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Crítica | Meu Amigo Totoro

por Sidnei Cassal
1124 views (a partir de agosto de 2020)

No Brasil, até a década de ´80, cinema de animação foi quase um sinônimo dos filmes da Disney. Mas para aqueles que hoje têm menos de 30 anos, dois outros estúdios colaboraram em criar o imaginário para suas infâncias. A iniciante Pixar e a veterana Ghibli.

Com Meu Amigo Totoro, o diretor de animação japonês Hayao Miyazaki foi pela primeira vez amplamente apresentado ao público brasileiro (assim como ao público ocidental em geral). Lançado em 1988, o filme teve uma repercussão imediata, que abriu caminho para voos mais altos do diretor – como o premiado A Viagem de Chihiro.

Totoro tornou-se um fenômeno de popularidade. Você pode encontrar pela internet uma infinidade de produtos representando este querido personagem da animação moderna, desde canecas até camas com seu traços. Mas o curioso é que todo esse sucesso não fez parte de alguma milionária campanha de marketing, como acontece com as produções americanas. De forma alguma Miyazaki visava simplesmente um sucesso comercial. O que fica evidente no cuidado com a produção é que o estúdio Ghibli visava antes de tudo agradar com qualidade.

Quem já teve a oportunidade de ver alguma reportagem ou making-off sobre os longa-metragens de animação do estúdio, pode perceber a forma bem mais artesanal da produção do que aquela observada nos estúdios americanos. Mas esse artesanato cinematográfico é de forma alguma desmerecedor da qualidade alcançada, muito antes pelo contrário. As produções do estúdio Ghibli, sob a batuta do mestre Miyazaki são marcadas pela atenção aos detalhes e a sofisticação na reprodução das cores da natureza, por exemplo, sendo imbatíveis nesse pormenor. E o que é mais impressionante: sem recorrer aos modernos recursos digitais.

O enredo singelo de Meu Amigo Totoro nos apresenta a menina Mei e sua família: a irmã Satsuki, o pai, e a mãe doente, que ocasionalmente é visitada  no hospital. Explorando as redondezas de sua casa, Mei conhece Totoro, uma espécie de espírito da floresta. Em princípio somente ela o enxerga – como acontece com todo “amigo imaginário” de nossa infância. Mas logo, logo, sua irmã também será acolhida nesta aventura.

A figura do vovô da família que reunia as crianças para contar histórias inocentes praticamente desapareceu nas últimas gerações. Miyazaki parece ter assumido este papel com suas doces histórias, invariavelmente antibelicistas e profundamente ecológicas. E nos convida, tenhamos 8 ou 80 anos, para ouvir o que ele tem a contar. Com o requinte de suas animações, o traço inconfundível do estúdio Ghibli e a música maravilhosa de seu habitual colaborador Joe Hisaishi, todos nós voltamos a ser um pouco crianças, com muito prazer.

Meu Amigo Totoro (Tonari no Totoro) – Japão, 1988
Direção: Hayao Miyazaki
Roteiro: Hayao Miyazaki
Elenco: Toshiyuki Amagasa, Shigeru Chiba, Noriko Hidaka, Akiko Hiramatsu, Masashi Hirose, Shigesato Itoi, Tanie Kitabayashi, Chie Kôjiro, Yûko Maruyama, Yûko Mizutani
Duração: 86 minutos

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6 comentários

Gabriel Leão 23 de março de 2021 - 11:34

Eu gostei muito do filme por sua estrutura aparentemente simples, que privilegia a relação entre as irmãs, e o fantástico se restringe a interação com o espírito Totoro, sem necessidade de aventuras mirabolantes, o que é tão caro ao cinema holywoodiano. Aliás, como a crítica afirma no início, nos anos 80 as animações eram dominadas pela Disney, nas décadas posteriores outros estúdios entraram no jogo, mas sempre previlegiando a visão estadunidense, o que infelizmente afasta obras como Meu Amigo Totoro do grande público.

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planocritico 24 de março de 2021 - 16:18

Mesmo assim Totoro permanece como uma das obras mais lembradas e queridas do Estúdio Ghibli!

Abs,
Ritter.

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Bruno de Luca 29 de fevereiro de 2020 - 16:53

Vai pra minha lista de filmes Superestimados… Talvez olhando pelos olhos de uma criança que o viu pela primeira vez nos anos 80, o impacto seja muito maior, mas em mim (que nasci em 87, mas só fui assistir pela 1° vez agora) faltou algo. Por mais que a animação realmente seja muito boa e apresente bons personagens, falta algo na trama. Até pensei que fosse acontecer algo nos 10 minutos finais, mas não… O filme acaba sem nada que me envolvesse e me marcasse (diferente do fantástico “O Túmulo Dos Vagalumes”).

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Rogério Amorim 6 de março de 2020 - 13:44

acho que o filme nao é para criança, eh ver quando adulto percebendo o que se perdeu de quando ainda era criança. A “falta” que voce sente falta nao deve ser algo no filme, é algo em voce mesmo.

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Bruno de Luca 6 de março de 2020 - 22:13

Já assisti outros filmes com esse tema que me senti bastante conectado. Esse eu realmente achei fraco… Mas o problema deve ser eu, se você está dizendo.

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JC 9 de março de 2020 - 16:34

Senti algo parecido com o que você descreveu.
Talvez seja costumes de filmes que vemos hoje em dia…que tudo tem de ter algo a mais ….esse foi apenas uma história bonita!
Depois que pensei melhor….lembrei da minha infância vendo desenhos leves .
Adorável.
Espetacularmente adorável!
🙂

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