoka, Yuki Miyata, Chiku Oowaya, Tooru Sawaki, Kado Shichijoo, Tatsuo Tamura, Kazuichi Tsurumi, Atsushi Yamatoya, Noriaki Yamazaki
Elenco:  Yasuo Yamada, Kiyoshi Kobayashi, Yukiko Nikaido, Gorô Naya, Chikao Ohtsuka, Ichirô Nagai, Michiko Hirai, Masaji Amamori, Kazuo Arai
Duração: 549 min. (23 episódios)

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