Crítica | Manhatta (1921)

estrelas 4

Baseado no poema Leaves of Grass, de Walt Whitman, o curta-metragem Manhatta (1921), de Charles Sheeler e Paul Strand, obra que muitas vezes é apontada como a estreia do movimento avant-garde nos Estados Unidos, é uma exposição da dinâmica e da força industrial do país, especificamente da cidade de Nova York.

O curta tem dez minutos de duração e é totalmente composto por takes de diferentes ambientes novaiorquinos. Não há narrativa linear, mas o espectador não precisa de muito esforço para entender o filme.

A cada estrofe do poema de Whitman – usado nos intertítulos – seguem-se imagens da cidade que o materializam: barcos, pessoas, construções, prédios, pontes, trens, carros, tráfego, fumaça, fábricas, pôr-do-sol.

O curta de Sheeler e Strand é um cine-poema experimental. Cada plano é geometricamente composto, dando ao filme uma composição funcional que traduz perfeitamente o estilo arquitetônico e de vida do início do século vinte. As tomadas panorâmicas, feitas de altos edifícios, dão uma visão simetricamente estranha da cidade lá embaixo: os pedestres parecem robôs seguindo caminhos retos entre carros, trens, e bondes. É curioso observarmos que todas as tomadas de pedestres são feitas em planos gerais e em plongées, como se as pessoas vistas pela objetiva fossem ratos de laboratório, circulando num labirinto de pedra. Mesmo nas tomadas em contra-plongée os operários das construções parecem minúsculos entre tantas vigas, cordas e guindastes.

Ao mesmo tempo em que mostra o triunfo da máquina, o potencial das construções, a força do ferro e do concreto sobre a paisagem, os diretores mostram com incrível precisão a relação do homem com todo esse aparato.

Não tem como não lembrar (guardadas as devidas proporções) de Koyanisqatsi (1983). Manhatta é a gênese da “vida em desequilíbrio”, e do equilíbrio perfeito da máquina e derivados.

Manhatta (EUA, 1921)
Direção: Charles Sheeler, Paul Strand
Roteiro: Charles Sheeler, Paul Strand (visão sobre um poema de Walt Whitman)
Duração: 10 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.