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Crítica | Marvel Legacy (One-Shot)

por Ritter Fan
80 views (a partir de agosto de 2020)

Diante da saturação trazida pelo encadeamento de grandes sagas, a Marvel Comics prometeu que, depois de Império Secreto, a editora seguraria narrativas desse porte por pelo menos 18 meses. No entanto, a grande verdade é que, ainda que possa ser verdade que novas sagas não virão tão cedo, houve uma troca conceitual para “fases”. E o one-shot Marvel Legacy e também os 10 one-shots Generations são o pontapés iniciais para esse novo momento na editora, com a volta da numeração antiga das HQs (as cansativas e confusas renumerações deixarão de existir, possivelmente apenas por um tempo) e narrativas debaixo da bandeira do “legado” da editora, de forma que gregos e troianos possam ficar felizes, vendo as versões novas de personagens convivendo com suas versões originais, passam a ser publicadas. O que isso significa exatamente, ainda não está muito claro, mas a volta às raízes pode ser bom para oxigenar a linha editorial da Marvel.

Marvel Legacy estabelece as bases para essa nova fase. De certa forma, é até difícil escrever a presente crítica, pois a edição não segue uma estrutura narrativa que objetiva efetivamente “contar uma história”. O one-shot está muito mais para uma coletânea de curtos teasers sobre o que está por vir, costurado sob o semblante de uma história única do que uma HQ que possa mesmo ser vendida como um one-shot que, normalmente, tem uma história fechada. São 61 páginas sobre o porvir, deixando entrever um pouco do plano macro da editora e, também, testando o terreno de aceitação do público leitor.

Sem dúvida alguma, a mais interessante novidade é a apresentação de um grupo super-heróico formado há um milhão de anos, ainda na idade da pedra. Odin é o líder do grupo e também o único personagem que não é uma entidade incorpórea que faz uso de avatares. Os demais são as versões pré-históricas da Fênix, do Pantera Negra, do Punho de Ferro (aqui, uma mulher), do Mago Supremo (o próprio Agamotto, se seu nome é alguma indicação), de Starbrand/Estigma (no corpo de um brucutu que lembra o Hulk) e, finalmente, do Espírito da Vingança, que “pilota” um mamute. Nós os vemos em meio a uma batalha com um gigantesco Celestial que é usada para fazer a ponte com eventos no presente, em que vemos o Motoqueirorista Fanstama (Robbie Reyes) inexplicavelmente na África do Sul sendo atraído para um lugar misterioso, com o Estigma atual (Kevin Kale Connor) tentando impedi-lo.

São nesses fragmentos de história que a verdadeira substância do one-shot escrito por Jason Aaron se encontra. A narrativa, que envolve o tal Celestial que os Vingadores pré-históricos enfrentam, parece ser tirada diretamente de Terra X, clássica graphic novel de Jim Kruger, Alex Ross e John Paul Leon, ainda que o desenvolvimento da história, desconfio, será radicalmente diferente. Pode ser interessante, mas há muito poucas informações no one-shot para sequer tentar imaginar se o caminho a ser trilhado realmente justificará essa invenção pré-histórica do roteirista.

Entremeando a narrativa principal, vemos (1) Loki arregimentando os gigante de gelo de Jotunheim para um ataque a um armazém secreto da S.H.I.E.L.D., o que o coloca de frente ao Falcão-Capitão América, à Thor Jane Foster e à Coração de Ferro; (2) Steve Rogers em uma road trip em razão da culpa que sente pelo que seu doppelgänger fez em Império Secreto; (3) Odinson se lamentando em Asgardia (4) o desaparecimento do Tony Stark comatoso; (5) Deadpool no banheiro (sim, isso mesmo); (6) Doutor Estranho e Punho de Ferro lidando com uma tentativa de invasão ao Sactum Santorum, o que aponta para a volta (mais uma vez!) de Norman Osborn; (6) Jarvis olhando pela janela da mansão dos Vingadores; (7) Johny Storm e Ben Grimm relembrando o Quarteto Fantástico; (8) um vislumbre do Império Intergalático de Wakanda (!!!); (9) uma mensagem de Sakaar sendo captada pelo estação de monitoramento do espaço profundo da Tropa Alfa; (10) a aguardada volta do Carcaju original; (11) um relance de Gamora atrás das joias do infinito e, finalmente, (12) Franklin e Valeria Richards querendo voltar para casa. Como se pode ver, trata-se da versão em quadrinhos de uma montagem de filme de Michael Bay, em que nada dura mais de uma página ou faz algum sentido em si mesmo.

A arte da linha narrativa principal fica com Esad Ribić e Steve McNiven e, como sempre, os dois têm o domínio completo de seus traços. Ainda que nada seja muito original, nem mesmo os Vingadores Flintstonianos, o resultado é agradável e eficiente em suas  sequências de ação e em sua grandiosidade. Mas cada pequeno desvio do arco principal ganha arte diferente de um sem-número de bons artistas que vão emprestando seu estilo a cada nova e quase aleatória página.

Marvel Legacy talvez cumpra seu recado de funcionar como um tira-gosto do que ainda está para acontecer, mas, como one-shot, ele não funciona de verdade pela maneira episódica e pouco envolvente com que vai jogando um turbilhão de novas informações para servir de sustentáculo aos próximos vários meses de publicações da editora.

Marvel Legacy (EUA – 2017)
Roteiro: Jason Aaron
Arte: Esad Ribić, Steve McNiven
Cores: Matthew Wilson
Arte adicional: Chris Samnee, Russell Dauterman, Alex Maleev, Ed McGuinness, Stuart Immonen, Wad Von Grawbadger, Pepe Larraz, Jim Cheung, Daniel Acuña, Greg Land, Jay Leisten, Mike Deodato Jr., David Marquez
Letras: Cory Petit
Editora original: Marvel Comics
Data original de publicação: setembro de 2017
Editora no Brasil: Panini Comics
Data de publicação no Brasil: ainda não publicado
Páginas: 61

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19 comentários

planocritico 22 de novembro de 2018 - 22:17

Confere lá e depois me diga o que achou!

Abs,
Ritter.

Responder
planocritico 22 de novembro de 2018 - 16:48

@iron_mam:disqus , sua pergunta não é lá muito fácil de responder. Mas vou tentar.

Essa HQ vitrine como você bem caracterizou, marca o começo da “fase” Fresh Start da Marvel, que tem como publicações-vértice Pantera Negra, Vingadores e Venom (sim, Venom). Temos as críticas das primeiras edições dessas três revistas aqui: https://www.planocritico.com/critica-pantera-negra-venom-e-vingadores-novo-comeco/

Eu li e critiquei o primeiro arco de Venom e o primeiro arco de Vingadores. As críticas estão aqui:

Venom – https://www.planocritico.com/critica-venom-2018-vol-1-rex/

Vingadores – https://www.planocritico.com/critica-os-vingadores-2018-vol-1-the-final-host/

Nos dois casos, o saldo foi bem positivo. Só estou aguardando o final do primeiro arco de Pantera Negra para também trazer a crítica para cá.

Mas nos TRÊS CASOS, o mote é MUDANÇA PROFUNDA, ou seja, tem havido um trabalho grande de retcon e eu particularmente gostei do que fizeram com Venom (toda a mitologia dele é alterada) e com os Vingadores (basicamente todo o universo Marvel tem uma origem nova). É Vingadores que mais se conecta com essa Legacy que você leu agora. No caso do Pantera Negra, as modificações são grandes também.

Ou seja, eu começaria aí. Se você não gostar da proposta, aí não vai ter muito jeito.

Abs,
Ritter.

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novo homem de ferro 22 de novembro de 2018 - 19:53

Vou dar uma conferida, vingadores sempre foi um dos meus títulos favoritos (sdds dos novos vingadores liderados pelo Luke Cage), venom ja saiu a primeira dessa nova fase e parece interessante, sobre pantera Negra, só de ter visto um vislumbre de um império intergaláctico de wakanda já me deu vontade de ler .

Responder
novo homem de ferro 21 de novembro de 2018 - 23:44

Ritten eu preciso de sua opinião, bom eu acompanhei império secreto desde o início ( início mesmo capitão america Steve Rogers 1) e isso em formato físico comprando da Panini que atrasa um ano de lançamento infelizmente, enfim ao terminar imperio secreto eu simplesmente adorei e achei épico, porém ao comprar Marvel legado eu realmente concordo com sua crítica é uma hq vitrine, em si é um preparatório para a nova fase da Marvel e eu gostei dessa HQ, não é nem de longe umas melhores hqs que eu li,mas é divertida enfim é como as hqs preparatórias para fase da nova Marvel ou novíssima marvel e eu acompanho mensalmente a marvel desde essencia do medo até hj, o problema é que vi noticias das histórias que têm nessa nova fase muitas não me agradaram, você acha que eu devo continuar a ler as mensais ?e têm alguma que recomenda ?

Responder
planocritico 27 de julho de 2018 - 16:59

Seja lá quem tenha criado isso, foi na mosca!

Abs,
Ritter.

Responder
Anônimo 25 de julho de 2018 - 08:54
Responder
planocritico 25 de julho de 2018 - 09:33

Mamuteiro Fantasma… HAHAHAHAHAHAHAHAAHAHAH Ótimo. Vou adotar!!!

Cara, o design desses Vingadores pré-históricos até que ficou bom, mas a concepção em si é meio bobalhona, sei lá…

Abs,
Ritter.

Responder
Anônimo 26 de julho de 2018 - 13:19
Responder
Anônimo 11 de janeiro de 2018 - 00:56
Responder
planocritico 30 de janeiro de 2018 - 14:50

Vamos ver se a Marvel vai aproveitar isso!

Abs,
Ritter.

Responder
Lucas Cardozo 17 de dezembro de 2017 - 12:12

Basicamente o que li de recente da Marvel nesses últimos anos foram as sagas (na verdade as mega sagas da editora e as sagas do Aranha). Por mais que tenha curtido algumas (Guerras Secretas principalmente), não tive vontade de ler os títulos solos. Cheguei a acompanhar as primeiras edições do Homem-Aranha pós-Superior e da Kamala como Ms Marvel, mas parei. E acho que isso já tá “antigo” rs Tive interesse no Venom no Espaço, mas nem li. To bem perdido quanto a situação da Marvel atualmente. Li Império Secreto e até curti, mas não achei nada grandioso. Teria algumas recomendações boas em relação aos últimos títulos?

Responder
Lucas Cardozo 17 de dezembro de 2017 - 12:12

Basicamente o que li de recente da Marvel nesses últimos anos foram as sagas (na verdade as mega sagas da editora e as sagas do Aranha). Por mais que tenha curtido algumas (Guerras Secretas principalmente), não tive vontade de ler os títulos solos. Cheguei a acompanhar as primeiras edições do Homem-Aranha pós-Superior e da Kamala como Ms Marvel, mas parei. E acho que isso já tá “antigo” rs Tive interesse no Venom no Espaço, mas nem li. To bem perdido quanto a situação da Marvel atualmente. Li Império Secreto e até curti, mas não achei nada grandioso. Teria algumas recomendações boas em relação aos últimos títulos?

Responder
planocritico 17 de dezembro de 2017 - 21:58

@lucascardozo555:disqus , algumas sugestões:

1. Amazing Spider-Man (com o Aranha milionário e high-tech);
2. Wolverine – com a X-23;
3. Velho Logan;
4. Jessica Jones (sugiro ler toda a publicação solo dela, desde o começo e pegar a atual depois – tem a crítica no site, é só procurar pelo nome);
5. Thor (Jane Foster);
6. Thor, o Indigno (com o Thor normal, só que sem o martelo);
7. Pantera Negra (escrita pelo Ta-Nehisi Coates);

Abs,
Ritter.

Responder
Lucas Cardozo 17 de dezembro de 2017 - 22:53

Valeu!

Responder
Lucas Cardozo 17 de dezembro de 2017 - 22:53

Valeu!

Responder
planocritico 17 de dezembro de 2017 - 21:58

@lucascardozo555:disqus , algumas sugestões:

1. Amazing Spider-Man (com o Aranha milionário e high-tech);
2. Wolverine – com a X-23;
3. Velho Logan;
4. Jessica Jones (sugiro ler toda a publicação solo dela, desde o começo e pegar a atual depois – tem a crítica no site, é só procurar pelo nome);
5. Thor (Jane Foster);
6. Thor, o Indigno (com o Thor normal, só que sem o martelo);
7. Pantera Negra (escrita pelo Ta-Nehisi Coates);

Abs,
Ritter.

Responder
genio playboy 15 de dezembro de 2017 - 17:46

Torcendo demais pra fase legacy, apesar de eu estar bem decepcionado com a casa das ideias nos ultimos anos.

Responder
genio playboy 15 de dezembro de 2017 - 17:46

Torcendo demais pra fase legacy, apesar de eu estar bem decepcionado com a casa das ideias nos ultimos anos.

Responder
planocritico 15 de dezembro de 2017 - 17:50

Estou curioso pela fase especialmente pelo que parece ser a volta à importância dos heróis originais. Mas não estou muito esperançoso não..

Abs,
Ritter.

Responder

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