Home Audiodramas Crítica | Big Finish Mensal #19 e 20: Minuet in Hell e Loups-Garoux

Crítica | Big Finish Mensal #19 e 20: Minuet in Hell e Loups-Garoux

por Luiz Santiago
95 views (a partir de agosto de 2020)

Após os nossos dois podcasts sobre áudios do 8º Doutor (Sword of Orion e The Stones of Venice), temos agora dois episódios bastante curiosos, um com um 8º Doutor completamente confuso e em um cenário… digamos… infernal; e outro com o 5º Doutor e Turlough em uma longa viagem, chegando até o Rio de Janeiro, em 2080! Boa leitura e vamos às críticas!

.

Minuet in Hell

BF #19
estrelas 3

minuet in hell

Equipe: 8º Doutor, Charley, Brigadeiro Lethbridge-Stewart
Espaço: Malebolgia, Estados Unidos
Tempo: 2003

Eu esperava algo completamente diferente dessa história. Algo que não envolvesse a bizarra criação de um “Estado do demônio” nos Estados Unidos, em 2003. Algo que não investisse tanto em um parasita psíquico (o Psionovore) que assumisse a ansiedade de um grupo de fanáticos — uma seita, para ser mais específico — e ao final de tudo se revelasse um ser interestelar. Para um arco com mais de três horas de duração, eu esperava um desenvolvimento mais maduro, mais emotivo e com maior significado canônico, já que é a primeira vez que o 8º Doutor encontra o Brigadeiro Lethbridge-Stewart. Nada disso, porém, aconteceu. Mas mesmo assim, Minuet in Hell é um arco interessante.

Na literatura, Malebolge é o oitavo círculo do inferno, como se vê em A Divina Comédia de Dante. Aqui em Minuet in Hell, que é o remake de um roteiro de Alan W. Lear para os Audio Visuals (produções não autorizadas — mas perdoadas pela BBC — de antes do surgimento da Big Finish), o nome foi adaptado para Malebolgia (que curiosamente também é o nome de um demônio criado por Todd McFarlane em Spawn #1, de 1992), o 51º Estado dos Estados Unidos. Na comissão que acompanhava o surgimento dessa nova divisão política estava, dentre outras autoridades, o Brigadeiro Lethbridge-Stewart. E é claro, diversas semelhanças ou citações a arcos da era do 3º Doutor surgem aqui, especialmente The Mind of Evil e The Daemos.

A pior coisa da história é o vilão. A mistura do inglês caipira de alguma região sul dos EUA (não é especificado onde exatamente fica Malebolgia, mas é “pelas bandas do sul”) com a voz gutural do diabo, as possessões e os gritos de raiva do tinhoso que não era o tinhoso são sofríveis e estragam boa parte da trama. Mas se levarmos em consideração a pane da TARDIS, a perda de memória do Doutor e de Charley e a forma como experimentos mentais são feitos pela seita que costura toda a história temos um bom material em mãos.

Particularmente gostaria que o encontro do Doutor com o Brigadeiro durasse mais tempo e fosse mais… amigável. Ou que o Brigadeiro tivesse maior participação em toda a história, não apenas na reta final. Independente disso, é bom ouvir a voz de Nicholas Courtney e a volta de seu cativante personagem.

Também se destacam aqui a dupla dinâmica da vez, interpretada por Paul McGann e India Fisher. Ao final, há a promessa de algo mais “leve”. E também há a partida de Ramsay, o vortissauro que o Doutor e Charley estavam tentando domesticar desde Storm Warning. Agora liberto no vórtex temporal, o animal pode viver saudável e bem, como bem deveriam ficar os dois viajantes aqui, mas o primeiro indício de um grande problema futuro é citado no roteiro: o parasita temporal (vulgo demônio) identifica Charley como morta. Coisa boa é que não há de vir por aí…

Minuet in Hell (Reino Unido, abril de 2001)
Direção: Nicholas Briggs
Roteiro: Alan W. Lear (com colaboração de Gary Russell)
Elenco: Paul McGann, India Fisher, Nicholas Courtney, Robert Jezek, Morgan Deare, Helen Goldwyn, Maureen Oakeley, Nicholas Briggs, Hylton Collins, Alistair Lock, Barnaby Edwards
Duração: 4 episódios de c. 45 min.

.

Loups-Garoux

BF #20
estrelas 3,5

loups_garoux_by_doctor who

Equipe: 5º Doutor, Turlough
Espaço: Colônia, Alemanha / Rússia / Rio de Janeiro, Brasil
Tempo: 1589 / 1812 / 2080

Loups-Garoux é surpreendentemente uma história divertida do 5º Doutor em companhia de Turlough nos áudios da Big Finish. Apensar de o roteiro de Marc Platt mostrar várias histórias, motivações e alguma confusão na relação entre os personagens — especialmente do Doutor e Turlough  em comparação a Rosa Caiman, do “Deserto da Amazônia” — a trama funciona bem e se constrói como uma curiosa história de lobisomem, talvez até misturando elementos de histórias de vampiros, como a longa vida, o uso de certos sentidos para detectar os pares e os laços hierárquicos entre as criaturas.

Como eu já comentei nos nossos podcasts, eu não tenho grande simpatia pelos áudios de Peter Davison, mas vez ou outra suas histórias e sua atuação meio inocente, meio indecisa quanto ao que fazer mas sempre disposto a correr riscos e dar a cara a tapa ganha destaque e gera um bom produto, como este aqui. A história começa na Alemanha, depois passa para a Rússia e então para o Brasil, em dois lugares diferentes (mas principalmente no Rio de Janeiro), onde uma família de lobisomens vive disfarçada, sem grandes problemas, em meio à sociedade carioca do futuro, até que misteriosos ataques começam a aparecer na Cidade Maravilhosa.

Acredito que qualquer pessoa ache interessante (ou não, dependendo do caso ou do nacionalismo/patriotismo da pessoa) a representação de seu país em obras estrangeiras. Aqui, mímicas do idioma espanhol e uma organização social pouco semelhante à do Brasil é exposta no texto, embora até possamos dar um desconto porque a trama brazuca se dá no ano de 2080, o que cabe alguma licença de constituição social à essa época, e isso considerando também que estamos falando de um áudio lançado em 2001.

O caminho romântico que temos do meio para o final não deixa de arrancar um riso do ouvinte, que não consegue imaginar o Doutor casado com uma lobisomem… Ágil e modulando relativamente bem os elementos de terror, Loups-Garoux é uma história que consegue passar por cima de suas confusões e terminar bem acima da média. Muitíssimo indicada para os whovians brasileiros.

Loups-Garoux (Reino Unido, maio de 2001)
Direção: Nicholas Pegg
Roteiro: Marc Platt
Elenco: Peter Davison, Mark Strickson, Nicholas Pegg, Nicky Henson, Sarah Gale, Jane Burke, Eleanor Bron, Alistair Lock, David Hankinson, Marc Platt, Barnaby Edwards, Burt Kwouk, Derek Wright
Duração: 4 episódios de c. 45 min.

Você Também pode curtir

2 comentários

André Moura 12 de setembro de 2015 - 15:27

Até agora não acredito que você não gosta do Peter Davison áudios.Pra mim as duas histórias não são grande coisa,mas acho elas muito leves e divertidas e bom seu daria quatro estrelas para as duas.Mas opinião não se discute,ainda mais justificadas.Um abraço e até a próxima crítica (quero cinco estrelas para o Davison,se não vou colocar o fofão do seu lado quando estiver dormindo)
Foto Ilunstrativa

Responder
Luiz Santiago 12 de setembro de 2015 - 15:36

HAHAHAHA, isso não se faz, @disqus_9loHdA5RjB:disqus! Que mancada! Meu coração até acelerou aqui! hahahaahah
Então, eu não consigo ter aquele amorzinho pelos áudios dele. Só gostei muito de uma participação dele no “The Light at the End”, mas ali não conta, né.
Semana que vem temos mais ou da Main Range ou das Companion Chronicles, inda não decidi…

Responder

Escreva um comentário

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Presumimos que esteja de acordo com a prática, mas você poderá eleger não permitir esse uso. Aceito Leia Mais