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Crítica | Mayans M.C. – 3X07: What Comes of Handlin’ Snakeskin

por Ritter Fan
1030 views (a partir de agosto de 2020)

  • Há spoilers. Leia, aqui, as críticas dos demais episódios.

You Can’t Pray a Lie definitivamente foi um tropeção na 3ª temporada de Mayans M.C., mas a grande verdade é que What Comes of Handlin’ Snakeskin, o terceiro episódio seguido dirigido por Elgin James, não é lá também um grande retorno à forma. De sua própria maneira atabalhoada e surpreendentemente leve, o capítulo anterior serviu para iniciar a guerra civil entre os grupos dos Mayans graças à ambição de Bishop, despertada por EZ, de se tornar o único rei da região e este episódio vem para desenvolve-la.

O objetivo primordial de Bishop e seu grupo é vingar-se de Ramos, como o mandante do atentado de EZ, mas localizá-lo não é fácil, o que exige alguns talvez muito bem dados espancamentos e um encontro, em um motel, com o seção de Oakland para uma tentativa de união. E é nesse ponto que surge o maior estranhamento do episódio. Mesmo que o líder dos Mayans de Santo Padre esteja cego de ambição e não consiga pensar direito, temos que lembrar que todo mundo menos Coco está por ali e praticamente todos ouvem o líder do pessoal de Oakland aceitar o acordo proposto, acordo esse que muito obviamente ele não tinha intenção alguma de honrar. O fato de o roteiro de Bryan Gracia ter artificialmente decidido que ninguém sequer levantaria uma nesga de dúvida sobre o sujeito é algo que me incomodou profundamente.

Por outro lado, gostei da forma visceral como o grande (mas não tanto) momento de ação foi trabalhado, com uma fotografia escurecida e estilo documental de câmera na mão que coloca o espectador em meio às diversas pancadarias que ocorrem pelo motel, com a montagem transicionando bem entre os núcleos. Claro que as sequências que preludiaram a briga, com EZ primeiro filosofando com o estagiário de proporções avantajadas e, depois, conversando melosamente com Gaby já cantaram as pedras do evento, seja com o prospect matando um Mayan inimigo, seja com EZ, em seguida, executando Ramos com o uso de sua influência sobre o policial corrupto que ele ganhara na temporada anterior e cuja carta foi inteligentemente usada aqui. Só não gostei do fato de Ramos ter escolhido o lugar de parada do carro e EZ estar providencialmente por ali, mas acho que consigo fechar os olhos para isso.

Fora da narrativa principal, temos Coco chegando, ao que parece, no fundo do poço. Não creio que ele tenha morrido de overdose como sua filha, em um justificado arroubo de raiva, disse que queria que acontecesse, pois creio que há ainda uma boa história para ser contada ali, seja com ele tendo que encarar seus pares no clube, seja com a vingança deles contra os hippies liderados pelo vilanesco Isaac. Será interesse ver se haverá redenção para Coco, ainda que eu não consiga enxergar outro caminho que não sua morte, talvez em um ato heroico salvando a filha ou coisa assim, já que, tenho para mim, o personagem merece algo nessa linha.

Do lado de Adelita, agora sim vemos seu efetivo retorno. Depois de resgatar “Ratoncita”, ela ouve seu relato do que aconteceu com Los Olvidados depois de sua prisão, e decide retornar ao quartel-general para deflagrar o que poderia ser chamado de uma, uhuuum, transição de poder. Livre do agente da corrupção dentro do grupo e colocando as crianças e adolescentes em linha, quer parecer que Adelita tem a intenção de reconstruir seu grupo revolucionário e potencialmente entrar em rota de colisão – mais uma vez – com o Cartel Galindo. Resta saber como, para além da conexão dela com Angel, essa história mantida separada do todo, retornará ao seio da narrativa principal, mas ainda há tempo para isso.

What Comes of Handlin’ Snakeskin é, em comparação com o episódio imediatamente anterior, um alívio e, mais do que isso, um sinal de que a temporada não se perdeu. No entanto, é curioso como Elgin James não parece estar conseguindo reverter aos momentos de tensão que ele magistralmente construiu até o quinto episódio, deixando a história ficar um pouco à deriva justamente quando ele tinha que começar a unir as pontas para levar a um encerramento digno, especialmente se o fim da temporada for o fim da série como e desconfio que será em razão da compra da Fox pela Disney.

Mayans M.C. – 3X07: What Comes of Handlin’ Snakeskin (EUA – 20 de abril de 2021)
Showrunner: Elgin James
Direção: Elgin James
Roteiro: Bryan Gracia
Elenco: J.D. Pardo, Sarah Bolger, Clayton Cardenas, Michael Irby, Carla Baratta, Richard Cabral, Raoul Trujillo, Danny Pino, Edward James Olmos, Emilio Rivera, Emily Tosta, Sulem Calderon, JR Bourne
Duração: 48 min.

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15 comentários

Ana Paula 1 de maio de 2021 - 20:46

Há alguma notícia do Chucky? Poxa, nem um comentário sobre ele na série, nem q seja pra dizer pra onde ele foi… E o Montez, morreu e ninguém veio tirar satisfação do coitado kkkkkkk

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planocritico 2 de maio de 2021 - 00:14

Esqueceram completamente do Chucky… Tadinho…

Abs,
Ritter.

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Comediante 25 de abril de 2021 - 14:40

Realmente Santo Padre ficar ali esperando foi de matar.. porém não achei tão prejudicial, daria até meio Hal a mais, claro que sou muito suspeito.. sou muuuito fã de SoA (talvez da mesma forma que você goste de Mad Men) e eu odiava o Ramos desde que apareceu lá. Então talvez eu feche os olhos demais para sua morte (que finalmente aconteceu). Gostei muito do início, com os mayans malucos procurando o baiano, digo, Ramos. Só o que chegou a incomodar mesmo foi a espera nada suspeita no motel e um problema que estou além do episódio… Eu não gosto de ficar colocando a carroça na frente dos bois e tenho confiança no Elgin James para a condução da série, porém com os fatores Disney/Fox pesando (ao menos na minha cabeça) fico numa angústia cruel achando que muitas coisas serão deixadas para temporadas futuras, o que não seria problema nenhum em condições normais, mas, mais uma vez, não tenho quase esperanças sobre renovações. Sutter fazia muito bem a resolução das diversas tramas em seus shows (Pelo menos pra mim), mas faltam 3 episódios e guerra mayan acontecendo + Adelita e seu grupo + Cartel Galindo + Palo e sua paciente vingança (Não quero que os últimos minutos da temporada sejam com ele degolando a Gaby, digo que qualquer um. A série acabar assim..) + Sons of Anarchy que já já devem procurar o Montez. Não vou nem citar o Potter que duvido que volte nessa temporada, mas mesmo sem ele o medo de alguma coisa se perder já é grande.

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planocritico 27 de abril de 2021 - 17:18

Também não tenho quase esperança de uma renovação e tenho receio que essa temporada não fechará tudo o que tiver que fechar, infelizmente…

Abs,
Ritter.

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Nellio Vinicius 24 de abril de 2021 - 00:59

Retorno “triunfal” da Adelita, apesar de não ter a mínima ideia do que ela vai fazer, revolucionária, vai continuar os tráficos, vai tentar levar a vida licitamente, não sei, seria a primeira personagem do mundo de SOA que teria uma redenção, mas eu não acredito nisso, ainda tenho vontade de ver ela finalizando o Potter, estilo fizeram com a Stahl, como vingança pelo filho.
Eu gostei da briga, achei mais digno dos membros do motoclube se resolvendo na pancada do que em um tiroteio, achei a morte do Ramos meio ex-machina, um adversário difícil que teve uma morte meio mé, mas ok, fizeram a conexão com o policial da temporada passada, dá para relevar. É esperar a reação do Alvarez.
E o Coco só ladeira abaixo, da overdose, muito difícil o clube não ficar sabendo, mas não acho que vão saber do roubo do droga, pelo menos não agora, só não espero uma solução simplista, como os Mayans indo tocar o terror naquele acampamento sinistro.
Temos 3 episódios faltando, Potter sumido, Novos Lobo Sonora sem desenvolvimento, Miguel perdido nos negócios e a Emily nem vou dizer nada, eu tinha uma expectativa/teoria de que ela assumiria o Cartel, fazendo o contraponto com o EZ, os dois tinham o sonho americano e virariam o estereótipo que eles( americanos) tem dos latinos, traficantes de drogas causadores de problemas e seria o plot da temporada final, mas caminha pra ser aquela personagem aleatória sem função.

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planocritico 24 de abril de 2021 - 18:08

Eu achava que a Emily assumiria o Cartel desde o começo da série. E ainda acho! Mas não com o EZ.

Abs,
Ritter.

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Alex Fonseca 23 de abril de 2021 - 22:39

Se o episódio foi bom pela violência, não se pode dizer o mesmo do roteiro. O gordinho estava levando a maior surra e depois sai numa boa, como se nada tivesse acontecido. Algumas questões precisam ser respondidas: Onde está o Potter? Os SoA não vão fazer nada sobre o membro morto na festa, além do Montez? Espero uma reta final bem agitada.

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planocritico 24 de abril de 2021 - 00:30

O gordinho tinha… bem… proteção natural aos chutes…

Abs,
Ritter.

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Alexandre Fagundes Souto 23 de abril de 2021 - 11:26

A questão é simples, quem sabe encher um episódio é o Kurt Sutter, Elgin James ainda tem muito a aprender.

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planocritico 23 de abril de 2021 - 12:21

Sim, ele tem muito a aprender, mas entregou cinco episódios seguidos maravilhosos, o que poucos showrunners conseguem fazer.

E Sutter encheu MUITA linguiça em SOA, então ele também não é isso tudo.

Abs,
Ritter.

Responder
planocritico 23 de abril de 2021 - 16:21

Sim, ele tem muito a aprender, mas entregou cinco episódios seguidos maravilhosos, o que poucos showrunners conseguem fazer.

E Sutter encheu MUITA linguiça em SOA, então ele também não é isso tudo.

Abs,
Ritter.

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Alexandre Fagundes Souto 23 de abril de 2021 - 22:46

Interessante como cada um tem sua perspectiva, nunca achei que o Sutter enchesse linguiça, pelo contrário, ele sabia orquestrar tramas e subtramas, sempre tinha algo acontecendo em SoA e sempre era relevante.

Não sei se vc viu The Shield, a série mudou o ritmo depois que ele assumiu.

Elgin James parece que ainda procura o seu estilo, não é que eu condene a série depois da saída do Sutter, é apenas diferente.

Está difícil perdoar a saída do Chuck, o gordinho não é um substituto a altura e TB não tem o perfil de um Mayam.

Talvez por conta do ocorrido nos bastidores o Elgin James tenha que se afastar do universo SoA.

Palo é um personagem mal aproveitado, a Emily foi abandonada, o velho Reyes TB parece perdido na trama.

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planocritico 24 de abril de 2021 - 00:29

The Shield eu estou vendo, mas ainda estou na 1ª temporada.

Sobre SoA, para mim a série teve muito facilmente pelo menos duas temporadas a mais do que deveria ter tido.

Sobre o James, ele não está nem a uma temporada sozinho e, na minha opinião, os cinco primeiro episódios desta 3ª temporada não deixam absolutamente nada a dever ao que veio antes por ele e pelo Sutter em parceria.

Abs,
Ritter.

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Pedro Brito 22 de abril de 2021 - 22:28

Eu queria ter gostado da pancadaria, porém achei tudo muito confuso! No começo parecia que os Mayans de Santo Padre estavam em menor número e iam tomar uma coça, mas n foi bem isso q aconteceu. Além disso, o gordo apanhou até dizer chega e tava de boa depois, n achei crível.

Por fim, acho que a atriz que interpreta a filha de Coco é mto boa e merecia mais tempo de tela. Gosto de Gabi e entendo oq ele representa na série, mas ela teria dado uma boa namorada pra Ez nessa temporada, o que entrelaçaria ainda mais os plots de Coco e dos Mayans.

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planocritico 23 de abril de 2021 - 02:33

Ah, eu gostei. Melhor momento do episódio fora a overdose do Coco.

Sobre a filha dele se envolver com EZ, eu tenho problemas com histórias que ficam presas ao seu ambiente, como por exemplo Grey’s Anatomy. Prefiro quando personagens de fora são trazidos para dentro ou o personagem de dentro procura gente de fora e fica dividido.

Abs,
Ritter.

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