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Crítica | Mayans M.C. – 3X03: Overreaching Don’t Pay

por Ritter Fan
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  • Há spoilers. Leia, aqui, as críticas dos demais episódios.

Entra ano e sai ano e Mayans M.C. consegue fazer muito eficientemente o que muito poucas outras séries de TV conseguem: criar tensão. Mesmo se compararmos com Sons of Anarchy, o nível consegue ser bem superior, pois Kurt Sutter e Elgin James não se contentaram em criar sequências de tensão e suspense, mas sim uma atmosfera perene que carrega essas qualidades pontilhando-as por toda as temporadas e que, mais ainda do que isso, armam um cenário impossível, kafkiano de verdade que mantem o espectador incomodado o tempo todo.

Overreaching Don’t Pay é um exemplo muito claro disso. O plano de EZ, que eu inocentemente disse que ocuparia boa parte da temporada em minha crítica dupla anterior, ganhou tração e passou a ser uma corrida desesperada de 100 metros rasos executado por um Bishop dolorido duplamente por um drama pessoal que ainda não sabemos exatamente o que é e por Alvarez, com aquela simpatia que lhe é peculiar, impedir que ele sequer levante a bola do plano para o ex-líder. A decisão de colocar o plano em movimento de qualquer jeito imediatamente pintou o quadro do que veríamos mais para a frente, mesmo que o início da execução tenha ganhado um tom engraçado com o fornecedor de drogas que só fala com letras de música. Mas, não demora, e tudo começa a desmoronar por circunstâncias que ninguém poderia exatamente prever e que tem conexão direta com a jovem que EZ e Angel acabaram levando à prisão por usá-la como burro de carga de drogas. A traição da cafetina em vingança contra os Mayans é mais um elemento que mostra que o clube de motocicletas está em péssimos lençóis, não mais conseguindo lealde irrestrita de quem quer seja.

E isso vale para Coco também que, depois de sua tentativa frustrada de roubar drogas, não só foi capturado como preso ao bizarro grupo que vive no deserto por força do vício em heroína que o torna uma das ovelhas daquele rebanho, com potenciais consequências drásticas para ele e para seu clube. O que exatamente acontecerá, não consigo nem começar a supor, mas, pelo visto, parece que há mais jogadores em Santo Padre do que se imaginava e Coco não me parece capaz de desvencilhar-se deles sem um banho de sangue ou sua morte.

Do lado de Emily, a incômoda presença de sua irmã em casa para cuidar do filho deixa mais evidente o quanto seu casamento está frangalhos. Sem o projeto de desenvolvimento da cidade que teve que ser paralisado em razão do fechamento da fronteira entre México e EUA, a mulher de negócios que havia nela desapareceu, fazendo com que a ex-namorada de EZ retrocedesse ao seu status quo ante, ou seja, o de esposa-troféu do chefão do Cartel Galindo. E, pior, ela nem consegue cumprir com todas as suas “funções” em razão de um marido distante que está mais interessado em seus negócios e em seu caso com a prefeita. Como um leitor mencionou em comentário anterior, quer parecer que a personagem está sem função na temporada, mas eu acredito que essa queda dela seja mais um componente futuramente importante para toda a decadência de Santo Padre que é a marca da temporada.

E enquanto Angel, por seu turno, parece ter se entregado ao sexo desregrado provavelmente para esquecer Adelita e o filho que teve com ela em terríveis circunstâncias, EZ, apesar do fracasso de seu plano-mestre para coroar Bishop como o único rei, parece ser o único personagem verdadeiramente feliz. Seu relacionamento ainda quase que exclusivamente platônico com Gaby é, lógico, a força por trás de sua disposição, especialmente porque a moça não só é belíssima, como é um mais do que absoluto amor ao oferecer-se para cuidar de seu pai Felipe de maneira tão dedicada. Já disse e vou repetir que essa alegria é perturbadora, quase perversa, pois, a não ser que Elgin James esteja querendo nos pregar uma peça, não tem chance de a coisa acabar bem para o lado de EZ. Gaby é um alvo muito fácil, até muito conveniente para algo terrível pela frente que tenho até medo de começar a imaginar.

É por isso que Mayans M.C. funciona tão bem. Mesmo quando o mote é puro amor e companheirismo, há uma nuvem negra assustadora pairando por sobre todo mundo como que indicando a inexorável chegada do Apocalipse. E o pior é que o showrunner nos faz querer mais disso!

Mayans M.C. – 3X03: Overreaching Don’t Pay (EUA – 23 de março de 2021)
Showrunner: Elgin James
Direção: Rachel Goldberg
Roteiro: Andrea Ciannavei, Jenny Lynn
Elenco: J.D. Pardo, Sarah Bolger, Clayton Cardenas, Michael Irby, Carla Baratta, Richard Cabral, Raoul Trujillo, Danny Pino, Edward James Olmos, Emilio Rivera, Emily Tosta, Sulem Calderon
Duração: 53 min.

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6 comentários

Alex Fonseca 27 de março de 2021 - 14:40

Esse seu último parágrafo é perfeito e resume o mesmo sentimento que eu tenho. Em certos momentos, a Gaby me faz lembrar a Tara (de alguma forma, a pobre moça será arrastada pro meio dessa tempestade). Parece que, no universo de SoA e Mayans, a felicidade é apenas um breve presságio e nada mais. A impressão é que o Bishop está mais louco do que nunca nesta temporada. Sobre o Coco, esse mergulhou de vez na merda. Você só esqueceu de mencionar a vindoura treta com o Happy e demais membros dos Sons…

Abraços, Ritter!

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planocritico 27 de março de 2021 - 17:28

Coitada da Gaby e do EZ…

E concordo: nesse universo, felicidade é prelúdio para tragédia.

Não falei da questão do Happy porque eu confesso que aquela cena me incomodou um pouco. A chegada deles ali me pareceu meio aleatória. Vou esperar isso andar para falar algo.

Abs,
Ritter.

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Alex Fonseca 27 de março de 2021 - 19:48

Pelo que entendi, a chegada deles tem relação com o membro que foi morto no final da temporada passada. Aguardemos!

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planocritico 27 de março de 2021 - 20:18

Sim, é o que eu entendi também. O que eu não gostei muito foram o momento e a forma que eles apareceram. Ficou meio deslocado no episódio.

Abs,
Ritter.

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Nellio Vinicius 27 de março de 2021 - 13:45

A cena inicial foi uma das que mais me incomodou em todas as mídias que já assisti, até em razão de ficar implícito que além de aplicar drogas, Coco também era abusado pela mãe, e que espiral de problemas ele se meteu, agora está nas mãos da galera a la ” Era uma vez em Hollywood”. O plano do EZ tinha uma cara que daria errado, pode até ser que o EZ ganhe mais poder dentro do clube, mas ainda está muito cedo, Bishop passou por cima do seu Vice e Pacificador e até do Alvarez por esse plano, muito cedo e arriscado, não sei se o Alvarez vai querer a cabeça dele, mas é certo que não vejo ele terminando a série até o final do lado do Miguel, ou ele volta ou ele morre. Por fim Adelita ressurge com cara de psicopata com mulher traída, pensava que ela iria meter o louco, até porque está com estresse pós traumático, mas provável que vá buscar a ajuda do Ángel para alguma coisa, resgatar a Mimi ou o filho, veremos.

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planocritico 27 de março de 2021 - 17:30

Sim, sim. A cena inicial em flashback foi terrível, assustadora. Coco não tem saída. Foi torturado desde pequeno.

Bishop é outro que se deixou levar pela ganância. Quero ver ele sair dessa agora…

Já a Adelita psicótica, deu medo aquilo até…

Abs,
Ritter.

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