Home FilmesCríticas Crítica | Mais Forte que o Mundo – A História de José Aldo

Crítica | Mais Forte que o Mundo – A História de José Aldo

por Lucas Nascimento
162 views (a partir de agosto de 2020)

estrelas 3

Cinema de gênero é uma área na qual o Brasil vai pouco a pouco expandindo seus horizontes para o grande público, que parece mais interessado em thrillers policiais ou comédias pastelão. É importante que o cinema nacional aposte em novos gêneros para a massa (quem acompanha o circuito independente sabe da grande variedade), e eis que agora temos uma produção totalmente mergulhada no gênero dos filmes de luta competitiva na forma de Mais Forte que o Mundo – A História de José Aldo.

Como o próprio subtítulo já nos informa, acompanharemos a história de José Aldo (vivido aqui por José Loreto), um sujeito de criação difícil em uma região de risco de Manaus. Filho de uma mãe esforçada e de um pai alcoólatra abusivo, José se muda para o Rio de Janeiro para perseguir seu sonho de entrar na luta competitiva profissional, que culmina no famoso campeonato do UFC.

Fazer um filme desses é pura fórmula. Basta observar filmes como a franquia Rocky, Guerreiro ou até mesmo O Vencedor. Cada um deles aborda as viradas de história e os inevitáveis clichês de maneiras diferentes, sendo interessante como Creed: Nascido para Lutar usou a passagem de gerações enquanto o filme de David O. Russell apostava forte nas relações familiares entre os personagens ali. Já Afonso Poyart (que também assina o roteiro) traz uma abordagem com resultados duplos. Por um lado, temos a fascinante exploração da psíque de José Aldo, que manifesta em um ringue imaginário e um oponente a lá Tyler Durden (o ótimo Rômulo Arantes Neto) todas as suas descargas emocionais; Aldo literalmente sai na porrada com seus problemas pessoais. Esse conceito funciona bem e é favorecido pela criatividade visual de Poyart (há uma câmera subjetiva em uma corda que é brilhante).

Porém, quando acompanhamos a jornada mais “convencional” de montagens de treinamento e conflitos emocionais que não se resolvem na pancadaria, Poyart apela demais para um melodrama que desconhece o conceito de sutileza. Todo o arco que envolve a relação com Viviane (Cleo Pires, no piloto automático) e o vai e vem com a situação de seu pai em Manaus acabam soando repetitivos e excessivamente dramáticos (leia-se, piegas), o que se dá também pela condução exagerada de Poyart em tais cenas – principalmente pela montagem frenética de Lucas Gonzaga. O que torna tais momentos suportáveis é mesmo o trabalho do elenco, especialmente o ótimo José Loreto, que assume o difícil papel de tornar Aldo (um protagonista que não é dos mais inocentes) uma figura com quem possamos nos identificar e torcer.

Quanto às cenas de ação, é mais um caso de resultados duplos. Poyart impressiona pelo cuidado estético e a imersão ao usar planos fechados e abertos dentro do ringue, mas revela uma imaturidade gritante ao apostar demasiadamente no recurso da câmera lenta e, pela escolha das cenas, fica claro que é um caso de “olha como isso fica legal em slow mo” do que para oferecer um insight dramático na situação. A única exceção, claro, é a excelente cena na qual Aldo sobe ao ringue pela primeira vez, sendo a sequência inteira em câmera lenta ao som de “Man with a Harmonica” do mestre Ennio Morricone.

Mais Forte que o Mundo segue à risca a fórmula básica dos filmes de esporte, infelizmente levando consigo todos os clichês em uma abordagem que gera resultados bons e ruins. Traz um bom elenco e a promessa cada vez maior de um cinema nacional mais diverso para o grande público.

Mais Forte que o Mundo – A História de José Aldo (Brasil, 2016)

Direção: Afonso Poyart
Roteiro: Afonso Poyart
Elenco: José Loreto, Cleo Pires, Milhem Cortaz, Rômulo Arantes Neto, Jackson Antunes, Cláudia Ohana, Paloma Bernardi, Rafinha Bastos
Duração: 104 min

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18 comentários

Rodrigo Patini 7 de julho de 2016 - 11:55

Parece que falta um pedaço de texto no final do primeiro parágrafo, podem verificar? Obrigado

Responder
Lucas Nascimento 7 de julho de 2016 - 12:32

Tudo arrumado, Rodrigo. Valeu pelo toque!

Abrax!

Responder
Lucas Nascimento 7 de julho de 2016 - 12:32

Tudo arrumado, Rodrigo. Valeu pelo toque!

Abrax!

Responder
Rodrigo Patini 7 de julho de 2016 - 11:55

Parece que falta um pedaço de texto no final do primeiro parágrafo, podem verificar? Obrigado

Responder
jcesarfe 6 de julho de 2016 - 13:14

Antes de mais nada eu não gosto de MMA, acho uma ignorância sem tamanho e um estilo de luta que só preza violência gratuita.
O filme, como diz na crítica realmente sofre de dupla personalidade. Fica difícil simpatizar com um maluco que sai batendo nos outros no meio da rua com um pedaço de pau, porém o cara têm uma vida tão complicada que você sente pena.
Mas o filme não merece mais que 3 estrelas, talvez o mais interessante seja o fato do meio para o final que as coisas se encaixam melhor e você percebe a luta interna do Aldo.

Responder
jcesarfe 6 de julho de 2016 - 13:14

Antes de mais nada eu não gosto de MMA, acho uma ignorância sem tamanho e um estilo de luta que só preza violência gratuita.
O filme, como diz na crítica realmente sofre de dupla personalidade. Fica difícil simpatizar com um maluco que sai batendo nos outros no meio da rua com um pedaço de pau, porém o cara têm uma vida tão complicada que você sente pena.
Mas o filme não merece mais que 3 estrelas, talvez o mais interessante seja o fato do meio para o final que as coisas se encaixam melhor e você percebe a luta interna do Aldo.

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Lucas Nascimento 6 de julho de 2016 - 13:33

Somos dois, jcesarfe, eu nem consideraria MMA um esporte, dado o nível de violência sem sentido. É um filme que tem muitos erros e acertos, mas o saldo até que sai positivo.

Abrax!

Responder
planocritico 6 de julho de 2016 - 18:05

@jcesarfe:disqus e @disqus_bI2B6pCHN8:disqus , partilho do sentimento de vocês sobre o MMA. Mas vocês já viram o filme Guerreiro, com o Tom Hardy? Achei espetacular, apesar do “esporte”.

Abs,
Ritter.

Responder
Lucas Nascimento 6 de julho de 2016 - 18:06

Guerreiro é INCRÍVEL!

Responder
Lucas Nascimento 6 de julho de 2016 - 18:06

Guerreiro é INCRÍVEL!

Responder
jcesarfe 7 de julho de 2016 - 11:26

Pois é nem tinha me lembrado desse filme, mas concordo totalmente ele é muito bom. O que eu me referi é que como o filme se centra demais na luta, pode ser que meu gosto quanto a luta atrapalhem minha opinião sobre o filme.

Responder
jcesarfe 7 de julho de 2016 - 11:26

Pois é nem tinha me lembrado desse filme, mas concordo totalmente ele é muito bom. O que eu me referi é que como o filme se centra demais na luta, pode ser que meu gosto quanto a luta atrapalhem minha opinião sobre o filme.

Responder
Régis Valker 24 de julho de 2016 - 11:34

Guerreiro foi um dos melhores filmes que ja assisti em minha vida e olha que assisto em média um filme por semana desde de 2010!!

Responder
Régis Valker 24 de julho de 2016 - 11:34

Guerreiro foi um dos melhores filmes que ja assisti em minha vida e olha que assisto em média um filme por semana desde de 2010!!

Responder
jcesarfe 9 de setembro de 2016 - 12:05

Já vi esse filme e também compartilho do mesmo sentimento que me passou o filme do José Aldo, que na minha opinião é melhor que esse com o Hardy.
Desses filmes de MMA só gostei do “The Wrestler”, com o Mickey Rourke, mas esta mais para drama do que para um filme de luta.

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Lucas Nascimento 6 de julho de 2016 - 13:33

Somos dois, jcesarfe, eu nem consideraria MMA um esporte, dado o nível de violência sem sentido. É um filme que tem muitos erros e acertos, mas o saldo até que sai positivo.

Abrax!

Responder
Devid Edson 8 de setembro de 2016 - 12:03

Sou fã de MMA, e não vejo como tal violênia gratuita, gladiadores morrian muitas vezes felizes e com honra bas mão de seus oponentes que por muitas vezes escolhiam matar de forma mais honrosa, acho que o MMA se sai bem como esporte pois ainda existem lutadores que respeitam e não deixam de dar un abraço no seu oponente após ter levado um nocaute. O filme funciona bem, mas a camera frenetica tenta as vezes impactar mas faz o contrario criando um disconforto visual, para mim poucos erros mais que atrapalham a admirar a obra e talvex un filme com mais 20 minutos para explorar melhor o desenvolvimento de Aldo como pessoa, pois o MMA o amadureceu. O filme é bom e divertido de ver.

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Devid Edson 8 de setembro de 2016 - 12:03

Sou fã de MMA, e não vejo como tal violênia gratuita, gladiadores morrian muitas vezes felizes e com honra bas mão de seus oponentes que por muitas vezes escolhiam matar de forma mais honrosa, acho que o MMA se sai bem como esporte pois ainda existem lutadores que respeitam e não deixam de dar un abraço no seu oponente após ter levado um nocaute. O filme funciona bem, mas a camera frenetica tenta as vezes impactar mas faz o contrario criando um disconforto visual, para mim poucos erros mais que atrapalham a admirar a obra e talvex un filme com mais 20 minutos para explorar melhor o desenvolvimento de Aldo como pessoa, pois o MMA o amadureceu. O filme é bom e divertido de ver.

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