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Crítica | Mãe!

por Guilherme Coral
581 views (a partir de agosto de 2020)

Os filmes de Darren Aronofsky jamais tiveram a intenção de deixar o espectador em sua zona de conforto. Do perturbador Pi ao polêmico Noé, o cineasta desafiou não somente nossa percepção dos universos construídos por ele, como nossas próprias expectativas acerca do que veríamos, de tal forma que, na grande maioria das vezes, saímos impressionados do cinema, tendo gostado ou não do que acabamos de ver. Em Mãe!, contudo, o diretor dá um passo a frente, construindo uma trama que não somente foca no subjetivo de seus personagens, como faz do próprio enredo algo a ser interpretado e não simplesmente entendido. Nesta crítica, portanto, o que vocês lerão é puramente minha própria interpretação do filme e não necessariamente a verdade por trás dele – aliás, como tudo na vida, não há apenas uma verdade.

Antes de entrarmos na análise da obra, contudo, devo alertá-los que qualquer informação sobre esse longa-metragem pode ser considerado spoiler. Sugiro, pois, que primeiro assistam o filme, completamente “virgens”, para depois mergulharem no que ele representa, não somente por si só, como para toda a filmografia de Aronofsky.

A trama situa-nos em uma casa no centro de uma grande clareira – ao redor vemos somente árvores e nenhum sinal de civilização. Após uma sequência que nos mostra essa mesma casa, de uma forma, regenerando-se, conhecemos a personagem de Jennifer Lawrence e, pouco depois, o de Javier Bardem, seu marido. Nenhum deles jamais é nomeado ao longo da projeção, referindo-se um ao outro por aparentes apelidos e nomes carinhosos. O esposo é poeta e encontra-se no meio de um bloqueio, enquanto que a mulher ocupa seu tempo reformando a casa, que fora queimada não muito tempo atrás. Esse cenário bucólico é, então, quebrado pela chegada de um homem (Ed Harris) e, posteriormente, sua esposa (Michelle Pfeiffer), que dão fim à tranquilidade por ali.

Em muitos aspectos, Mãe! pode ser considerada uma obra pertencente ao mesmo projeto cinematográfico iniciado em Noé. O roteiro de Aronofsky não chega nem ser repleto de referências religiosas, pois ele poderia ser visto praticamente como uma releitura de toda a Bíblia, passando por diversos momentos icônicos, de forma metafórica, é claro. Passagens como o Jardim do Éden, Caim e Abel, a Torre de Babel, o nascimento e morte de Cristo e até o Apocalipse podem ser claramente identificadas na trama e, dessa vez, tudo é encarado sob o ponto de vista não dos seres humanos e sim da figura divina, ou melhor, figuras divinas.

Sim, os personagens de Jennifer Lawrence e Javier Bardem, na minha visão, são o que conhecemos por Deus, de tal maneira que um pode simbolizar o Alfa e outro o Ômega e vice-versa, já que que os papéis constantemente se invertem. A criação e a destruição, dualidade pertinente, especialmente, ao Velho Testamento – enquanto esse ser superior pode amar sua criação, ele pode, também, enxergar a necessidade de recomeçar tudo do zero – é abordada, também, em Noé. Essa interpretação, que me veio à mente logo nos minutos iniciais do filme, é constantemente fortalecida pela maneira como o casal trata um ao outro. Mais de uma vez o personagem de Bardem refere-se à sua esposa como “minha deusa”, enquanto que a mulher sempre respeita sua palavra, como se suas decisões fossem sempre as corretas. Isso sem falar, é claro, nos pontos mais óbvios próximo ao término do longa.

Tal questão é ampliada pelas próprias funções exercidas por esses dois personagens – um é um poeta e considera-se um criador, por vezes, sua ausência de palavras reflete plenamente o vazio ao redor da casa. Além disso, é importante lembrar que, no texto bíblico, no princípio não havia o vazio ou o caos e sim o Verbo, dialogando diretamente com essa profissão do personagem. A esposa, por sua vez, é quem dá a vida àquela casa, tendo-a reconstruído das cinzas, pedaço por pedaço. Em certo momento, ela observa uma parede branca e dá uma pincelada sobre ela, oferecendo cor a esse estado ainda incompleto da criação e o faz não de maneira impetuosa, mas pensando no que irá transformar aquela tela branca.

Quando esse cenário passa a ser ocupado por outros, é claro que a imediata sensação é a de invasão. Tudo ali estava em condições ideais, ainda que incompleto – os personagens de Ed Harris, Michelle Pfeiffer (e outros) chegam para abalar essa perfeição e, desse ponto em diante, a grande alegoria construída por Aronofsky ganha mais profundidade, já que esses dois personagens estimulam o casal central a tentarem gerar um filho. Aqui, é importante notar como o sexo é retratado de maneira visceral, pecaminosa, gerando desconforto no espectador. Em essência, esse é o pecado original e tudo começa a desandar, mais ainda, daí para a frente, chegando ao ponto em que o caos nos remete imediatamente ao mundo corrompido visto em Noé.

O tempo, pois, torna-se subjetivo, pulando de estado em estado, a fim de representar a crescente degradação humana, que transforma aquele Éden em uma Torre de Babel, fadada à ruína, preenchida pela maldade dos homens. A tensão somente aumenta pela nítida cisão entre o casal: de um lado, a mulher aterrorizada pelo que vê, do outro alguém tão cego pelo amor que é incapaz de reconhecer toda a tragédia ali. Vemos, então, de uma vez só, o Deus do Velho e Novo Testamentos, nitidamente contrastantes. Eis que Aronofsky, aos poucos, introduz no espectador o anseio por ver a destruição, que certamente trará a tão necessária renovação.

Esse é um ponto, aliás, praticamente inevitável, tendo em vista a decupagem realizada pelo diretor. Com planos muito próximos ao rosto das personagens, especialmente a de Lawrence, Aronofsky cria a sensação constante de espaço invadido – o desconforto é a sensação que nos acompanha durante toda a projeção, criando uma mistura de agorafobia e claustrofobia, ao passo que tanto a impotência da mulher, quanto o seu enclausuramento dentro daquela casa causam-nos incômodos perceptíveis. O realizador ainda une esses closes a planos mais longos, que não somente dão a sensação de estarmos dentro de um pesadelo interminável, como, imediatamente, nos une à protagonista, ao passo que nós próprios somos colocados em sua situação perturbadora. Lawrence, aliás, entrega-nos seu melhor trabalho em anos, garantindo à sua personagem uma nítida pureza de espírito, fazendo-nos enxergá-la como a grande vítima daquele cenário, especialmente considerando que, diversas vezes, ela representou a voz da razão naquele lugar de caos crescente.

Evidente que toda a alegoria presente na obra dialoga diretamente com o nosso próprio mundo. Podemos encarar tudo como uma metáfora à destruição da natureza ou do próprio homem por ele mesmo. A figura da protagonista, interpretada por Lawrence, remete-nos à luta das mulheres por direitos iguais, ao ponto que, durante todo o filme, ela jamais é respeitada como deveria, nem mesmo pelo próprio marido, que diz idolatrá-la, mas a deixa de lado até o último e derradeiro momento. Essas visões, porém, não antagonizam a interpretação bíblica. Muito pelo contrário, elas perfeitamente se misturam, criando não uma colcha de retalhos, mas uma abordagem extremamente plural e profunda do diretor/roteirista, que sabe muito bem o que faz, forçando-nos a prestar atenção em cada mínimo detalhe.

Dessa forma, Darren Aronofsky cria não somente um filme com caráter religioso, como algo que critica o que a nossa sociedade acabou se tornando. Em seus filmes anteriores, o diretor nos tirou da zona de conforto; em Mãe! ele nos faz esquecer o próprio conceito de conforto, criando uma narrativa que deve ser interpretada e que, certamente, gerará inúmeras visões por parte dos espectadores. Não é um filme para nos agradar e sim para nos fazer pensar, que permanece conosco por diás após termos saído da sala do cinema. Intrigante, alegórico e perturbador, Mãe! é uma verdadeira obra-prima.

Mãe! (Mother!) — EUA, 2017
Direção:
 Darren Aronofsky
Roteiro: Darren Aronofsky
Elenco: Jennifer Lawrence, Javier Bardem, Ed Harris, Michelle Pfeiffer,  Brian Gleeson,  Domhnall Gleeson, Jovan Adepo, Amanda Chiu, Patricia Summersett, Eric Davis
Duração: 121 min.

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119 comentários

JC 19 de janeiro de 2020 - 14:18

Ontem eu finalmente vi esse filmão.
Fiquei me perguntando de onde tinham visto com tanta interpretação bíblica, depois de ler alguns comentários abaixo, entendi.
Achei interessante…e realmente encaixa em tudo.

Por outro lado, na MINHA interpretação pessoal, foi bem diferente.
É como fosse os passos de um relacionamento…começo até o fim, e depois a construção de outro em cima do que você já teve anteriormente.

Bem resumido e sem tantos detalhes.

O que deixou-me de queixo caído foi ter perdido a referência do corte na costela do Ed.
Aí realmente, me quebrou, não achei outro sentido a não ser bíblico.

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Camilo Mateus 17 de janeiro de 2020 - 07:33

por que esse filme foi esnobado pela academia?

Responder
nuwgott 7 de julho de 2019 - 20:15

Uma dúvida. Não teria Eva nascido após a chegada de Adão?

Vejam, Mãe acorda e não encontra Deus. Deus está cuidando de Adão no banheiro. Deus tenta esconder de Mãe o corte nas costas. E diz: ele precisa de “privacidade”.

A questão é que, quando Deus criou a mulher, ele deixa bem claro que apenas a Terra não seria possível satisfazer o homem.

E, a partir do momento que a mulher surge, a Terra não é mais o objeto de desejo do homem.

Queria o filme apontar que Deus traiu mãe naquele momento ao fazê-la sentir-se inferior? Foi ali que o homem deixou de desejar a Terra?

Pois vejam que, Adão, quando vê pela primeira vez a Mãe, demonstra um misto de medo e desejo (brilhantemente interpretado por Ed Harris), mas depois não mais.

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Mateus 22 de fevereiro de 2019 - 19:42

Esse filme é ruim porque ele não é bom

Responder
Shadai 19 de janeiro de 2019 - 10:50

Excelente texto, parabéns!
Eu li outros que também explicam se tratar de tema bíblico.
Mas, como eu não tenho conhecimento da Bíblia, assisti tendo interpretação totalmente diferente.
Quando os outros personagens começaram a chamar a Lawrence de “a inspiração”, eu fiquei convicto sobre minha teoria de que ela é o que os artistas chamam de “Musa”.
Ao ela querer o amor e até sexo com o poeta, ela quer se sentir especial como musa inspirada, mas sabemos que o artista é que precisa tomar iniciativa, portanto ele demora para conseguir voltar a escrever, e também a amá-la.
As pessoas entrando na casa são as personagens ou ideias que o artista, finalmente, tem conseguido criar, e que também o venera, Por isso ele fica feliz que a vida dele está tendo alguma ação.
Ele consegue realizar sua obra e com isso vem a mídia e mais fãs, que inflam o seu ego, e faz-o esquecer de sua Musa inspiradora, vivendo assim somente para a vaidade. Até que a Musa destrói tudo, pois esse ciclo chegou ao fim, e o artista preciso recomeçar tudo para conseguir criar uma nova obra com uma outra Musa.

Independente, de eu ter viajado na minha interpretação, o filme é muito bom! Show de atuação da Jennifer Lawrence, muito melhor que os seus últimos trabalhos que foram indicados ao Oscar.

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Danilo3 Silva 19 de agosto de 2018 - 17:30

Somente uma cultura que vê a merda como arte pode conceber esse filme como bom.

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andre99249 . 20 de janeiro de 2020 - 10:41

Excelentes argumentos! Você realmente me convenceu do seu ponto de vista explicando tão detalhadamente.

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Juliano 22 de janeiro de 2018 - 15:51

Eu simplesmente, no decorrer do filme, não consegui o interpretar (apenas algumas ligações entre uma cena e outra). Tamanha foi a pressão que senti, como se eu estive, em todo o momento, contra a parede.
Apenas agora, depois de ler alguns comentários aqui, as peças começaram a se encaixar.

Responder
Juliano 22 de janeiro de 2018 - 15:51

Eu simplesmente, no decorrer do filme, não consegui o interpretar (apenas algumas ligações entre uma cena e outra). Tamanha foi a pressão que senti, como se eu estive, em todo o momento, contra a parede.
Apenas agora, depois de ler alguns comentários aqui, as peças começaram a se encaixar.

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Yuri Alves 21 de janeiro de 2018 - 20:46

Opa, eu assisti esse filme só agora e queria comentar algo. O que eu entendi, é que a casa é a Terra e ela é a natureza. A “mãe natureza”. Eu não enxerguei com ambos sendo Deus. A cada coisa que na casa era destruída, a esposa sentia alguma dor, e foi ela própria quem destruiu tudo. Na minha concepção, ele é Deus e ela é a natureza. Ele quer perdoar todos por tudo e ela quer é que todos vão embora, quer viver em paz onde fiquem só os dois, tal qual a natureza ficaria em paz sem a humanidade. Ela serviria como a natureza e a casa, a Terra. Foi o que eu entendi, mas eu não sou conhecedor da bíblia.

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Joana 27 de fevereiro de 2018 - 18:35

Entendi que a casa era a Terra/humanidade, o marido Deus e ela Nossa Senhora, que como nova Eva reconstituiu a humanidade, no caso reconstruiu a casa..

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Marcos Celes 11 de janeiro de 2018 - 09:36

Gostei muito da sua leitura desse filme. Apesar disso tive uma reflexão diferente: eu vi o casal como dois aspectos do homem contemporâneo. Enquanto a mulher seria a busca pela simplicidade, pelo repeito próprio e pela felicidade propriamente dita, o homem é a ambição, a transformação e a busca pela aprovação social. Ambos são complementares e ao mesmo tempo antagônicos e se não tomarmos cuidado com a tendência do “homem” de nos dominar, perderemos a sanidade, ou seja, a nossa “casa”.

Responder
Helder Lucas 5 de janeiro de 2018 - 23:39

me arrependi tanto de não ter visto o filme “virgem”… já tinha lido mais ou menos uma interpretação das alegorias do mesmo, e o assisti mais ou menos guiado por onde seguir. mas ainda assim, foi uma experiência…incrível. Ms. Lawrence tá maravilhosa! inclusive entendo pq ela se apaixonou por Aronofsky. GÊNIO.

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Huckleberry Hound 28 de dezembro de 2017 - 14:33

Assisti ontem e fiquei bem assim…
https://media.giphy.com/media/ojkJDqke0p0Hu/giphy.gif
Sem palavras!

Responder
Huckleberry Hound 28 de dezembro de 2017 - 14:33

Assisti ontem e fiquei bem assim…
https://media.giphy.com/media/ojkJDqke0p0Hu/giphy.gif
Sem palavras!

Responder
planocritico 28 de dezembro de 2017 - 21:05

É esse o efeito mesmo desse filme!

Abs,
Ritter

Responder
planocritico 28 de dezembro de 2017 - 21:05

É esse o efeito mesmo desse filme!

Abs,
Ritter

Responder
Jose Aquiles 21 de dezembro de 2017 - 23:30

Acabei de assistir, acho que “Mae” vai sentar ao lado de inception e matrix, na categoria de filmes que não devem apenas ser assistidos, tem que ser interpretados…

Responder
Jose Aquiles 21 de dezembro de 2017 - 23:30

Acabei de assistir, acho que “Mae” vai sentar ao lado de inception e matrix, na categoria de filmes que não devem apenas ser assistidos, tem que ser interpretados…

Responder
Birovisky 23 de outubro de 2017 - 12:10

Iria assistir de novo? Com certeza, inclusive um dia depois de ter assistido a primeira vez.

Minha nota é 5/5.

Não consegui nem deixar o costumeiro título que normalmente faço para as “rezenhas” de filmes tamanho o choque pós sessão de Mãe! Não que isso seja ruim, pelo contrário, se você está assim como eu antes de ir assistí-lo, ou seja, cru e bem VIRGEM, sem muita informação do filme apenas com o trailer em mente continue assim, e vá ao cinema vê-lo, você precisa disso, o processo de conscientização e renovação será fatal. Confiram a “rezenha” crítica de Mãe! com alguns spoilers, é impossível tecer algumas palavras sem.

Se você é um daqueles telecpectadores que fica muito preso à sinopse, desprenda-se, o filme desde seu PRIMEIRO SEGUNDO te dá a chance de abrir a mente e estar pronto para o que der e vier com a chuva de simbolismos por suas duas horas de duração. A imersão ao universo de Aronofsky é clara (ou seria melhor negra? ksksks), trazendo à tona diversos temas atritais de forma metafórica e subliminar. Isso já podia ser notado em vários de seus trabalhos passados como Réquiem para um Sonho e Cisne Negro, ambos fantásticos, sendo que último enrolei um ano paara assistir com certo preconceito e me arrepdendi depois d enão ter ido ao cinema ver. Um que já adicionei a minha lista e desconhecia era Pi, de 1999 e que em breve vou conferir.

Você não precisa sentir-se pressionado a querer entender o filme como um todo, eu por exemplo só consegui uma compreensão maior no pós sessão discutindo com minha mulher (que foi comigo). Na mesa redonda que fizemos na lanchonete consegui expor alguns pontos e ela os completou chegando a algumas conclusões superinteressantes.

Eu não sou um leitor assíduo mas Aronofsky bebeu muito da ácida fonte biblíca narrada por José Saramago, quem leu Caim e O Evangelho Segundo Jesus Cristo ficará chocadamente feliz como o filme é dirigido, mesmo até sem querer, o filme consegue traduzir tudo o que imaginei destas duas obras se um dia fossem adaptados como filme.

Os planos de filmagem incomodam de uma forma positiva, fogem do convencional com uma câmera móvel acompanhando por toda a casa Jennifer Lawrence sempre em movimento sem proecupar-se com enquadramento, uma desconstrução técnica de filmagem que neste caso funcionou bem com o clima claustrofóbico de uma casa com dois andares sendo reformada em meio a ausência e o silêncio que a dupla demonstra no começo do filme.

Eu sou muito fã do Javier Bardem mas aqui fico de joelhos ao que Jennifer Lawrence conseguiu finalmente entregar, algo digno de tanto clamour que ela desfrutava de seus fãs e não via nada demais. Esteve sob vários aspectos, situações de calmaria, de amor até a ápices de stress absoluto como por exemplo parir uma criança em meio ao caos, e conseguiu em todos estes planos chegar no limite de uma excelente atuação, se o Oscar não for para ela, será uma tamanha injustiça. O espanhol Bardem mostrou também porque é um baita ator, pelo que seu personagem representava ele manteve-se alienado e a todo momento indiferente e iludido com as situações, incrível a sensação de indiferença que ele mantinha, era desconfortante, mas positivamente, e a obra toda é assim um incomodo bom CARALHO! Além do arco principal, dois coadjuvantes de peso, Ed Harris e Michelle Pfeifer destroem durante todo o filme, em alguns momentos irreconhecíveis… CARALHO, CARALHO e CARALHO!!! Não sei alguém aí leva estatueta, mas são sérios candidatos.

Spoilers sobre os significados e simbolismos no final do filme Mãe!

Desde o princípio estamos diante de Deus, figura mitológica que durante o filme é descontruído por Aronofsky e tenta nos mostrar como Ele, uma figura adorada, corrompe-se diante de tamanha adoração e como isso pode ser um caos para uma sociedade que começa a tomar para si os pensamentos de seu ídolo adorado disseminar com sua visão própria a mais gente sobre o que entende ser o certo.

Deus na visão de Aronofsky é uma figura egoísta que só pensa em como ele, com o seu poder de dissernimento e criativo, pode ajudar as pessoas que o procuram, ignorando aquilo que já criou e teoricamente para na visão dele está “tudo bem”. Ele também por estar em processo criativo fica a todo momento na busca pela obra perfeita, e quando uma artista desenvolve projetos e o mesmo, o desenvolvedor está insatisfeito muitas vezes é mais fácil criar do zero algo novamente do que simplesmente remendar, o que explica muita coisa diante das voltas que o filme dá sempre com uma roupagem diferente a cada nova criação.

Em contrapartida Jennifer Lawrence interpreta a tal “Mãe” que podemos entender de duas formas, como a natureza, criada por Deus ou como a fé, que só existe porque as pessoas a têm por algo que acreditam ser maior e poderosa que elas. Ela é quem ajuda o Javier Bardem a construir a casa e sempre tenta manter um relacionamento íntimo com ele.

Quando deus e a fé realmente se relacionam profundamente é que se gera um filho, que é visto depois como um salvador da humanidade… JESUS CRISTO!

À partir do momento em que os homens começam a idolatrar Deus, cada vez mais cegamente, a fé vai se perdendo. Isso porque os homens começam a interpretar as palavras de Deus com visões cada vez mais individualistas, se preocupando apenas consigo mesmo, fazendo com que a pura fé que existia no início esteja se perdendo e ficando cada vez mais ferida.

A casa como um todo, podemos subentender como nosso planeta, afinal é nele que o filme todo ocorre e onde todos os conflitos, pecados entre outras atrocidades ocorrem, como por exemplo dois fatídicos e midiáticos homícidios. A analogia não é só em relação a bíblia, mas também à realidade. Toda essa confusão acontece no mundo o tempo todo e só suportamos porque estamos vivendo num ciclo vicioso, estamos cegos, nos destruindo. destruindo a nossa “casa”, e com isso a nós mesmos pois “não temos para onde ir” (como em dado momento do filme que a Mãe nunca consegue sair da casa ou até mesmo os cegos de espiríto que estão desolados à procura da palavra do personagem Ele).

Além das metáforas bíblicas, nos confrontamos com muitos outros momentos que marcam a quem assiste como a submissão que a mulher “precisa” ter diante do seu homem, e a não obrigatoriedade desta reciprocidade do homem para com a mulher dando margem à indiferança, as guerras e conflitos civis sem nenhuma justificativa, o ESTUPRO que o ser humano faz com o planeta Terra, arrancando seus bens como se fossem seus e levando consigo (estes momentos ocorrem quando as pessoas sem mais nem menos passam a quebrar tudo na casa do casal e levar embora).

“Mãe!” é uma poesia crua e melancólica, visceral (amo essa palavra) chafurdada no desterro e lamaçal de uma sociedade envenada e suicida. Você sente… você sabe que não haverá um final feliz, você não imagina o que te espera se logicamente você ir tão virgem quanto Maria conferir esta obra prima do cinema, sério candidato ao Oscar de melhor filme, se bem que academia priveligia mais dramalhões chorosos sendo em suma sempre injusto com quem realmente merece.

Pesado, abstrato, desfila por vários simbolismos foi feito estritamente para instigar, ficar pensando por várias horas e dias sobre o que acabou de ver, se como você pensa e age está certo, e a partir daí você auto definir-se. Um divisor de águas.

Responder
planeta 11 13 de outubro de 2017 - 22:07

OK, percebem-se as referências bíblicas, mas é possível notar outra coisa também. Por que ela não vai embora, sai de casa? Porque não pode. Se o marido é Deus, um deus vaidoso e narcisista, a casa é o planeta Terra. E a esposa é a “Mãe”, título do filme. Não apenas a mãe dos humanos, mas mães que defendem seus filhos, que cuidam do planeta. Planeta que corre o risco de ser destruído, em nome de quantas coisas…

Responder
Gustavo Cordeiro 9 de outubro de 2017 - 11:01

Meu camarada, boa crítica.
Mas tem um erro crasso de conhecimento da bíblia aí. Favor, entender de forma construtiva. Sexo não é, nem nunca foi o pecado original. O pecado original é a tentativa do homem de se igualar à Deus.
O fruto proibido é um fruto gerado pela árvore do conhecimento: A árvore do conhecimento do bem e do mal. Quando eles violam essa árvore, eles tentam obter algo proibido para eles, que é a noção do bem e do mal. Somente Deus pode ter a noção do bem e do mal. Se o homem tenta obter esse conhecimento, ele está tentando se igualar a Deus.
Adão e Eva andavam pelados no paraíso. Quando, após a violação da árvore do conhecimento, Deus a passear pelo Éden vê Adão se esconder nos arbustos por “pudor” à sua nudez, Deus percebe que a árvore foi violada. Adão perdeu sua inocência e, por isso, sua presença no paraíso ficou inviável. Deus expulsou à todos de lá.
Começou o nosso karma… Pois como castigo, o homem, na Terra, passou a ter que trabalhar para se sustentar (“do teu suor tirarás o seu sustento”… ó a merda!). À mulher o castigo foi a imensa dor ao se reproduzir (e outras, né?) e à serpente o castigo de se arrastar sobre seu ventre por toda a eternidade.
O diretor não vincula a pedra à árvore do conhecimento (isso para mim, não ficou legal), mas ao menos ele sabe que o sexo nã é pecado original. A cena de sexo entre “o homem” e “a mulher” ocorre após a expulsão deles do escritório (paraíso).

Responder
Fabricio Aragão 4 de janeiro de 2018 - 15:59

” Sexo não é, nem nunca foi o pecado original.”[2]
Também achei esse o único erro da crítica. Compreensível, visto que a igreja apostólica romana distorceu a concepção do pecado original.

Responder
Joana 27 de fevereiro de 2018 - 18:40

Meu caro, a Igreja não distorceu nada, o pecado original sempre foi e sempre será o homem querer se igualar a Deus, e isso foi o q a Igreja sempre ensinou e sempre ensinará

Responder
Joana 27 de fevereiro de 2018 - 18:40

Meu caro, a Igreja não distorceu nada, o pecado original sempre foi e sempre será o homem querer se igualar a Deus, e isso foi o q a Igreja sempre ensinou e sempre ensinará

Responder
Fabricio Aragão 28 de fevereiro de 2018 - 15:33

Não foi essa igreja que eu frequentei nos meus primeiros anos de vida não meu querido… lá eu aprendi que o pecado original foi o sexo… se é ou não o que a igreja defende eu não sei… mas foi o que me ensinaram… e ainda acho sim que a visão de pecado original que a igreja passa é distorcida.

Responder
Luzonaldo Júnior 8 de outubro de 2017 - 21:58

Acabei de ver o filme e estava na linha de que o Filme se tratava de um grande pesadelo ou delirio na beira da morte. Aquele líquido amarelo que ela tomava seria a quimioterapia e a estrutura biológica na privada o Tumor, o casal Adão e Eva seriam também eles no futuro com a desgraça caindo sobre a família com o fraticidio, depois, onde também o amor entre os dois foi destruído quando Adão e Eva quebram o coração de Jennifer Lawrence, depois viria toda a problemática de vida turbulenta com muito pano bíblico. Mas após ler os comentários aqui realmente só a interpretação bíblica abarca todos os elementos, embora seja uma obra riquíssima para todo tipo de alegoria.

Responder
Não, Obrigado! 4 de outubro de 2017 - 16:29

Entendi a personagem feminina como a personificação da inspiração, a criatividade do Poeta. E ele, um escritor no meio de um processo criativo. Ela é a companheira que encontra a terra arrasada da última criação e a reergue com as próprias mãos. E ela reage e interage com as interferências externas que o Poeta recebe no decorrer do seu processo criativo. Pra mim essa é a a grande metáfora dos dois personagens, e dentro desta há outras que se multiplicam, como as referências bíblicas. Filho parido, poema escrito, tudo é destruído. E começa novamente…
Mas claro que uma obra como tão aberta e criativa como esta, dá margem a várias interpretações. Essa é só uma que eu li no filme.

Responder
Wendell Bronson 3 de outubro de 2017 - 15:58

Ótimo texto. Infelizmente achei o pior do diretor, de sua filmografia meus prediletos são Pi em primeiro lugar disparado, depois abaixo O Lutador, Cisne Negro, Requiem…
Foi um filme q no começo me pegou pelo sentimento de estranhamento, mas quando os personagens principais vão se tornando cada vez mais 8 ou 80, beirando o unidimensional, o sentimento de tédio e irritação despertou e foi até os créditos.
O problema desse filme é q quando vc saca do q se trata, coisa q não demora mto tempo, ele fica previsível dmais, até pq quem não conhece a hst da bíblia? Mesmo os ateus já ouviram falar do fruto proibido, Caim e Abel…
Talvez se ele não fosse tão didático, e tbm não abraçasse tantas coisas q a bíblia trata, eu tivesse gostado mais, pq dai seria mais aberto a interpretações, e não fechasse tanto na bíblica.
E o q mais me deixou triste foi ver as entrevistas do Aronofsky, ele faz questão de dizer do q se trata seu filme, enaltecendo a adaptação da hst da bíblia, ou seja, todo essa visão d q as pessoas falam q o filme é aberto a diferentes interpretações, foi jogada no lixo pelo próprio diretor kkkkk Nessas horas bate saudade de um Kiarostami da vida, esse sim fazia filme q eram completado pelos telespectadores, e quando jornalistas vinham falar com ele, sua resposta era a de q era função d quem via seus filme delegar uma leitura/interpretação. É aí q chamo a atenção para o fato d como separamos os gênios dos q não são… Até mesmo na forma como os cineastas esperam q suas respectivas artes devam ser tratadas, fica nítido o abismo entre eles.

Responder
Patrick Jane 5 de outubro de 2017 - 19:02

A cara para de dar um de Intelectual, aonde você viu que era previsível, sabe de nada.

Responder
Ricardo Gelatti 13 de dezembro de 2017 - 11:54

Pois é, Lynch faz isso também. Pra mim o filme perdeu um pouco da graça quando seguiu somente essa linha de alegoria por alegoria.

Responder
Ricardo Gelatti 13 de dezembro de 2017 - 11:54

Pois é, Lynch faz isso também. Pra mim o filme perdeu um pouco da graça quando seguiu somente essa linha de alegoria por alegoria.

Responder
Anthonio Delbon 2 de outubro de 2017 - 02:40

SPOILER (óbvio)

Um pequeno comentário…sobre alguns comentários: Ok, cada um tem sua interpretação e, como o Guilherme bem lembrou, há verdades e não uma Verdade. Mas, quando cada cidadão chega com uma interpretação que tirou das suas próprias vivências convicto de que o filme trata exatamente sobre isso, não tá na hora de parar um pouco? Não se trata de relacionamento, não se trata de psicologismo barato, ou da mulher sendo forte, ou de misoginia ou de crítica social ou de qualquer reducionismo chinfrim parte sociológico parte antropológico.

Como dizia meu avô moralista: “Isso é um filme de RELIGIÃO P***@! Mais respeito!”

Não tô pedindo censura nem falando sobre se tratar de um filme religioso-dogmático. Tô falando sobre como uma análise estritamente do ponto de vista teológico pode ser e é uma obra-prima da crítica por si só, inclusive pro ateu mais metido a besta. Vir e negar o aspecto alegórico/bíblico desse filme em prol seja lá da crença em que acredite é, basicamente, uma palhaçada. Quer desvalorizá-lo? Fale da sua pretensão ou do orgulho do Aronofsky (o que me parece outro erro, dado que uma pretensão tão gigantesca do diretor serve como um tipo de ironia metalinguística admirável e corajosa, além de bem pessimista).

Enfim, Bardem não é um psicopata e Lawrence não é uma “mulher forte/fraca etc”. Nego quer sacar o orgulho do cara, seu desejo de pureza ou o toc de limpeza e intimidade da Lawrence sempre pela chave psicológica – pra não falar de reduções piores. Ninguém tá afim de chamar um teológo não confessional? Ou melhor, um cientista da religião, pra ajudar a mastigar aos poucos esse filme?

E que cazzo a editora de Deus representa? Espírito Santo mesmo?

Belíssima Crítica (óbvio)

Abraço

Responder
Higor 8 de outubro de 2017 - 01:19

Cara, eu diria que a editora seria um profeta, já que o trabalho dela era espalhar a Palavra. Essa minha ideia me foi confirmada mais a frente quando ela se torna líder de um grupo (poderia ser visto como uma interpretadora da palavra, uma sacerdotisa que estaria, em teoria, mais perto de Deus) e acaba deturpando a Palavra, como já vimos acontecer inúmeras vezes na História.

Mas isso é só a minha interpretação =)
Espero ter ajudado.
Abraço

Responder
Anthonio Delbon 10 de outubro de 2017 - 23:56

Tô de acordo contigo @higorpr:disqus. Pensei que tinha algo a mais, pelo menos algum significado mais visível que fosse além, mas essa de ser um profeta encaixa bem.

Abçç

Responder
Pedro Lira 23 de outubro de 2017 - 09:46

As possibilidades de análise são várias, e de realizações também. Porque o diretor não preferiu botar a mulher como uma carola? ou ainda o homem respeitando a mulher?

Se você acha qualquer coisa sobre uma interpretação bíblica a hermética, tudo bem. Mas não venha aqui tolher o direito de quem consegue ir mais adiante na análise.

Acredito que uma obra a partir do momento que foi finalizada pertence ao mundo e não ao diretor. Cada um é livre pra dar um sentido às obras. Será que entendemos da mesma forma um Van gogh do que na época que foi feito? 2001 uma odisseia no espaço é compreendido com o mesmo sentido ao longo do tempo? aposto que não nos dois casos.

Enfim, bardem pode ser um psicopata sim, e a disputa dessa narrativa se dá diante de outras. Quem for mais completo e sedutor em sua análise leva o prêmio de ter sua leitura mais aceita. Se alguém diz que os dois são Ets,essa visão é fraca e perde sentido no jogo dos corações e mentes que disputam a narrativa no entendimento das obras.

E veja como esse filem é fantástico até por trazer esse tipo de debate a tona! sei que você se defendeu dizendo “Tô falando sobre como uma análise estritamente do ponto de vista teológico pode ser e é uma obra-prima da crítica por si só, inclusive pro ateu mais metido a besta.”. Mas me parece sim que o seu apelo é por esse viés de abordagem, me parece que só por caminha uma crítica vai ser bem aceita pela sua pessoa.

Isso é que é uma das maravilhas da arte. Seu sentido nunca é propriedade, ao contrário do copyright, quem cria sentido são os espectadores, o povo.

Responder
Anthonio Delbon 24 de outubro de 2017 - 19:24

@disqus_VhPdGG2mU6:disqus 2001 e Van Gogh são obras de arte qualitativamente melhores e mais complexas do que o presente filme, exatamente por darem margem à tantas coisas – e essa discussão se estende à própria forma da arte, pintura, cinema etc…nem vou entrar no mérito. Meu ponto é: Mãe! se propõe a ser uma alegoria religiosa do começo ao fim, até chegando ao ponto de cansar por não disfarçar isso.

O que você vê como uma interpretação além me soa como uma interpretação aquém. Psicopatia do Bardem, mulher forte, análises psicológicas, esses tipos de reducionismo é que se acham acima da carne seca. No fim, ou se trata de moda ou de histeria – ambas, geralmente, seculares e inteligentinhas. Em vez de agregar e ampliar a visão crítica, nada-se no raso secular e frágil exatamente num filme que nem vergonha tem de se propor como religioso.

E se você acha que eu quero calar o “povo”, censurar ou seja lá o que for, só releia o começo do meu comentário. Talvez isso seja pedir muito nessa mídia em que conversamos, nisso a gente pode concordar.

Responder
Pedro Lira 26 de outubro de 2017 - 15:44

Acho que o único reducionismo aqui é seu. Porque “Mãe! se propõe a ser uma alegoria religiosa do começo ao fim, até chegando ao ponto de cansar por não disfarçar isso”.

Bingo!

e qualquer outra análise “se trata de moda ou de histeria – ambas, geralmente, seculares e inteligentinhas”

pronto, restringi o entendimento a uma alegoria religiosa. Não me preocupo com a escolha do papel ser masculino, ou feminino, a violência praticada a porra de um pó amarelo que eu não sei o que é, a própria narrativa de criação/desconstrução, que me soa muito mais clássica grega do que religiosa.

Não tô aqui defendendo, um único sentido de análise (não religiosa), estou sim criticando a afirmação de que só por esse viés poderemos entender a obra. Sei que você não quer entrar nessa seara, mas um filme ou um quadro só pode ser compreendido em sua época de contemplação. Importa menos a intenção do seu autor do que o entendimento que o povo de determinada época terá de sua obra. Por isso os clássicos são o que são, narrativas que não perdem a força com o passar dos tempos.

Entre “calar o “povo”, censurar ou seja lá o que for” acho que você tá mais pra seja lá o que for.

Responder
Anthonio Delbon 30 de outubro de 2017 - 20:19

Seja lá o que for que você entenda por “seja lá o que for”, eu fiquei curioso: onde você viu cultura clássica grega aqui? E sim, eu afirmo que esse filme só pode ser visto com o viés religioso, caso o objetivo seja compreendê-lo o máximo possível. Tudo o que vi fora do desse tipo de interpretação foi coisa descartável, reducionista e aquém de qualquer viés religioso, e como a internet dá voz a todos – ninguém sabe o mínimo de qualificação do outro – o próprio ato de separar, como eu proponho, o que na minha visão é claramente joio do trigo, logo é visto como censura. Mas sério, onde há cultura grega clássica no filme?

MATHEUS 6 de dezembro de 2017 - 19:26

Em Brimstone, a predominância com o qual foi tratado o feminino foi bem polarizada, pelo senso comum, oprimido, injustiçado, humilhado.
Em Mãe, houve nobreza, um feminino majestoso, quase divino, sem abrir mão de ser um gênero amaldiçoado.
Agora entendi como um filme que traz aspectos teológicos pode ser construído de uma forma mais nuançada, INSANAMENTE mais nuançada.

Abç, Delbon!

Responder
Anthonio Delbon 8 de dezembro de 2017 - 14:43

Oi @disqus_qE59w7hrvD:disqus! Comparando os dois filmes, sim, acho que Mãe! trata o viés teológico de uma forma muito mais interessante mesmo, ainda que exagere no simbolismo, ao meu ver. Como filme, eu até prefiro Brimstone. Mas Mãe! traz uma discussão muito mais rica, principalmente se ficar dentro desses aspectos teológicos. O próprio simbolismo da mulher é aqui mais complexo, mas mais do que polarizar entre mulher/homem, o que me soa mais interessante é ver as percepções de natureza humana trazidas por esses dois ótimos filmes.

Um abraço! Bom te encontrar por aqui também haha

Responder
MATHEUS 8 de dezembro de 2017 - 23:52

”mas mais do que polarizar entre mulher/homem, o que me soa mais interessante é ver as percepções de natureza humana trazidas por esses dois ótimos filmes.”

Sim senhor, muito foda. Mãe! pra mim foi mais fundo porque além de trazer essas percepções, foi bem mais imersivo no sentido de mostrar como foi construída todas essas perspectivas humanas a partir de premissas extremamente antagônicas e aqui entra a genialidade do diretor. Mas tratando de gênero em si, o filme não deixa espaço p/ divergências, eu achei ele bem polarizado e não o diminuo por isso, porque por mais que ele nos mostre descaradamente, do inicio ao fim, o sofrimento do feminino tornando-o praticamente descartável ao mesmo tempo ele nos diz o quão numinoso é. O título deixa isso bem claro!
:]

Responder
MATHEUS 8 de dezembro de 2017 - 23:52

”mas mais do que polarizar entre mulher/homem, o que me soa mais interessante é ver as percepções de natureza humana trazidas por esses dois ótimos filmes.”

Sim senhor, muito foda. Mãe! pra mim foi mais fundo porque além de trazer essas percepções, foi bem mais imersivo no sentido de mostrar como foi construída todas essas perspectivas humanas a partir de premissas extremamente antagônicas e aqui entra a genialidade do diretor. Mas tratando de gênero em si, o filme não deixa espaço p/ divergências, eu achei ele bem polarizado e não o diminuo por isso, porque por mais que ele nos mostre descaradamente, do inicio ao fim, o sofrimento do feminino tornando-o praticamente descartável ao mesmo tempo ele nos diz o quão numinoso é. O título deixa isso bem claro!
:]

Responder
Anthonio Delbon 8 de dezembro de 2017 - 14:43

Oi @disqus_qE59w7hrvD:disqus! Comparando os dois filmes, sim, acho que Mãe! trata o viés teológico de uma forma muito mais interessante mesmo, ainda que exagere no simbolismo, ao meu ver. Como filme, eu até prefiro Brimstone. Mas Mãe! traz uma discussão muito mais rica, principalmente se ficar dentro desses aspectos teológicos. O próprio simbolismo da mulher é aqui mais complexo, mas mais do que polarizar entre mulher/homem, o que me soa mais interessante é ver as percepções de natureza humana trazidas por esses dois ótimos filmes.

Um abraço! Bom te encontrar por aqui também haha

Responder
Breno Do Nascimento Espindola 1 de outubro de 2017 - 14:13

ALERTA DE SPOILER – Se você ainda não viu o filme, recomendo não ler.

O fato do filme possibilitar múltiplas interpretações é realmente incrível. A minha interpretação também foi na linha do filme retratar situações da vida em geral, focando principalmente nos momentos de um relacionamento. Mas consigo ver também os elementos bíblicos, que fazem muito sentido, porém só consegui ler o filme dessa forma depois de ver interpretações de outras pessoas.

O que me chamou mais atenção no filme, e que achei mais incrível, foi a estratégia adotada por seus criadores. No meu modo de ver o filme é feito para te fazer sentir como a mulher se sente nas situações.

O marido só vê a mulher em casa, então o mundo do relacionamento é a casa, a mulher só fica em casa, esse é o mundo dela. Por isso o cenário do filme é apenas a casa, fora da casa, só existe mundo até onde a vista alcança, e quando os personagens saem da casa eles desaparecem.

A casa é a mulher, e tudo que acontece nela está relacionado com os sentimentos da mulher.

Quando ela presencia uma situação horrível de assassinato o mundo fica mais feio pra ela, e o filme ganha contornos de filme de terror. Fazendo o expectador se sentir horrorizado e assustado também, assim como a mulher.

Quando ela olha para as paredes da casa, ela vê seu próprio coração, que se torna mais escuro conforme ela fica mais amargurada com as decepções da vida e do relacionamento.

Quando ela está grávida os hormônios ficam a mil, e tudo fica exagerado, os sentimentos muito mais intensos, e o filme ganha contornos intensos também, fazendo o expectador ter emoções intensas assim como a mulher do filme.

Os momentos próximos ao parto são extremos, alguns partos podem parecer uma guerra, ser uma confusão, e nesse momento o filme se torna numa guerra também. Tudo isso misturado com o fato dela se sentir invadida pelo assédio dos fãs de seu marido. Quando nasce o filho a confusão passa, e temos um momento de silêncio, serenidade, mas o assédio continua lá, e continua incomodando. Até que vem a morte do filho, uma das coisas mais horríveis que pode pode acontecer e o filme se torna horrível também. O coração dela se torna totalmente amargurado, ela culpa os fãs de seu parceiro, os vê como pessoas terríveis. E também vê eles com uma devoção tamanha que lhe parecem uma seita, e assim eles são retratados. Ela não consegue perdoar eles pela morte do filho, e a vontade dela é matar todos, de tanto ódio que está sentindo e o filme retrata isso também. E também a impotência que ela sente, sente-se violentada e machucada.

No começo do filme vemos ela reconstituindo a casa, para ficar igual a uma casa que marido morou. Isso pra mim representa a mulher se moldando (pois ela é a casa) para ficar do jeito que o marido gosta. A mulher é a casa do marido, o porto seguro, seu lar, como ele mesmo fala no final.

Quando a mulher sente alguma mágoa, se sente ferida, surge uma ferida na casa também, que sangra, e cicatriza quando ela se sente melhor, e volta a abrir quando novamente ela está magoada.

No fim, ela percebe que marido não a ama da mesma forma que ela ama ele. E decide terminar o relacionamento, acabar com tudo. Acabar com esse lar que ela é. Isso a machuca muito, e no final de tudo, ela deixa algo muito valioso para o marido, a experiência de ter vivido um amor. E isso é o que a pedra representa. Quando ele coloca a pedra no altar tudo se reconstrói, é um novo amor sendo constituído, as experiências do amor antigo servindo para construir um novo amor.

O filme, apesar se ser focado na mulher, é sobre os relacionamentos do marido. Por isso, ela morre no final, como se ela tivesse morrido pra ele (saído da vida dele), e uma nova mulher surge, um novo relacionamento.

O marido, parece só querer ser amado, sem ser capaz de amar plenamente. Ele se sente realizado quando, ao morrer, a mulher entrega seu amor para ele guardar novamente, como uma relíquia. Essa realização é mostrada em seu olhar ao final do filme, assim como a primeira cena do filme, dando a ideia de um ciclo que se repete.

Responder
planocritico 1 de outubro de 2017 - 15:21

Essa é uma forma válida de se interpretar o filme, mas que não abraça tudo o que está lá de maneira orgânica. O que significa o ferimento nas costas de Ed Harris quando ele está vomitando no banheiro? E a presença de Pfeiffer? E dos filhos dos dois, em que um mata o outro? E o bebê sendo literalmente comido? Quando mergulhamos nesses pontos e tentamos fazer uma coisa se encaixar na outra, creio que a conclusão de que Aronofsky fez uma espécie de resumo do Velho e Novo Testamentos na estrutura de um drama psicológico de horror é inescapável.

Abs,
Ritter.

Responder
Breno Do Nascimento Espindola 2 de outubro de 2017 - 01:08

Verdade! Obrigado pela resposta.

Um filme que toca o emocional e faz pensar.

E, além disso, uma obra de arte.

Valeu a pena!

Parabéns, pelo site de crítica. Muito legal. Um ambiente bem rico. O que li aqui contribuiu para enriquecer ainda mais minha experiência com relação ao filme.

Responder
Evandro Maia 8 de outubro de 2017 - 12:06

breno, acho que vimos o mesmo filme…abç

Responder
Wendell Santana 29 de setembro de 2017 - 09:01

Filme maravilhoso. Um dos melhores do ano. A interpretação do site é bem alinhada com a proposta do diretor, mas o filme é tão bom e bem escrito que abre margens para outras interpretações.
Minha interpretação do filme antes de ler qualquer assunto sobre ele era de que o longa retrata o nascimento e a morte de um relacionamento.
O personagem do Javier seria um psicopata que atrai diversas mulheres para um tipo de relacionamento que faz com que elas se entreguem a ele com um amor tão profundo que chega a ser parecido com o de uma mãe. Para fundamentar essa ideia eu lembrei que durante o filme a personagem da Jennifer cuida dele com um cuidado extremo como se ele fosse um filho mesmo.
Ademais, a casa seria a própria Jennifer que tenta se cuidar e ser a melhor figura para o esposo após ele ter perdido a mulher anterior (lembrem da mulher queimada no início do filme).
Os habitantes da casa são os medos, inseguranças, os desejos escondidos e preocupações da personagem de Jennifer que em um certo momento daquele relacionamento doentio (lembrando que o filme mostra diversas vezes que ele é um cara egocêntrico e que pensa mais nele do que em qualquer outra coisa, a ponto de usar a esposa da maneira como ele quer) “surtam” com as cobranças do marido psicopata.
Ela sucumbi a ponto de se matar ou de matar o relacionamento, isto é, ela se liberta ao entregar o coração dela para o psicopata interpretado pelo Javier Bardem que se alimenta disso para ir atrás de outra vítima que é interpretada pela nova mulher que surge ao final da projeção.

Responder
Davi Castiho 28 de setembro de 2017 - 00:48

Alguém tem alguma possivel interpretação para a editora do Bardem? Ela aparece como uma amiga dele, depois aparece matando pessoas com os rotos cobertos depois manda matar a Lawrence! Ainda não consegue entender o papel dela na alegoria.

Responder
Kelvin Moreira 1 de outubro de 2017 - 04:13

Olha, eu interpretei ela como a metáfora dos apóstolos. Se Deus escreveu o “novo testamento” (representado pelo poema), a editora (pensando na função dela, de reescrever passagens, melhorar o texto, etc) pode ser uma representação dos apóstolos, que teoricamente é quem tiveram esse papel de editores…

Responder
planocritico 1 de outubro de 2017 - 15:17

Eu acho que é o Espírito Santo.

Abs,
Ritter.

Responder
Kevin Kempner 2 de outubro de 2017 - 13:17

Seria ela a Igreja Católica ou simplesmente a “religião”? Foi colocada como editora em razão de Igreja ser a responsável pela interpretação dos textos bíblícos e por pregar aquelas palavras. Idolatra o Poeta (Deus) e depois mata em seu nome. Me parece bem possível.

Responder
Letícia 27 de setembro de 2017 - 23:24

Que hino de filme!!!!!!!!! Quanto tempo não assistia a algo que mexesse tanto. Fiquei completamente atordoada com tudo. Sai da sala do cinema refletindo e fazendo altas teorias. Não consegui parar de pensar sobre até agora.

Responder
Bruno [FM] 27 de setembro de 2017 - 17:17

Eu particularmente não sei ONDE existe referência bíblica nesse filme como li em vários lugares. Se o diretor quis fazer alguma analogia, acho que fez da forma mais incoerente e relativa possível.

>>>>>>>>SPOILER<<<<<<<<

Pra mim, a casa é o coração da "mãe" (personagem da Jennifer Lawrence), como o próprio marido disse no final enquanto carregava ela no cólo. Por isso toda vez que ela colocava o ouvido na parede, via a imagem de um coração (era o dela).

A invasão de PRIVACIDADE é o que mais perturba nesse filme. Coisas pessoais, sendo tocadas por estranhos a todo momento mexe com o psicológico de qualquer um. Justamente por situações saírem do controle e entrarem na "casa" sem serem convidadas. O filme expressa uma espécie de prisão, dentro de um ciclo interminável de relacionamento frustrado. Inversão de valores na vida pessoal e amorosa.

Melhor frase pra mim: "Você nunca me amou, você só amou o meu amor por você."

Enfim, achei um pesadelo tão complicado, pra expressar algo tão simples.

Responder
planocritico 27 de setembro de 2017 - 23:35

Cara, deixa eu tentar te ajudar nas referências bíblicas:

SPOILER

SPOILER

SPOILER

SPOILER

SPOILER

SPOILER

1. Bardem tem um lampejo de criatividade e Harris logo aparece, com Bardem admirando do nada o cara. Harris é Adão, criação de Deus e da qual ele sente orgulho.

2. Bardem ajudando o Ed Harris no banheiro, enquanto ele vomita. Vemos um ferimento nas costas de Harris, na altura da costela, que Bardem logo esconde. É a costela de Adão que ele acabou de tirar;

3. Logo na manhã seguinte, chega a Pfeiffer, obviamente a Eva criada a partir da costela. Ao mesmo tempo, ela é sinistra e diabólica, representando duplamente o diabo e o pecado em pessoa. Harris e Pfeiffer transam.

4. Logo em seguida, aparecem os dois filhos do casal. Eles brigam e um mata o outro. Cain matou seu irmão Abel, ambos filho de Adão e Eva.

5. O final do enterro de “Abel”, com os convidados sentados na pia ignorando os pedidos da Mãe Natureza. Resultado: água para todos os lados. Ou seja, o Dilúvio.

6. Bardem acaba seu poema/livro. É o Novo Testamento.

7. Lawrence tem um filho. Seu papel de Mãe Natureza é duplicado e ela se torna também outra mãe, Maria, mãe de Jesus.

8. A criança recebe presentes = os Três Reis Magos.

9. A criança é reverenciada por todos e, depois, morta e comida. Comunhão: sangue e corpo de Cristo.

Tem mais um caminhão de coisas, mas, se você parar para pensar, é absolutamente irrefutável a alegoria bíblica, o que de forma alguma quer dizer que não podem haver outras interpretações que também se encaixem na história, ainda que a questão bíblica ganhe sempre de todas.

Abs,
Ritter.

Responder
Bruno [FM] 28 de setembro de 2017 - 11:26

Interessante!

Mas mesmo assim, acho que Darren Aronofsky colocou essas referências de forma muito SUBJETIVA no filme. De forma que agora nós sabemos que existem apenas porque ele declarou em entrevista acho, ou por já ter apresentado essa característica em outros filmes.

Achei muito relativo as referências bíblicas. Pra mim quando apareceu um irmão matando o outro não necessariamente seria uma analogia a Caim e Abel (Pra mim, pareceu mais o programa “Casos de Família” com Marcia Goldsmith). Mas se o diretor disse que teve intenção de que fosse uma referência a Caim e Abel, quem sou eu pra dizer que não né.

Pra mim, com ou sem referência bíblica, esse filme expressou uma grande cadeia emocional/psicológica.

Responder
planocritico 28 de setembro de 2017 - 13:06

Se fosse um evento só, como a morte de um irmão pelo outro, ok. Mas todos esses eventos e na ordem em que eles são mostrados, creio que não seja uma interpretação subjetiva ou algo escondido por Aronofsky, mas sim a única forma possível de dar sentido a todos os eventos do filme ao mesmo tempo.

Abs,
Ritter.

Responder
Wendell Santana 29 de setembro de 2017 - 09:04

Não diria a única forma de dar sentido ao filme, mas a interpretação do site e do diretor é coerente e foi a intenção inicial. Basta procurar na internet outras teorias e até eu publiquei uma no site também.

Bruno [FM] 29 de setembro de 2017 - 18:13

“Não diria a única forma de dar sentido ao filme” – É nesse sentido que quis dizer sobre a interpretação do filme ser subjetiva. Acredito que o diretor deixou assim de propósito inclusive.

A interpretação é pessoal. Assim como a pintura de um quadro é interpretado de formas diferentes.

planocritico 29 de setembro de 2017 - 18:57

@bruno_fm:disqus e @wendellsantana:disqus , vejam que eu qualifiquei o meu “única forma possível de dar sentido ao filme” dizendo que é a “única forma possível de dar sentido A TODOS OS EVENTOS DO FILME AO MESMO TEMPO”. Falo de tudo mesmo, desde o ferimento nas costas do Ed Harris até o fogo ao final. Mas, se vocês tiverem outra interpretação que faça tudinho se encaixar, gostaria muito de conhecer!

Abs,
Ritter.

Yannick T. Messias 4 de outubro de 2017 - 01:31

O diretor é inteligente ao pincelar (no mínimo) as referências bíblicas durante o filme de uma forma que não ficasse muito escrachado e desse espaço pras outras interpretações, que também agregam muito ao filme e são muito válidas. Mas se ao final do filme você não consegue reconhecer as referências e que elas são a principal analogia do filme, o que é incontestável, você é no mínimo muito tapado, sendo educado.

Kelvin Moreira 1 de outubro de 2017 - 04:16

Mano, se você não entendeu o plot do bebê sendo entregue pelo pai (Deus) para o povo, para ser aclamado nas alturas e depois morto pelo povo (como Jesus) e depois ter seu corpo e sangue comido em frente a um altar ritualístico (como na comunhão, onde os católicos comem literalmente “o corpo e o sangue de Cristo), então desiste, porque essa foi a coisa mais explícita do universo.

Responder
Jose Claudio Gomes Souza 26 de setembro de 2017 - 21:00

Assisti ao filme hoje e agora, quatro horas após o término da sessão, ainda estou com suas imagens na cabeça. Ainda não consigo definir o tipo de sensação causada por ele. Há muito tempo um filme não provoca em mim o que este filme provocou. Realmente vai ser o tipo de filme que você ama ou odeia (e confesso que estou pendendo para a primeira opção). Só digo uma coisa: assista e tire suas conclusões; não se deixe levar por críticas especializadas e mergulhe de cabeça nessa alegoria que o diretor nos oferece.

Responder
MC Brinquedo 26 de setembro de 2017 - 12:11

O que matou o filme foi o mesmo ter sido vendido como um simples terror psicológico. Com sorte deve se pagar. By the way, achei pavoroso de ruim mas a crítica está excelente! Vem ni mim, Kingsman 2!

Responder
Bruno [FM] 26 de setembro de 2017 - 10:37

Se você vai numa exposição de arte, olha para aquele monte de quadros abstratos, finge que está amando o programa diferentão e cultural, mas na verdade não está entendendo absolutamente NADA que o pintor quis expressar com aquele monte de tonalidade de cores, luz e sombras. Se você olha pra Monalisa e acha ela nada mais que uma mulher sortuda. Bem provável que você vai ODIAR esse filme!

Nunca vi algo igual no cinema. Não sei dizer se gostei, ou se odiei. Mas só sei que sai da sala com a mente girando tentando entender se Pablo Picasso tinha tentado pintar um quadro em forma de filme e não sabia!

Consegui captar ao menos alguma coisa desse pesadelo todo no enredo de Darren Aronofsky. Que loucura! Não é a toa que o cartaz do filme é (propositalmente) uma pintura. Filme cheio de simbolismo, metáforas, antíteses, onomatopéias e os “caraleo a 4”. Tudo bem louco, mas que dá pra tirar sim algum proveito.

E o que tem de gente VIAJANDO em teorias agora […]

Responder
Diogo Maia 25 de setembro de 2017 - 20:49

Filmaço. Ainda bem que fui pro cinema sem saber praticamente nada da obra. E não é que vou descobrindo, filme a filme, que o Darren Aronofsky pode ser meu novo diretor favorito? Só falta ver Fonte da Vida.

Responder
Fernando Mendonça 25 de setembro de 2017 - 14:14

Assisti o filme ontem. Me deixou arrepiado, angustiado nem sei ao certo. Coloco no topo dos filmes do Aronofsky juntamente com Réquiem. Vale a pena assistir até mais de uma vez.

Responder
planocritico 25 de setembro de 2017 - 21:57

Concordo!

– Ritter.

Responder
Luiza Mattos 25 de setembro de 2017 - 00:21

Estou tão feliz pq encontrei uma interpretação exatamente igual à minha! Li varias críticas ruins na internet e to muito feliz em achar essa aqui. Acabei de ver o filme com meu namorado e ele simplesmente detestou e eu, pelo contrário, estou arrepiada até agora. Concordo com vc que esse filme é uma obra prima, mas não vou indicá-lo para qualquer um, acho que ele exige certa sensibilidade.

Responder
Helio veloso 25 de setembro de 2017 - 15:44

Bora criar um grupo de cinefilos

Responder
jv bcb 24 de setembro de 2017 - 00:03

E eu achando que o Nolan tinha feito o melhor filme do ano, a que tudo indica esse titulo deve ficar com o Aronofsky, que aliás, fez o melhor filme de sua carreira, o segundo melhor da década e o terceiro melhor do século(bem curto diga-se de passagem).
Minha interpretação só difere da usa pois eu acho que na verdade a protagonista representa a mãe natureza. Mas sua interpretação de um ser o Alfa e o outro o ômega é muitíssimo interessante.

Responder
Helio veloso 25 de setembro de 2017 - 15:50

Nossa poderia dizer o nome dos outros filmes?

Responder
jv bcb 26 de setembro de 2017 - 10:06

Melhor da década e do século para mim é Arvore da Vida, segundo melhor do século é Sangue Negro.

Responder
Helio veloso 27 de setembro de 2017 - 06:28

Entendi sangue negro é sensacional, ainda não assisti fonte da vida

Responder
Yannick T. Messias 4 de outubro de 2017 - 01:36

Árvore da Vida!?!? Completamente na contramão de Mother!, pra mim esse filme é só pretensão pura em mão incompetentes, mal consegui assistir até o final porque não tava aproveitando em nada.

Responder
Ricardo Gelatti 13 de dezembro de 2017 - 11:34

Acho que ele confundiu Fonte da vida com Árvore da vida.

Yannick T. Messias 13 de dezembro de 2017 - 19:35

Acho que não, se ele diz que Mother! é o melhor filme do Aranofsky seria incoerente dizer que Fonte da Vida é o melhor do século, até porque são filmes do mesmo diretor e mesmo século. Ademais, Fonte da Vida é um filme muito bom, mas não é pra tanto.

Ricardo Gelatti 15 de dezembro de 2017 - 10:32

Mas Árvore da vida não é de Aronofsky.

Yannick T. Messias 15 de dezembro de 2017 - 18:31

Você leu o que eu escrevi? Fonte da Vida é um filme do Aronofsky, Árvore da Vida não. Estou argumentando quanto ao porquê de eu não acreditar que o nosso colega confundiu Fonte da Vida com Árvore da Vida, como você sugeriu, porque seria incoerente com o que ele está afirmando.

Yannick T. Messias 15 de dezembro de 2017 - 18:31

Você leu o que eu escrevi? Fonte da Vida é um filme do Aronofsky, Árvore da Vida não. Estou argumentando quanto ao porquê de eu não acreditar que o nosso colega confundiu Fonte da Vida com Árvore da Vida, como você sugeriu, porque seria incoerente com o que ele está afirmando.

Yannick T. Messias 13 de dezembro de 2017 - 19:35

Acho que não, se ele diz que Mother! é o melhor filme do Aranofsky seria incoerente dizer que Fonte da Vida é o melhor do século, até porque são filmes do mesmo diretor e mesmo século. Ademais, Fonte da Vida é um filme muito bom, mas não é pra tanto.

Pedro Henrique Vieira Vasconce 23 de setembro de 2017 - 23:47

SPOILERS!!!!!

Parando para analisar o que cada personagem representa, ao mesmo tempo que separados são perfeitas críticas sobre nosso mundo, também senti que essa mistura do Deus bíblico bipolar com a mãe natureza que também é a Virgem Maria torna o certas idéias do filme meio “megalomaníacas” demais. Um outro exemplo seria o cristal que, representa tanto a maça proibida do Éden quanto o último gesto de amor da mãe natureza que permite Deus refazer tudo. Talvez por eu ser católico eu acabe estranhando essa mistura de elementos e críticas que o filme entrega, mas não tira o mérito do diretor e dos atores terem feito um filme tão bom e que te faz continuar pensando depois de sair do cinema.

PS: Alguém consegue me explicar o final do filme, quando a Mãe explode tudo e o coração dela vira um fucking cristal (que por sinal também é o fruto proibido)?!?!

Responder
Lucas Melo 25 de setembro de 2017 - 18:03

Poderia ser o recomeço? No início do filme, algo deu errado e tudo se início novamente. O filme narra a “bíblia” como nós conhecemos. E a criação, nós, demos errado novamente. Então a “Mãe natureza” da ao Criador a inspiração para criar novamente. Sei la o filme é doido kkkk

Responder
planocritico 25 de setembro de 2017 - 21:58

Acho que é por aí mesmo. Como na crítica: Alfa e Omega.

Abs,
Ritter.

Responder
Ricardo Gelatti 13 de dezembro de 2017 - 11:33

Na verdade, a “mãe natureza” sempre fica mudando. No ínicio do filme era uma, durante o filme era outra e ao final do filme muda novamente.

Responder
Helio veloso 23 de setembro de 2017 - 18:49

alguem podia criar um grupo de cinefilos no whatsapp.

Responder
Elance Rangel 22 de setembro de 2017 - 23:33

Eu to muito ansioso pra ver o filme. JLaw é minha atriz favorita e torço pra mais uma indicação ao óscar pr ela. Mas, não entrou no cine aqui da minha cidade… Vou ter q esperar chegar na net! Enfim, expectativa altíssima.

Responder
planocritico 23 de setembro de 2017 - 06:12

Olha, eu não sou muito fã da atriz, mas reconheço que a atuação dela aqui está espetacular. Não perca!

Abs,
Ritter.

Responder
Junior Cesar 22 de setembro de 2017 - 13:07

Um lixo!!! Nem olhando de longe é um filme de terror ou um triller psicológico como o filme quer ser vendido para ter algum público, já que não foi feito para este. É apenas um filme feito para críticos e pseudos intelectuais que vão rotular de obra de arte e divagar sobre as alegorias e figuras de linguagem bíblicas utilizadas no filme, um clichê na pretensão de polemizar já que não existe competência para algo realmente criativo. Polemizar com ilustrações bíblicas beira o óbvio!. Para o grande público que procura diversão e entretenimento ZERO … O filme é chato, são 2 horas de algo tosco, idiota, sem sentido em que é possível apenas rir do grotesco se você conseguir ficar até o final para não desperdiçar o valor do ingresso.

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planocritico 22 de setembro de 2017 - 14:18

Entendo perfeitamente sua reação extremada. Só não concordo que o filme é feito para crítico e que o público em geral não vai gostar. Eu mesmo vivi esse exemplo, pois assisti com minha esposa que não tem nada de crítica e ela adorou incondicionalmente. Ao conversamos, vi que a interpretação dela foi BEM diferente da minha – e diferente não quer dizer errada, que fique claro – e que nós havíamos gostado igualmente por razões completamente diversas.

Não sei se é tão óbvio assim resumir o Velho e o Novo Testamento em uma estrutura claustrofóbica de filme de horror. Nunca foi feito antes e acho que não dá para negar a eficiência da técnica do Aronofsky em criar momentos de pura claustrofobia.

Mas, novamente, entendo quem odiar o filme.

Abs,
Ritter.

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Ruqui 22 de setembro de 2017 - 19:28

Bom… e Begotten? Não vi Mother ainda, mas pelo que falam lembra bastante esse…

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planocritico 25 de setembro de 2017 - 16:47

Lá longe, são mesmo em tese parecidos, mas Begotten é trash demais…

Abs,
Ritter.

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Andrew 22 de setembro de 2017 - 00:20

Plano Critico, me ajuda nisso, Estou querendo muito ir ver o filme, gosto muito de filmes complexos e autorais. MAS estao falando que o filme é realmente muito pertubador, e que principalmente seus 30 minutos finais sao pessadissimos.

Eu tenho conciencia do quao realista e pertubadora uma cena pode ser nas maos de Darren Aranofski ( Requiem para um sonho realmente me marcou de uma forma boa e ruim tambem)

Em fim Plano Critico, devo ir assistir no cinema ?

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Guilherme Coral 22 de setembro de 2017 - 00:32

Cara, tem uma cena que pode ser perturbadora ao final, mas que não é nada tão horrível assim a ponto de não ser aconselhável ver

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Dani E Sandro 21 de setembro de 2017 - 11:02

ALERTA DE SPOILER ALERTA DE SPOILER ALERTA DE SPOILER
ALERTA DE SPOILER

Cara, adorei a crítica. Ótima percepção do filme. Contudo, tive outra interpretação da obra. Para mim, a casa simboliza o próprio trabalho artístico do poeta, sendo a sua esposa a musa inspiradora/ a ideia. A partir do momento que o poeta lança o seu trabalho, o público passa a compartilhar toda a sua intimidade, por isso que a casa não mais lhe pertencia (as pessoas debochavam da personagem da Jennifer Lawrence quando esta afirmava que a casa era dela). Observei, também, que a poesia/arte pode gerar revoluções e, ao mesmo tempo, repressão por parte do Estado (Notei isso quando uma mulher manda matar a fonte de inspiração do poeta/ o mesmo que queimar livos nos regimes totalitários). Confesso que houve alguns elementos que ainda não compreendi (é um filme que precisa ser assistido mais de uma vez). Enfim, essa foi a minha percepção. De qualquer modo, achei o filme uma obra prima do cinema. Melhor filme do ano até então. Forte abraço.

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planocritico 22 de setembro de 2017 - 00:03

@daniesandro:disqus , SPOILER SPOILER

SPOILER

SPOILER

Saí do cinema com a exata mesma interpretação. No entanto, lendo aqui a visão do Guilherme, percebi que essa interpretaçaõ não é completamente conciliável com a questão da musa inspiradora. E o elemento que me fez concluir dessa maneira em retrospecto é bem discreto, quase imperceptível: lembra quando o Ed Harris está vomitando e Bardem está ajudando e a JL vê o ferimento nas costas dele que é escondido pela mão de Bardem? Pois bem: é a costela de Adão, que acabou de ser retirada.

Quem aparece logo depois? Michelle Pfeiffer. Ou melhor, Eva. E fazendo o papel duplo de Lucifer. A partir daí, tudo se encaixou para mim!

Abs,
Ritter.

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Bárbara Choupina 23 de setembro de 2017 - 08:49

SPOILER
Ninguem ficou c a ideia de q a personagem da J. Lawrence representava a mãe natureza? E q o filme retrata o modo como a sociedade actual a trata, com desprezo sem qualquer tipo de valorização? E q a personagem do Bardem seria o seu criador e na qual ve inspiração? Não sei, foi a interpretação que fiz estava à procura de uma explicação para o nome “Mãe” e foi o q encontrei 🙂

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jv bcb 24 de setembro de 2017 - 00:15

Pensei exatamente isso quanto a mãe natureza, além da casa ser o planeta, mas acho que o Barden não representa só o seu criador, seria Deus, Ed Harris seria Adão e Michell Pfeiffer seria Eva, não atoa ele não tem a costela, ela é curiosa e faz ele quebrar o cristal, sendo expulsado daquela sala(o cristal no começo seria a maçã, a sala o eden), e os filhos dos dois seriam caim e Abel, pois um mata o outro, assim como os dois filhos de Adão e Eva. O filho deles seria Jesus, não atoa eles recebem presentes quando ele nasce, ele no começo é adorado pela multidão e depois morto pela mesma.

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planocritico 25 de setembro de 2017 - 04:45

E o corpo dele é comido, como na comunhão. – Ritter

planocritico 24 de setembro de 2017 - 06:57

Acho que ela tem um papel duplo de mãe. Primeiramente, claro, o de mae natureza. Depois, ela faz as vezes da mãe de Jesus, Maria.

Bardem é Deus, criador de tudo, inclusive da mãe natureza.

Abs,
Ritter

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Felipe Naps 24 de setembro de 2017 - 21:01

spoiler
SIM!! E os dois irmãos, um mata o outro, Caim e Abel.

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Matheus Lima 21 de setembro de 2017 - 01:51

To querendo ver, mas minhas experiências psicológicas com Réquiem Para um Sonho e Cisne Negro foram devastadoramente muito intensas para mim. Estou nessa dúvida, com medo de acabar caindo em uma crise ou algo do tipo

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planocritico 22 de setembro de 2017 - 02:30

Requiem e Cisne são filmes mais psicológicos do que Mãe!, mas realmente não saberia dizer se ele pode te afetar de uma forma negativa.

Abs,
Ritter.

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Helio veloso 23 de setembro de 2017 - 18:51

verdade requiem foi pertubador , ja cisne negro fala mais da obcessao da personagem, mas sao dois fimes nota 10

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thiago 21 de setembro de 2017 - 00:08

Tenho medo de ir e odiar esse filme, não sei o q fazer, cinema tá caro…🤔

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planocritico 22 de setembro de 2017 - 02:29

Você não sairá indiferente da experiência pelo menos, pode ter certeza. E isso é muito mais do que eu posso dizer de um caminhão de filmes por aí…

Abs,
Ritter.

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thiago 22 de setembro de 2017 - 05:17

Vlw Ritter.

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Star_Killer 20 de setembro de 2017 - 20:46

To curioso pra ver esse filme, pelo jeito é um filme que você ama ou odeia.

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planocritico 22 de setembro de 2017 - 02:28

Certamente é um filme dessa categoria polarizante. Não consigo vislumbrar um meio-termo.

Abs,
Ritter.

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Lucia Maria Miranda 20 de setembro de 2017 - 16:18

…. Tenho um ingresso cortesia para o cinemark e quase aproveitei indo ver o acrobata Cruise e suas peripécias, mas depois de ler aqui e ler ali, acabei desistindo. Cruise pode ser maluco, quase fantástico, mas são esses filmes subjetivos que de fato fascinam meu intelecto, o tal do é, mas não, quem sabe, pode ser, todavia…. Apesar que pela minha lógica é um filme mais Lawrence do que Bardem, estou ansiosa pelo embate e pelo entrave e afinal de contas por saber quem de fato está são ou quem de fato pirou faz tempo.

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Guilherme Coral 20 de setembro de 2017 - 18:21

A protagonista é a Lawrence mesmo, o filme todo é praticamente sob o ponto de vista dela. Vale muito a pena ver no cinema!

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Jotafar 20 de setembro de 2017 - 14:16

Concordo com tudo; vi o filme na pré-estréia, ele não é fácil (e que bom!), mas é um retrato fortíssimo do que somos enquanto humanos perdidos aqui nesse mundo!

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Guilherme Coral 20 de setembro de 2017 - 18:17

Já tem muito filme mastigadinho por aí!

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Alice Olivia 20 de setembro de 2017 - 13:59

Até agora vocês são os únicos que ousaram em falar bem dele, pois o resto fez o contrário: chamaram de o pior filme da década.

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paulo ricardo 20 de setembro de 2017 - 18:17

Cineplayers , um cara deu nota 7,5 e outro 4,0 , vai do gosto do freguês hehehehehe

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Guilherme Coral 20 de setembro de 2017 - 18:18

Mesmo não gostando do filme, chamar de pior da década é um exagero sem tamanho.

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curiosa gospel 21 de setembro de 2017 - 17:31

isso talvez queira dizer que o filme não é bom mesmo

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jv bcb 24 de setembro de 2017 - 00:22

Muitos críticos falara bem, Pablo Villaça deu 5 estrelas, Tiago Belotti deu 9.2, Raphael Santos e Jurandir Filho do cinema com rapadura deram 10, no Metacritc ta na casa dos 70(média boa, tem muito obra prima com essa média por lá).

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