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Crítica | Mayans M.C. – 3X09: The House of Death Floats By

por Ritter Fan
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  • Há spoilers. Leia, aqui, as críticas dos demais episódios.

Com Mayans M.C. merecidamente renovada para uma 4ª temporada, já podemos respirar tranquilos sobre o futuro imediato da série, ainda que eu torça para que Elgin James comece a caminhar para o fim da saga de EZ Reyes e companhia. Seja como for, diferente da afobação – de qualidade, que fique claro – que foi a abordagem de quase todas as subtramas em A Mixed-Up and Splendid Rescue, The House of Death Floats By nos oferece, de certa maneira, um alívio, trabalhando menos núcleos e, com isso, claro, dedicando mais tempo a cada um deles em uma excelente preparação para o derradeiro episódio.

E uma boa parte dessa preparação repousou sobre Miguel Galindo e a preparação de sua vingança contra os assassinos de sua mãe. Foi interessante ver Marcus Álvarez demonstrando genuíno medo em seu encontro no deserto com o chefe, sem sequer conseguir direito abotoar o paletó por esperar que a vingança final começasse ali, somente para que ele recebesse a missão de acabar com EZ Reyes, algo que sem dúvida pesou em sua consciência como ex-líder dos Mayans.

No entanto, o grande momento ficou mesmo com a sequência na banheira entre Miguel e Emily, o primeiro visivelmente perturbado pelo que iria fazer e a segunda completamente inocente, achando que todo aquele ritual regado a vinho e pétalas de rosas era meramente a continuidade da noite passada de amor “levemente” mais violento que o usual. Mesmo que a ação em si tenha sido telegrafada desde o começo – desde o episódio anterior, para dizer a verdade – o roteiro de Sean Tretta soube dar os contornos delicados que o momento precisava, com a direção do próprio showrunner suavemente nos levando ao momento climático que, surpresa, surpresa, revela-se anticlimático, com Miguel, arrependido, tentando salvar a esposa. Um momento sem dúvida poderoso, com consequências imprevisíveis para os dois e para EZ, completamente ignorante de toda essa história paralela.

Apesar da importância da sequência homicida de Miguel, ela funcionou muito bem como cortina de fumaça para o verdadeiro grande momento do episódio, esse sim de plena consciência de EZ que, apesar de dar atenção burocrática a Steve, traumatizado pelo assassinato que cometeu, resolve a questão com o clichê simplista “é isso que nós somos” ou algo do gênero, o que, na verdade, é muito mais uma conversa interna para ele mesmo do que um conselho útil para o prospect à beira de uma crise de nervos. Novamente, Elgin James não tenta esconder o que o roteiro pretende fazer com o personagem, algo que fica ainda mais claro no momento em que ele é promovido a membro full do clube e não consegue reagir com feição diferente do que de horror profundo. Mas o objetivo não é esconder nada e nos fazer entender o que significa ser um Mayan. Afinal, se lembrarmos de Sons of Anarchy ou mesmo da série spin-off, lembraremos que a conversão de prospect a membro do clube é sempre algo a ser celebrado e profundamente desejado pelo promovido. Steve é o outro lado dessa moeda, um homem que sempre sofreu por ser obeso e que, no momento em que achou que havia encontrado seu lugar, percebeu que não tinha como pagar o preço necessário. Sua saída era, na cabeça dele, a única possível e tudo ocorre em uma sequência simples, mas que reverbera.

E o resultado imediato é a decisão de EZ de largar o colete e correr atrás de Gaby o que, a não ser que eu esteja muito enganado, é o equivalente dramática ao protagonista assinar a sentença de morte da jovem estudante de enfermaria que se mostra, aliás, muito adulta e forte quando dispensa o Mayan no início. Aquela desgraça maior que imaginei que aconteceria desde o primeiro episódio desta 3ª temporada não pode estar muito longe de acontecer, pois não vejo o showrunner deixando o coração falar mais alto na série.

Afinal, Elgin James despedaça o coração de Hank quando ele, achando que tinha chance com Nails, vê seu amor ser arrebatado por Angel Reyes e seu estagiário ter a cabeça estourada e nos faz ver Adelita transformar “Ratoncita” em uma assassina (mais ainda, pois não podemos esquece que ela já era) e em sua herdeira direta, o que é de destruir nossos corações já que estamos falando da corrupção de uma criança que ela salvou das drogas para entregar ao terrorismo, mesmo com boas intenções, além de entregar Coco, que tentava salvar Hope, diretamente nas garras do maquiavélico Isaac, com tempo suficiente para contar aquela terrível história dos fazendeiros e dos lobos. Não creio que veremos mais da menina (a não ser que haja um pulo temporal grande na próxima temporada), mas imagino que Adelita, agora, esteja partindo para a mansão do deserto de Miguel, local que, não demora muito, deverá ser também atacado por El Palo e seus novos aliados em um episódio final que promete muito, especialmente se o arco de Coco também for resolvido nele.

The House of Death Floats By é uma ótima preparação de final de temporada, já deixando bem claro o tom do que virá em seguida. Será um desafio fazer todas as linhas narrativas congregarem para apenas um lugar – ou dois -, chegando a uma grande resolução unificada, mas não há razão alguma para duvidar do showrunner.

Mayans M.C. – 3X09: The House of Death Floats By (EUA – 04 de maio de 2021)
Showrunner: Elgin James
Direção: Elgin James
Roteiro: Sean Tretta
Elenco: J.D. Pardo, Sarah Bolger, Clayton Cardenas, Michael Irby, Carla Baratta, Richard Cabral, Raoul Trujillo, Danny Pino, Edward James Olmos, Emilio Rivera, Emily Tosta, Sulem Calderon, JR Bourne
Duração: 54 min.

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