Crítica | Memória

estrelas 5,0

A memória é um elemento essencial da cultura humana. É com os dados da memória que se reconstrói ou se modela o passado de alguém ou de alguma coisa. Por ter esse poder revelador e propício ao uso da crítica, a manipulação da memória de uma nação ou povo através do analfabetismo político é algo de suma importância para a permanência de diversas estruturas sociopolíticas, tão rondadas pelos líderes e aspirantes políticos. No caso do Brasil, um patronato político e até mesmo cultural que perdura a mais de 500 anos tem um efeito reacionário em boa parte da população, ou seja, a lembrança do passado deve ser apenas para trazer à tona os grandes heróis. De outro modo, a vida no presente é a única que importa, o passado deve ser esquecido. Somos desencorajados a lembrar e analisar o passado.

Tocando nessa memória transgênica brasileira (e, de certo modo, mundial), o cineasta Roberto Henkin dirigiu um incrível e crítico documentário em curta-metragem, produzido pela Casa de Cinema de Porto Alegre e cujo roteiro assina com Jorge Furtado, sob um título não menos preciso: Memória (1990).

O curta-doc trabalha dois momentos de nossa política nacional: a renúncia do presidente Jânio Quadros e a sua reeleição à prefeitura de São Paulo, 25 anos depois; e as eleições para a presidência da República em 1989, que estampavam Collor como a salvação do país. Depoimentos de cidadãos são mesclados a uma construção narrativa incrível, que dá ao filme uma característica de meta-cinema, algo muito caro às produções da Casa de Cinema de Porto Alegre, como podemos ver em Um Homem Sério (1996), O Sanduíche (2000), A Importância do Currículo na Carreira Artística (2001), entre outros. Essa mescla de elementos em Memória, termina com a queima de filmes “antigos” em uma fábrica paulista, para a produção de vassouras (por ironia, o símbolo da campanha de Jânio Quadros e, simbolicamente, de Collor, “o caçador de marajás”), e as declarações dos candidatos e seus eleitores.

Henkin faz um percurso que toca todas as “feridas da memória”, a começar pelo seu caráter quase mítico ou divino, recobrando a História de Sodoma e Gomorra já na abertura do filme. A partir daí, muito objetivamente e com uma linha estrutural narrativa impecável, vemos algumas “pequenas memórias”, suas representações, percepções, e comprovações no tempo se ajustarem e formarem um bloco único, o produto do curta. Com uma abordagem crítica e pontuada de amargura pela ignorância corrente, o curta de Henkin relembra que “lembrar é preciso”, caso contrário, não há vida, há um espetáculo de marionetes.

Memória (Brasil, 1990)
Direção:
 Roberto Henkin
Roteiro: Roberto Henkin, Jorge Furtado
Elenco: João Batista Diemer, Maria Verbena de Souza
Duração: 14 minutos

LUIZ SANTIAGO (Membro da OFCS) . . . . Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.