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Crítica | Mayans M.C. – 3X10: Chapter the Last, Nothing More to Write

por Ritter Fan
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  • Há spoilers. Leia, aqui, as críticas dos demais episódios.

Quando o estranhamente intitulado Chapter the Last, Nothing More to Write acabou, fiquei pensando se esse seria mesmo o final da série se ela não tivesse sido renovada para a 4ª temporada ou se Elgin James tinha algo na manga para dar algum fechamento à história se o pior tivesse acontecido. Em meus devaneios, fiquei pensando se um final desses, com EZ Reyes reconhecendo de verdade quem ele é e literalmente abraçando a defesa de seu clube prestes a ser atacado pelos Mayans de outras cidades não seria um final digno o suficiente para uma série surpreendentemente sólida.

Seja como for, o exercício de imaginação que proponho não tem aplicabilidade prática, claro, e o que James entrega é um baita de um cliffhanger que inaugura uma guerra civil campal com os Mayans de Santo Padre em franca desvantagem. Será muito interessante ver como será a ação no próximo ano, pois Bishop e seu grupo – creio que Taza ainda esteja vivo e que aquele tiro foi apenas para nos despistar – não parece terem como escapar vivos dali a não ser que haja uma intervenção apaziguadora de Marcus Álvarez.

Sei que comecei pelo final e, com isso, pulei os momentos mais importantes do episódio final, momentos esses que mais uma vez subverteram as expectativas de provavelmente muita gente que vinha acompanhando a temporada esperando que Gaby fosse tragicamente morta no lugar de EZ e que fosse também o fim de Álvarez e até de Coco. Eu mesmo francamente esperava essas três baixas e fiquei muito feliz não porque elas não aconteceram, mas sim porque o efetivo desenrolar das tramas foi muito mais significativo do que simplesmente encerrá-las com mortes chocantes como a de Steve no episódio anterior.

Sem dúvida alguma, o momento mais dramático e surpreendente foi a conversa entre Felipe e Gaby no açougue quando ela conta que EZ iria embora com ela para eles viverem felizes para sempre. Ecoando as palavras de EZ para Angel, em que o primeiro reconhece que tem um lado sombrio que sua mãe sempre procurou afastar levando-o para os estudos e para as artes, Felipe implora para Gaby sair de perto de seu filho, fugir para longe enquanto ela ainda não sofreu as inevitáveis consequências de uma relação com alguém que não conseguirá abafar suas tendências, alguém que muito provavelmente seguirá exatamente os mesmos passos que  Ignacio Cortina seguira décadas antes. Ver um pai dizer isso de seu filho, roubando-lhe qualquer chance de felicidade verdadeira ao lado da mulher que ama é duro e Edward James Olmos, que ganhou pouco destaque nesta temporada, tem seus minutos para mais uma vez mostrar a qualidade de sua performance.

Ou seja, no lugar de nos “presentear” com o que seria óbvio e esperado, o roteiro que o showrunner co-escreveu com Debra Moore Muñoz faz ainda pior do que a morte de Gaby nos braços de um EZ com olhar vingativo ao dizer que EZ simplesmente não tem saída e que o melhor é deixar ele seguir seu curso sozinho, pois qualquer pessoa que ficar ao redor dele sofrerá consequências terríveis. E mais: Gaby sabe disso, mas precisou que Felipe desse voz ao que ela se recusava aceitar para que ela finalmente encarasse o inevitável e imediatamente fugisse dali. Se Sons of Anarchy bebia de Shakespeare, Mayans M.C. vai muito mais atrás ainda na literatura ocidental, retirando inspiração da Grécia Clássica e suas tragédias incomparáveis.

E a subversão de expectativas continua com o resgate de Coco por Gilly lá em Meth Mountain, em uma sequência que, confesso, não gostei tanto quanto achava que gostaria pela facilidade com que tudo foi feito. Fica a esperança que Isaac não morra daquele tiro e retorne na próxima temporada para tentar vingança contra Coco. Igualmente, como já dito, Álvarez volta atrás em sua missão de matar EZ e, ao mesmo tempo, convence Nestor a bandear-se para seu lado, deixando Miguel Galindo sozinho em sua fuga de ninguém menos do que Potter que, finalmente, dá as caras na temporada com uma ligação doentia para o chefe do Cartel, dando-lhe a chance de fugir para continuar sendo o coelho que faz com que o cachorro continue tendo vontade de correr atrás. Só mesmo esse maluco para transformar bandido em fugitivo só para que ele possa se divertir na caçada…

E esse retorno de Potter, claro, era importante para que Adelita pudesse ter seu momento frente a frente com ele e recebesse a informação de que seu filho está vivo, um ás na manga de Potter que tem tanta chance de ser verdade quanto de não ser. Descobriremos – espero – na próxima temporada que promete ser muito movimentada para dar conta de tantas pontas soltas deixadas aqui.

Com o clube prestes a ser invadido por uma horda muito bem armada, Mayans M.C. encerra mais um poderoso ano com um episódio de se tirar o chapéu, ainda que não perfeito. Elgin James mostra que tem um plano bem traçado mesmo não contando com Kurt Sutter que pode ganhar um belo e sangrento encerramento (digo encerramento, pois já foi um milagre a renovação para a 4ª temporada, pelo que nem saberia classificar o que seria a renovação para a 5ª…) pela frente.

Mayans M.C. – 3X10: Chapter the Last, Nothing More to Write (EUA – 11 de maio de 2021)
Showrunner: Elgin James
Direção: Elgin James
Roteiro: Elgin James, Debra Moore Muñoz
Elenco: J.D. Pardo, Sarah Bolger, Clayton Cardenas, Michael Irby, Carla Baratta, Richard Cabral, Raoul Trujillo, Danny Pino, Edward James Olmos, Emilio Rivera, Emily Tosta, Sulem Calderon, JR Bourne, Ray McKinnon
Duração: 78 min.

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