Crítica | Mayans M.C. – 2X02: Xaman-Ek

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Independente de qualquer outra consideração sobre Xaman-Ek, devo dizer logo de início que gargalhei demais com a cena em que EZ e Angel confrontam verbalmente os dois manés bombados da gangue de motocicletas “modernas” no posto de gasolina que dizem ser membros da gangue dos Swole Boys. Começando pela aparência dos sujeitos – enormes, em cima de motos proporcionalmente diminutas (ou crotch-rockets…) – passando pelos coletinhos azuis e penteados de cabelo e postura de bully de escola e continuando com a conversa repleta de preconceitos e de expressões politicamente incorretas, esse foi um momento que eu jamais esperaria ver em Mayans M.C. e que Sean Tretta e Andrea Ciannavei merecem todo o crédito (ou quase todo, pois vejo ali pinceladas de Kurt Sutter e Elgin James, claro) por escreverem algo tão errado e ao mesmo tempo tão hilário.

Sem dúvida que a continuação desse conflito, quando a gangue completa vai tomar satisfações dos irmãos saindo do arcade também foi muito boa, especialmente quando o patches over badges é invocado, também foi digna de destaque, especialmente por estabelecer tão bem a conexão sanguínea entre os dois, mas eu ainda estava morrendo de rir de cholo bikes e homocycles, por mais politicamente incorreto que isso possa ser. Em meio à tanta tensão e tanta desgraça que a série carrega a cada episódio e que já demonstrara em Xbalanque, um alívio cômico desse naipe foi muito bem-vindo.

Dito isso, confesso que me incomodou que o segundo episódio da temporada tenha novamente focado na menina Mini que foge de seu esconderijo e passa a ser caçada pelos mercenários que trabalham para Lincoln Potter (o paralelismo com os motoqueiros bombados não foi sem querer!) e também pelos Mayans. Esse miolo narrativo pareceu-me a clássica “encheção de linguiça” para dar algum tipo de missão para as duas facções opostas e para criar algum tipo de tensão – não muio eficientemente, diria – enquanto as duas linhas narrativas principais do capítulo se desenrolavam, a primeira com os irmãos finalmente voltando a um estado de paz em volta da revelação de EZ para Angel sobre o suposto assassino da mãe deles e a segunda envolvendo Dita Galindo, tendo como pano de fundo a tentativa de Emily e de Miguel de iniciar o processo de legitimação dos negócios escusos da família, bem na linha de O Poderoso Chefão e Peaky Blinders.

Pelo menos o mistério sobre a gravidez de Adelita já foi solucionado e Angel, ao que tudo indica – uma reviravolta nunca pode ser descartada – é mesmo o pai e os dois irmãos parecem que terão as mãos cheias em breve em sua caçada atrás de Happy, mas, antes, provavelmente em missão de vingança contra o assassinato do líder da gangue de Stockton, morto do nada em uma cena que parece ter entrado na fila de bizarrices umas cinco vezes. Será interessante ver se haverá uma certa bifurcação na história, com a separação temporária de EZ e Angel do restante do grupo por mais um ou dois episódios, o que pode ser muito para uma temporada de apenas 10, considerando que eles são personagens-chave. Desde que a relevância do restante do grupo não fique gravitando ao redor de garotas perdidas, a escolha pode ser interessante.

Mas mais interessante que isso é o destaque dado à Dita e os novos mistérios e segredos que são introduzidos na série e que aproximam ainda mais os Reyes dos Galindos. Afinal, se EZ e Emily foram namorados há anos e Ignacio Cortez – hoje Felipe Reyes – foi o executor do cartel Galindo no México, a revelação de que Dita e ele muito provavelmente tiveram um caso no passado pode ser bombástica, especialmente se considerarmos que uma consequência fácil disso pode ser que Miguel seja meio-irmão de EZ e Angel. A intimidade entre os dois é evidente e imediata e Dita muito claramente ainda sente algo por Felipe, isso se o sentimento não for recíproco, algo que a belíssima sequência de montagem paralela com os dois separadamente em suas respectivas camas dá a entender. Mesmo com Felipe fazendo força para manter-se no presente e Dita muito claramente manipulando a nostalgia, quero crer que há bem mais ali do que apenas um relacionamento breve e esquecido.

Xaman-Ek surpreende pelo alívio cômico, além de trazer mais segredos complicados para a mesa e, mesmo derrapando ao usar Mini novamente como veículo para momentos de tensão, é mais outro sólido capítulo nesse ambicioso épico fronteiriço de Sutter e Elgin. Será que é cedo demais para pedir um spin-off só dos Swole Boys?

Mayans M.C. – 2X02: Xaman-Ek (EUA – 10 de setembro de 2019)
Criação:  Kurt Sutter, Elgin James
Direção: Sebastian “Batan” Silva
Roteiro: Sean Tretta, Andrea Ciannavei
Elenco: J.D. Pardo, Sarah Bolger, Michael Irby, Carla Baratta, Richard Cabral, Raoul Trujillo, Antonio Jaramillo, Danny Pino, Edward James Olmos, Emilio Rivera, Maurice Compte, Frankie Loyal Delgado, Joseph Raymond Lucero, Clayton Cardenas, Tony Plana, Michael Marisi Ornstein, Ray McKinnon, David Labrava, Melany Ochoa
Duração: 47 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.