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Crítica | Meu Malvado Favorito 3

por Guilherme Coral
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estrelas 1

Meu Malvado Favorito é uma daquelas franquias que necessitam de um único elemento específico para se sustentarem, no caso, tal aspecto é a “fofura” – o grande problema é que, se tirarmos isso, não sobra absolutamente nada. Começando com um filme fraco, que apenas diverte (sendo otimista), a série logo desandou com sua continuação e o desnecessário spin-off dos Minions. Apesar disso, a necessidade por dinheiro fala mais alto que a criatividade e logo “ganhamos” Meu Malvado Favorito 3, uma obra que pode até divertir crianças bastante novas, mas que para qualquer outro minimamente exigente quando se trata de cinema prova ser uma verdadeira tortura, sendo essa a verdadeira perversidade de Gru.

O longa tem início nos apresentando seu principal antagonista, Balthazar Bratt (Trey Parker), um ex-astro de série de televisão infantil que caiu no esquecimento. Indignado com essa sua posição atual irrelevante, ele adota a persona vilanesca que interpretava nas telinhas e decide roubar um gigantesco diamante utilizando técnicas inesperadas envolvendo chicletes gigantes. Entram Gru (Steve Carell) e sua esposa, Lucy (Kristen Wiig), que agora trabalham para uma agência anti-vilões. Resgatando o diamante, mas falhando em capturar Bratt, que promete que essa não será a última vez que eles se encontrarão, os dois são expulsos da agência e, pouco depois, são contactados pelo irmão gêmeo perdido de Gru, Dru. Ambos, então, iniciam uma jornada para se conectarem enquanto Balthazar dá continuidade a seu grande plano.

A premissa de Meu Malvado Favorito 3 já é extremamente forçada, somos introduzidos a dois personagens (o antagonista e o irmão gêmeo) os quais jamais foram sequer citados anteriormente, com o texto oferecendo péssimas desculpas para justificar esse fato. Para piorar, o roteiro da dupla formada por Cinco Paul e Ken Daurio introduz subtramas desnecessárias, uma focada em Lucy e as crianças e outra nos minions, claro, esses segundos sendo atuando tão à parte da história central que chega a parecer que estamos assistindo um spin-off dentro do próprio filme. Ambas soam completamente desconexas do contexto geral, funcionando como elementos extras que apenas dilatam a narrativa, tornando-a mais cansativa do que já é. O resultado é um filme de noventa minutos que nos faz sentir como se estivéssemos sentados há quatro horas na sala do cinema – isso no meio da projeção.

Já a trama principal segue da maneira mais previsível possível, não entregando qualquer surpresa para o espectador. O apoio na “fofura”, elemento principal da franquia, se faz evidente, desde a filha mais nova de Gru, até a personalidade alegre de Dru. A obra, contudo, faz um esforço tão grande para soar engraçada que, no fim, não consegue arrancar quase nenhuma risada, com a sala do cinema permanecendo em silêncio, mesmo com inúmeras crianças testemunhando essa tragédia cinematográfica. O maior exemplo dessa infrutífera tentativa de criar uma comédia envolvente é o antagonista, Bratt, que basicamente só dança o filme inteiro ao som de melodias oitentistas, com sua persona sendo construída a partir da caracterização disco. Tal personagem poderia até ser melhor no idioma original, já que Trey Parker, co-criador e dublador de inúmeros personagens de South Park é o responsável pela sua voz – a tirania da dublagem, todavia, nos impede de tirar essa prova.

A animação em si cumpre seu papel, mas não traz nada de novo. Claro que estamos falando de uma franquia e se faz necessário o respeito à identidade visual criada no primeiro filme, mas, tirando sutis diferenças, parece que estamos vendo a mesma obra de 2010. Não ajuda, claro, o fato do roteiro seguir praticamente a mesma fórmula dos dois anteriores, com Gru combatendo mais um vilão. A falta de originalidade chega a ser surreal, destruindo qualquer possível intenção dos realizadores em trazer algo de diferente para a série. O cansaço do espectador, claro, somente aumenta com as sequências de ação sem qualquer emoção, se resumindo a corridas de carro ou personagens escalando alguma superfície.

Meu Malvado Favorito 3, portanto, traz mais do mesmo, o grande problema é que, ao repetir três vezes a mesma fórmula, não há como enganar qualquer um de nós espectadores, que, inevitavelmente, reviramos os olhos durante inúmeros trechos da obra. Com uma história previsível, recheada de subtramas desnecessárias e cansativas tentativas de nos fazer rir, com um humor que beira a tragédia de tão ruim, esse filme é a prova de que essa franquia não deveria ter saído do primeiro longa-metragem, que já não era nenhuma maravilha.

Meu Malvado Favorito 3 (Despicable Me 3) — EUA, 2017
Direção:
 Kyle Balda, Pierre Coffin, Eric Guillon
Roteiro: Cinco Paul, Ken Daurio
Elenco: Steve Carell, Kristen Wiig, Trey Parker, Miranda Cosgrove,  Dana Gaier, Nev Scharrel,  Pierre Coffin, Steve Coogan,  Julie Andrews
Duração: 90 min.

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9 comentários

Wanderson Tranquilino 23 de julho de 2017 - 18:59

Eu fui ao cinema assistir esse filme por causa dos pequenos,que adoram os Minions,a única coisa que se salva nessa franquia de história fraca e cheia de personagens sem carisma. Aliás,chega um momento que vc não sabe se está assistindo um filme dos Minions ou um filme de humor pra lá de forçado do Gru com seu irmão,também forçadamente colocado na trama para ajudar o Gru a cair nas graças do público,coisa que nunca aconteceu.

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Bruno Siqueira 12 de julho de 2017 - 05:36

Parabéns pela crítica! Mostrou exatamente o que é o filme, ao contrário da critica vergonhosa e “imparcial” do Omelete. E para quem questiona argumentando que o filme é um sucesso e chegara a 1 bi de bilheteria, é claro, ja que esse “filme” é apenas um produto, como filme mesmo, ele é exatamente o que esse critica demonstra, horrivel!

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Wagner Pires 10 de julho de 2017 - 23:43

Convenci meu pai a ir no cinema depois de 35 anos pra acompanhar o neto (e guardando a mágoa que ele ia me levar pra ver o primeiro Jurassic Park e tô esperando até hj) e passei vergonha….. Acho que só meu filho de 7 anos curtiu…. E msm assim pq ele adora os minions….. Antes tivesse convencido meu velho a ver o filme do cabeça de Teia!

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Lucas Diego 2 de julho de 2017 - 12:06

Eu ainda meh o filme, tem seus momentos, mas é muita trama pra pouco tempo, os minions e as crianças podiam ser cortados da historia tranquilo, já que nao servem pra nada literalmente pra trama da historia.

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JJL_ aranha superior 29 de junho de 2017 - 22:41

De animações de qualidade a universal só tem mesmo as da laika, que não são valorizadas por serem stop motion e por não serem “pra crianças”.

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Maitê 29 de junho de 2017 - 22:02

Então, temos 90 minutos que valem 4 horas de pura tortura… ksksks. Proteja a cabeça, Guilherme, para a chuva de pedras que irá cair sobre você após esta crítica devastadora sobre a família fofa de Meu Malvado Favorito. Quanto você quer valer que será um campeão de bilheterias? Vou reservar meu rico dinheirinho para fazer meu estômago feliz. Valeu a dica.

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Elton Miranda 30 de junho de 2017 - 19:09

passa fácil 1bi

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Elton Miranda 29 de junho de 2017 - 21:31

è assim tão ruim?, depois dessa critica, fiquei com um pé atrás

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Wanderson Tranquilino 23 de julho de 2017 - 19:03

Os personagens são forçados e sem carisma. Até os Minions estão forçados na história.

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