Crítica | Madame Xanadu: Portal Para o Pesadelo e Dança Para Dois Demônios

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Portal Para o Pesadelo (Doorway to Nightmare, no original) foi uma antologia de horror que a DC Comics publicou de forma bimestral em 1978. Foi nesta série que se deu a estreia nos quadrinhos da mística cartomante Madame Xanadu, apresentada aqui sem grandes detalhes, apenas como alguém que já está na ativa há muitos e muitos anos e que possui um largo poder de proteção, encantamento e conhecimentos místicos, embora ela não haja em nenhum momento como feiticeira propriamente dito. Sua ação principal é mesmo a leitura das cartas do tarô e a orientação de caminhos para aqueles que a procuram, mas sua loja, por exemplo, é um local protegido onde nenhum malfeitor consegue entrar. E através de um inexplicável controle das artes sobrenaturais ela consegue capturar a essência de demônios ou outras criaturas que enfrenta, aumentando a sua coleção de jarras com esses misteriosos conteúdos.

A revista acabou não fazendo sucesso e foi cancelada depois de cinco edições, como parte da Grande Implosão da DC, que trouxe o encerramento de 28 títulos em andamento mais a fusão, adiamento e renome de alguns outros. Embora não tenha feito sucesso na época, Madame Xanadu se tornou uma personagem interessante para se ter na grade da editora, alguém cujas consultas se tornariam icônicas em participações especiais ao longo dos anos, em diversos títulos e para diversos personagens.

Nestas cinco edições, temos a protagonista lendo cartas e dando orientações para pessoas com algum tipo de relação amorosa, o que me irritou profundamente. É normal que exista uma ou duas tramas com a mesma premissa no início de um título, e isso já está bem forte com a entrada de Cindy Barns, a história de uma atriz que se apaixona por um escritor da Broadway, mas o romance (e futuro casamento) dá errado pela presença de uma misteriosa ruiva na vida dele, uma ruiva que se revelará filha de um faraó (?) e que estava na época da renovação de sua juventude, sugando a alma de um doador. Notem que aliada à trama romântica existe a camada sobrenatural e isso é interessante de se ver. Mas a repetição da mesma premissa na edição seguinte (Douglas Holt e Melissa Mann) e de maneira secundária, também em Blood Red Tear (a história do vampiro Victor Christianson, a melhor do título); de novo em Six Claws of the Dragon (uma reciclagem disfarçada de “trama oriental” da primeira edição) e mais uma vez em The Day of the Devils (uma estranhíssima história de gangue) simplesmente nos irrita.

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Uma parte desses problemas se devem ao fato de o time de roteiristas aqui ser bem grande para um título simples, de apenas cinco edições com 24 páginas cada uma. Após a introdução da cartomante no Universo DC através de seus criadores (David Michelinie nos roteiros, Val Mayerik na arte e Mike Kaluta no design da personagem), parece que a editora não tinha mais nenhum interesse em continuar com a publicação, fazendo com que os escritores e artistas seguintes trilhassem apenas o mesmo caminho automático da edição de abertura até que viesse a hora do cancelamento da série.

Antes da Implosão, uma sexta edição de Doorway to Nightmare havia sido escrita e desenhada, mas o cancelamento do título só permitiu a publicação dessa trama em Madame Xanadu Special (1981), com o título Dança Para Dois Demônios. O roteiro de Steve Englehart e a arte de Marshall Rogers nessa edição também não fogem em nada àquilo que havia sido estabelecido antes, ou seja, uma história de amor e demônios, desta feita, com o viciado Joseph Greene acabando por encarnar Tammuz e Laura Grant, a sobrinha de uma antiga ocultista que chegou a conhecer Xanadu, encarnando Ishtar. O começo é bastante interessante, pois parece que o texto trabalhará algo sério em relação à dependência química, enquanto, em uma segunda linha, falará de bruxaria. Mas não é isso que acontece. E concluímos definitivamente que o cancelamento da série foi a melhor coisa a ser feita.

Doorway to Nightmare #1 a 5 / Madame Xanadu Special: Dance for Two Demons (EUA, fevereiro a outubro de 1978 / 1981)
No Brasil: Histórias de Assombração (Misterinho em Formatinho) #12 a 15 — Ebal, 1979
Roteiro: David Michelinie, Gerry Conway, Bill Kunkel, Joyce Katz, Roger McKenzie, Catherine B. Andrews, Stuart Hopen, Scott Edelman, Steve Englehart
Arte: Val Mayerik, Vincente Alcazar, Ric Estrada, Johnny Craig, Romeo Tanghal, Marshall Rogers
Arte-final: Val Mayerik, Vincente Alcazar, Romeo Tanghal, Johnny Craig, Vince Colletta, Marshall Rogers
Cores: Liz Berube, Adrienne Roy
Letras: Ben Oda, John Workman, Clem Robins
Capas: Mike Kaluta
Editoria: Joe Orlando, Jack C. Harris
120 páginas

LUIZ SANTIAGO (Membro da OFCS) . . . . Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.