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Crítica | Miss Marvel e os Vingadores (Anos 70 e 80)

por Ritter Fan
284 views (a partir de agosto de 2020)

O primeiro título solo de Miss Marvel teve vida curta, durando, apenas, 25 edições entre 1977 e 1979, com as duas últimas publicadas mais do que tardiamente, muito depois da publicação ser encerrada. Mas isso não quer dizer que a personagem foi esquecida. Aliás, muito pelo contrário, pois ela continuou tendo aparições constantes ao longo das décadas seguintes em diversas revistas, especialmente Os Vingadores e X-Men, inclusive ganhando e perdendo poderes e alterando uniformes e nomes.

O objetivo do presente compilado é trazer as histórias mais importantes para a heroína nos anos 70 e 80 no que diz respeito a sua relação com os Vingadores. Elegi não abordar arcos inteiros de aventuras do grupo em que ela era apenas mais uma participante, pois seriam muitos e suas participações não tão relevantes. Com isso, escolhi as edições que, de uma maneira ou de outra, marcaram a vida editorial de Miss Marvel nesse período.

Os Vingadores #171
…Onde os Anjos Temem Pisar

Importância da edição: primeira vez que Miss Marvel luta ao lado dos Vingadores.

Em Miss Marvel #16, a heroína invade a Mansão dos Vingadores para usar o laboratório de lá e salvar Namorita das garras do Tubarão-Tigre. É a primeira vez que ela contracena com alguns Vingadores, especialmente o Fera, com quem sai no braço, e Wanda, a Feiticeira Escarlate, que acaba apaziguando a situação. No entanto, a primeira vez em que ela luta mesmo ao lado dos Vingadores é em Os Vingadores #171, edição que faz parte do longo e celebrado arco conhecido hoje em dia como a Saga de Korvac, que envolve os Guardiões da Galáxia originais deslocados no tempo. No entanto, a história vista nessa edição, assim como na anterior, é um desvio narrativo que pouco se relaciona com a saga em si.

Aqui, vemos os Vingadores correndo pelas ruas de Nova York atrás da recém-ativada Jocasta, robô criada por Ultron a partir de sua “mãe” Janet Pym, a Vespa. A comoção causada que, aliás, é muito divertida pela surrealidade da coisa, com o Homem de Ferro e o Capitão América literalmente “esbarrando” nas pessoas e perguntando se viram uma “mulher robô” passando, acaba chamando atenção de Carol Danvers que está no provador de roupas de uma loja de departamentos e tem uma de suas visões. Sem hesitar, ela parte para apresentar-se aos Vingadores e para avisar sobre sua premonição, com o texto de Shooter aproveitando para fazer a conexão com a briga dela com o Fera, mas, sem perder tempo, avançando a narrativa ao colocar o grupo todo investigando um convento para onde eles desconfiam que Jocasta foi.

Aliás, Shooter estava afiado aqui e ainda dá uma fortíssima cutucada na religião católica quando Thor não se sente à vontade no convento porque a crença católica exclui a possibilidade da existência de qualquer outro deus. É evidente que Shooter usa essa religião apenas como um exemplo de intolerância religiosa, já que diversas outras também são assim, notadamente a muçulmana.

Apesar de ser estranhíssimo ver Ultron escondido em um convento, é isso que temos e ele prepara armadilhas para seus inimigos que, porém, estão preparados para seu mortal encéfalo-raio. Wanda, porém, a única capaz de manipular o rearranjador molecular dentro da armadura do robozão, seu ponto fraco (e que ele anuncia aos quatro ventos, claro!), é atraída para um labirinto de espelhos (sim, em um convento!) e fica em apuros. Não fosse a interferência direta de Miss Marvel, que previra essa situação em sua visão, a história teria um final diferente. A heroína derivada do Capitão Marvel, então, prova seu valor perante os Vingadores, o que abriria o caminho para outras aventuras com o grupo (a seguinte seria em Miss Marvel #18, logo no mês seguinte a Vingadores #171 em que, curiosamente, Wanda e Janet é que estão fazendo compras em uma loja de departamentos e deparam-se com Miss Marvel sendo atacada).

A arte é de George Pérez e não é necessário falar muito da capacidade do mestre em abordar um grande número de personagens simultaneamente. Apesar de ele ter pouco espaço para mostrar a majestade de sua arte, seu trabalho de diagramação de quadros e de utilização dos espaços por página é sempre um deleite.

Roteiro: Jim Shooter
Arte: George Pérez
Arte-final: Pablo Marcos
Letras: Denise Wohl
Cores: Phil Rachelson
Editoria: Jim Shooter
Editora original: Marvel Comics
Data original de publicação: maio de 1978
Páginas: 18

Os Vingadores #183 e 184
O Temível Retorno de Crusher Creel!
Morte no Hudson!

Importância da edição: Miss Marvel passa a integrar oficialmente os Vingadores.

Depois de cair de um prédio em sua forma envidraçada e “morrer” em O Incrível Hulk #209, de março de 1977, o Homem-Absorvente renasce em Os Vingadores #183, de mais de dois anos depois. Nessa mesma edição, Miss Marvel e Falcão passam a fazer parte do grupo de super-heróis oficialmente, a primeira substituindo Wanda Maximoff que, depois de um arco em que descobre sua (então) verdadeira origem, decide, junto com o irmão, afastar-se dos Vingadores por um tempo e, o segundo, literalmente “por quota”, depois que o insuportavelmente chato Henry Peter Gyrich passa a ser o braço governamental da equipe e exige que minorias seja contempladas (é sensacional quando o Falcão sugere ao Capitão mudar de nome para The Token!).

E a primeira missão dos dois novos integrantes dos Vingadores é, juntamente com os demais já velhos de guerra e mais o Gavião Arqueiro, que acabara de sair (também por culpa de Gyrich), lidar com Crusher Creel que simplesmente quer ir para a América do Sul, para parar de tomar pancada de super-heróis. Sem dúvida que a estreia oficial de Miss Marvel nos Vingadores poderia ser bem melhor e com mais destaque para ela que, aqui, não faz muito mais do que ser jogada dentro d’água pelo vilão em uma história em duas partes que poderia muito facilmente ser contada em apenas uma edição não fosse a necessidade narrativa de David Micheline de abordar as diversas modificações que os Vingadores estavam passando nessa época.

A grande surpresa é que, apesar de muito simples, o texto de Micheline é agradável e até comovente o suficiente (sim, fiquei com pena de Creel) para tornar a leitura muito fluida apesar dos aspectos burocráticos impostos por Gyrich e que “interrompem” a ação principal. Também ajuda muito que a arte tenha ficado com duas lendas dos quadrinhos: John Byrne no lápis e Klaus Janson nas tintas. Com eles, o texto mais carregado de Micheline torna-se um detalhe diante de desenhos dinâmicos, lutas bem coreografadas e situações das mais variadas que abrem espaço para que todos os heróis tenham nem que seja seus dois quadros de fama.

Roteiro: David Micheline
Arte: John Byrne
Arte-final: Klaus Janson
Letras: Jim Novak, Diana Albers
Cores: Bob Sharen
Editoria: Roger Stern
Editora original: Marvel Comics
Data original de publicação: maio de 1979
Páginas: 18 (cada edição)

Os Vingadores #197 a 200
Prelúdio do War-Devil!
Melhor Vermelho do que Ronin!
Última Defesa em Long Island
ou
O Estupro de Miss Marvel

Importância da edição: Miss Marvel revela sua identidade secreta aos Vingadores, engravida e tem um filho.

David Micheline deveria ter vergonha de ter escrito o que escreveu aqui. E Jim Shooter, o editor-chefe da Marvel na época mais ainda, por ter aprovado a história. Em um arco de quatro números que culminou na edição comemorativa #200 de Os Vingadores, o roteirista inventou uma gravidez para Carol Danvers depois de ela ser essencialmente estuprada por Marcus, filho de Immortus, de forma que ele pudesse fugir do limbo, onde morava, e “nascer” na Terra. Na verdade, o problema maior dessa linha narrativa não é a Miss Marvel, criada como símbolo do movimento de emancipação feminina pela Marvel nos anos 70 ser estuprada e ter um filho do estuprador, já que isso, se seriamente abordado, poderia resultar em uma história magnífica, com fortíssimas lições a serem aprendidas. O problema maior é que, apesar de Carol Danvers ter sido estuprada – Marcus diz que a trouxe ao limbo e a cortejou, mas também utilizou as máquinas de seu pai para fazê-la apaixonar-se por ele! – Micheline não parece perceber isso e faz com que TODOS os Vingadores reajam ao acontecido como se estivessem testemunhando uma belíssima história de amor com um final alegre e positivo que faz com que Danvers escolha voltar ao limbo para viver feliz para sempre com Marcus por lá.

Micheline não só foi um imbecil e insensível completo aqui como transportou sua imbecilidade e insensibilidade para os mais importantes heróis da editora, incluindo o Capitão América e o Homem de Ferro, além da Vespa e da Feiticeira Escarlate, duas mulheres, diga-se de passagem. É tão revoltante ver a reação alegre dos Vingadores quando todo o segredo da gravidez misteriosa de três dias de Danvers é revelado que toda a divertida história envolvendo o robozão gigante Ronin Vermelho, criado pela S.H.I.E.L.D. para enfrentar Godzilla (sim, a Marvel Comics já teve licença e publicou diversas histórias do Lagarto Atômico), roubado pelo Dr. Cowan para causar a Terceira Guerra Mundial, é prontamente esquecida, como se não tivesse acontecido. E, nessa mesma linha, toda a arte tanto de Carmine Infantino quanto a de George Pérez acaba não chegando nem próximo de “curar” um absurdo desses.

Confesso que não tenho muito mais o que escrever sobre esse mais do que polêmico arco dos Vingadores focado em Miss Marvel. Que vergonha, Marvel!

Roteiro: David Micheline
Arte: Carmine Infantino, George Pérez
Arte-final: Dan Green
Letras: John Costanza
Cores: Bob Sharen, Ben Sean
Editoria: Jim Salicrup
Editora original: Marvel Comics
Data original de publicação: julho a outubro de 1980
Páginas: 19 (#197 a #199) e 37 (#200)

Os Vingadores: Anual #10
Traída… por Amigos!

Importância da edição: O estupro de Miss Marvel ganha reconhecimento como tal.

Chris Claremont, você é meu herói!

O grande escritor que fez carreira na Marvel Comics ficou tão revoltado com a história do estupro de Miss Marvel, personagem cuja primeira publicação solo ele escreveu quase que desde o primeiro número, que ele dedicou 39 páginas – o 10º Anual dos Vingadores todinho! – para lidar com a questão. Seria natural se ele tivesse decidido desfazer o arco da gravidez de Carol Danvers como um pesadelo que nunca aconteceu de verdade ou algo semelhante, literalmente apagando a narrativa da continuidade dos Vingadores e, principalmente, da Miss Marvel. Mas ele foi mais corajoso ainda e escreveu uma aventura para dar uma lição de moral em Micheline e em Shooter, os responsáveis por essa atrocidade.

A história começa com a Mulher-Aranha salvando alguém que parece ter sido jogada da ponte Golden Gate. Não demora e descobrimos que é ninguém menos do que Carol Danvers, mas com sua mente completamente vazia. Jessica Drew, então, liga para o Professor X, dos X-Men, de forma que ele a ajude. Corta para Nova York e lidamos com Mística executando um plano para libertar seus colegas da Irmandade dos Mutantes da prisão, o que envolve paralisar o Homem de Ferro e usá-lo como míssil e fazer com que Vampira (em sua primeira aparição editorial – pois cronologicamente foi em Miss Marvel #25 (publicada apenas em 1992, apesar de escrito em 1979) absorvesse os poderes e habilidades do Capitão América e de Magnum. Com isso, o foco volta para os Vingadores e Danvers fica em segundo plano por grande parte da edição, só realmente voltando ao centro das atenções em seu final, quando os Vingadores vão visitá-la na escola de mutantes, já com sua mente parcialmente restaurada.

E é aqui que vem o gigantesco momento de catarse de Carol Danvers diante daqueles que deveriam ter sido seus amigos quando ela mais precisou. Chris Claremont é inclemente, destruidor, violento mesmo ao usar cada palavra que Micheline usara em Os Vingadores #200 para mostrar o quão absurda foi a reação do super-grupo. Cada palavra de Claremont pela boca de Danvers é um tapa na cara de seu colega de profissão e também na de Shooter e de toda a Marvel Comics pelo absurdo que foi publicado. Não sobra pedra sobre pedra e o leitor acaba a última página triste por relembrar o assunto, mas também feliz por Claremont ter lavado nossa alma.

Roteiro: Chris Claremont
Arte: Michael Golden
Arte-final: Armando Gil
Letras: Joe Rosen
Cores: Michael Golden
Editoria: David Anthony Kraft
Editora original: Marvel Comics
Data original de publicação: 1981
Páginas: 39

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40 comentários

vc falou em pipoca? 5 de maio de 2019 - 17:20

Vim aqui pra ver o quão perto minha leitura está desse lixo tóxico que foi a edição #197-200 e meu, ainda bem que pensei nisso a tempo, estou na #194. Não li a resenha do anual 10 pq provavelmente vai ser minha próxima leitura.

Voltando pro estupro, meu isso é pavoroso ética e narrativamente, sério mesmo que nessa época os marmanjo não sabia onde o estupro se classificava, ou então sabiam mas queriam fazer parecer mimimi?! Se for a segunda opção até explica o trabalho que tiveram na arte, que é indigna pra um lixo tóxico de história feito essa. Uma pena que não foi tratado com a mesma seriedade de um jessica jones da vida.

Responder
planocritico 5 de maio de 2019 - 17:31

É uma história simplesmente indesculpável. Prepare o estômago para ler.

Abs,
Ritter.

Responder
vc falou em pipoca? 5 de maio de 2019 - 17:40

Eu vou pular, vim aqui pra ver justamente quais edições eu devo evitar.

Responder
planocritico 5 de maio de 2019 - 17:40

Ei, não vale! Tem que enfrentar!!!

Abs,
Ritter.

Responder
vc falou em pipoca? 5 de maio de 2019 - 18:00

só se fosse escrito pelo alan moore, ele saberia levar esse assunto a sério

planocritico 5 de maio de 2019 - 18:01

Mais ou menos, hein?

Abs,
Ritter.

vc falou em pipoca? 5 de maio de 2019 - 18:10

pelo menos em todas as hqs que eu li com acontecimentos desse tipo eram momentos bem macabros

planocritico 5 de maio de 2019 - 18:10

Não dá para comparar com o que Micheline fez, claro, mas em Neonomicon por exemplo o Moore fez um negócio bem de mau gosto no meu entender.

Abs,
Ritter.

vc falou em pipoca? 5 de maio de 2019 - 21:35

fiquei chocado quando li tbm

vc falou em pipoca? 5 de maio de 2019 - 21:35

mas voltando ao assunto, posso pular pro anual 10 sem ficar perdido?

planocritico 5 de maio de 2019 - 21:44

Pode sim!

Abs,
Ritter.

Adriano deSouza 27 de fevereiro de 2019 - 16:28

Acho que na crítica ao arco da gravidez da Miss Marvel falta um pouco de contexto aqui. No caso se está lendo uma história bastante velha com olhos jovens, moldados por uma nova (e melhor) percepção ética, diferente do que se tinha na época (o fim dos anos 70).

A dura realidade, e falo isso como uma criança dos anos 80 e um adolescente dos anos 90, é que o conceito que sexo não consentido é estupro não era algo solidificado até os anos 2000. Me lembro que nos anos 90 já rolava uma discussão mais intelectualizada no meio universitário, principalmente na segunda metade dos anos 90 no movimento feminista. Mas no plano externo, no reino das “pessoas comuns” (aka povo), ainda haviam piadinhas sobre embebedar mulheres para conseguir ter sexo com elas como algo perfeitamente “normal” (!).

Por isso, não foi com estranheza, acho que com 11 anos, que li em 1988 essa história quando publicada no Brasil. Marcus seduzir – com a ajuda de aparelhos – Carol Danvers para achar um meio de fugir do limbo parecia um meio perfeitamente de acordo com a bizarrice de um gibi de super-herói comum. Ela se apaixonar e ir embora com ele para o limbo parece uma espécie de fechamento para a personagem, que nós viamos com uma simples coadjuvante nos Vingadores.

Entendam uma coisa: o primeiro gibi da Miss Marvel, e a personagem em si, foi um fracassou. A tentativa da Marvel ter sua própria Mulher-Maravilha não colou de primeira. Poderíamos supor que era pela maioria dos leitores ser consistidas de meninos, mas por outro lado, nem as meninas que liam super-heróis gostavam dela: elas preferiam X-MEN. De fato, os próprios rapazes também preferiam a empoderada Tempestade ou a inteligente e sensível Kitty Pride. Ninguém pode acusar X-Men de não ter personagens femininas fortes e emancipadas (lembrem que o gibi era escrito pelo mesmo Chris Claremont, criador da Miss Marvel). Não foi isso que fez a diferença. A questão é que nós leitores achavamos a Carol… chata. Tinha algo nela que parecia pura pose. Faltava carisma ali – diferente por exemplo da Mulher-Hulk, que na sua segunda revista conseguiu se tornar por um bom tempo o personagem feminino mais popular da Marvel.

Então não nos importávamos muito com o destino da Miss Marvel – ao contrário do Chris Claremont, afinal pai é pai. David Micheline e Jim Shooter sentiam o que nós leitores sabíamos, que a personagem estava sobrando nos Vingadores. E quiseram se livrar dela. E bolaram esse arco pra lhe acharem um “príncipe encantado” inusitado. Sim, um horrível príncipe encantado, como percebemos agora em retrospecto. Mas não na visão de mundo de um homem escritor de quadrinhos (uma midia para meninos) nos anos 70.

David Micheline não via como estupro Marcus usar seus aparelhos para seduzir a Miss Marvel. Basicamente como muitos rapazes não achavam moralmente errado embebedar uma mulher. Está errado? Com certeza. Mas a pegadinha da ética e da moral é que elas não são valores sólidos e imutáveis, perfeitos e físicos. São determinados pelas concepções políticas, sociais, culturais e religiosas de cada época. E ai de nós, somos criados sempre dentro dos conceitos morais da nossa época. Quantos dos mais ardorosos anti-racistas de hoje poderiam garantir que se tivessem nascido 150 anos atrás, não achariam simplesmente moral ter e espancar escravos?

Tenho certeza que Micheline hoje se arrepende dessa história, e da visão de mundo que tinha naquele tempo, a visão de mundo que a sociedade estava embebida. Não vamos esquecer que foi Micheline o autor de uma das melhores fases do Homem de Ferro onde fez Tony Stark finalmente parar de fabricar armas – criticando a industria armamentista – e propôs pela primeira vez um problema como o alcoolismo para um super-herói. Temas que contribuiram sobremaneira para a evolução do gênero dos super-heróis.

Também acho curioso a crítica falar de “uma lição de moral” para o editor-chefe Jim Shooter, como se essa história (a de vingadores anual 10) pudesse ter saído sem aprovação dele. Entendam uma coisa – e quem não sabe, pode pesquisar tanto na wikipedia quanto também ler o excelente livro “A História Secreta da Marvel – Jim Shooter era considerado um “editor tiranico” e lia cada revista da editora. Nada saia sem aprovação dele. Se ele não gostasse, mandava ALTERAR A HISTORIA. (o caso mais clássico é que ele não achava legal Jean Grey só perder os poderes depois de matar 5 bilhões de seres inteligentes e foi isso que determinou a primeira morte da Fenix).

O que fez a Marvel reagir não foi Chris Claremont não ter aceito o destino final da sua personagem, mas sim um artigo da jornalista Carol Strickland, na revista LoC. Foi essa autora feminista – e tinha que ser uma mulher, naquela época, pra entender porque a “sedução” de Marcus era errada – quem botou a boca no trombone falando o quanto aquela história era sexista e equivocada. Foi ela que já disse no título “O estupro da miss marvel”. Foi ela quem colocou VERGONHA na Marvel. (aliás, Stricklando tem um blog onde republica seus artigos antigos, e vocês podem achar o texto em inglês do famoso artigo “The Rape of Miss Marvel” nesse link: http://www.carolastrickland.com/comics/msmarvel/index.html)

Jim Shooter, envergonhado, deixou Chris Claremont resolver a situação como devia. E foi por conta da própria controvérsia envolvendo o tratamento da Marvel a suas personagens femininas, que o próprio Shooter resolveu escrever uma história denunciando abuso doméstico, elevando a Vespa a lider dos vingadores e destruindo de forma irreversível a reputação de um dos primeiros heróis da editora Hank Pym, o Homem-Formiga. Nessa sequencia, pra quem não sabem, o então Jaqueta Amarela agride a esposa. Ela se emancipa, dando o troco. E cresce como pessoa. As pessoas hoje podem não dar um centavo por Hank Pym, mas o fato é que até aquela altura ele ainda era um personagem importante. Essa trama destruiu qualquer condição dele recuperar sua popularidade porque quem em sã consciencia vai ser fã num agressor de mulheres? Hank PYm acabou sendo o cordeiro do sacrifício para que a Marvel pudesse expiar os seus pecados em relação ao estupro da Miss Marvel.

Responder
planocritico 27 de fevereiro de 2019 - 20:56

Adriano, eu não sou mais jovem não. Li essa história quando criança – mais ou menos a mesma idade que você – e hoje sou burro velho. Estou criticando com olhar maduro uma história que não permite qualquer interpretação em contrário: foi estupro. Foi estupro naquela época. É estupro hoje. A diferença é que eu, quando li isso aí, nem sabia direito o que era sexo e não liguei. Era uma questão de idade e de compreensão de mundo. Mas qualquer um com um mínimo de consciência e maturidade – hoje ou naquela época – chegaria à mesma conclusão, com ou sem o ótimo artigo que você linkou e que eu já tinha lido. O que Micheline fez é indesculpável em todos os níveis.

Abs,
Ritter.

Responder
Daniel Costa 29 de julho de 2019 - 01:42

Que texto incrível!!! Parabéns!!!!

Responder
planocritico 29 de julho de 2019 - 11:57

Obrigado!

Abs,
Ritter.

Responder
Luís Fajardo 20 de fevereiro de 2019 - 02:05

Mais uma vez, bons textos, eu adoro essa fase dos Vingadores, ter um título com Buscemas, Pérez e Byrne revezando foi excelente. O uniforme negro da Miss Marvel é muito bonito, acho até que o criador reaproveitou a ideia anos depois ao alterar drasticamente a Psylocke dos X-Men. Essa situação do Marcus abusar da Carol achei forçada, mesmo eu sendo um adolescente na época que li, quando GHM #17 chegou às bancas. O que guardo na memória, é o divertido início com Simon e o Fera bêbados nas ruas dando de cara com o Ronin vermelho.

Pequena correção: na dissertação sobre Avengers #197-200, no primeiro parágrafo, o editor-chefe está denominado como “David Shooter”.

Responder
planocritico 20 de fevereiro de 2019 - 19:13

Eu tenho um carinho especial pelo primeiro uniforme da Miss Marvel e não ligo muito não para esse maiô preto… Mas, o que fazer?

E obrigado pelo toque sobre o nome do Shooter. Já mudei!

Abs,
Ritter.

Responder
genio playboy e safadão 15 de fevereiro de 2019 - 20:02

Eu sabia que mais dia ou menos dia essa Hq ia ser criticada aqui, li em 2014 e fiquei chocado com essa porcaria. Acho 0 estrelas apropriado, mas se fosse eu daria lixo atomico

Responder
genio playboy e safadão 14 de fevereiro de 2019 - 16:11

Eu sabia que eventualmente essa história ia ser abordada aqui, mas estou surpreso pela nota não ser um lixo atomico

Responder
planocritico 16 de fevereiro de 2019 - 23:44

Eu pensei em usar o “lixo atômico”, mas dentro da lambança que o Micheline fez, tem a história divertida do Ronin Vermelho. Então relevei um pouquinho…

Abs,
Ritter.

Responder
Leandrodosanjos 12 de fevereiro de 2019 - 23:23

Nossa, é um dos primeiros artigos sobre esse tema em portugues(se não for o unico)….Muito bem escrito e lembrado….Sim, essa vergonha virou motivo de artigos e teses(The Rape of Miss Marvel)…Vale ressaltar que Vingadores era a casa da misoginia ou por alguma coincidencia era o fim que davam pra algumas heroinas de destaque…Mantis foi introduzida no grupo por Englehart pq a outra mulher(Feiticeira Escarlate) só servia pra desmaiar e ser salva por outro heroi homem…Mantis se tornou a principal heróina do grupo durante essa fase(tendo papel importante tbm na SAGA de Thanos)…Era uma prostituta vietnamita que tinha poderes pra enfrentar Thanos, Dr Estranho e derrubar o Thor com um golpe…O que a Psylocke foi nos anos 90, Mantis era nos anos 70…Eu adorava seu aperto mortal e seu grito : HALA!!!Ou quanod ela previa que algo ia acotnecer e dizia: GRande Pama!!!E qual foi o fim que levou(na epoca)? Se casou com uma planta alienigena de posse de corpo morto e foi xispada do grupo(indo parar em outras editoras até retornar à Marvel)…
Muitos anos depois tivemos essa vergonha alheia que fizeram com Carol…
E muitos anos depois, houve o “resgate” de Jessica Drew…Só que dessa vez quem “matou” literalemnte a personagem foi Ann Nocenti…Ale´m de matarem A Mulher Aranha, apagaram ela da existencia…E foi numa história dos Vingadores que a trouxeram de volta, mas agora sem poderes…Menos pior….
Avançando mais alguns anos ainda temos a Circe que foi “fundida” mentalmente com o Cavaleiro Negro e ambos exilados pro Ultraverso Malibu…Crice era mil vezes mais interessante do que a Wanda, uma mulher livre, independente e Eterna…E como os escritores não sabiam o que fazer com ela, a baniram pra outro Universo falido…
Tbm posso citar Crystalis que começou como namoradinha do Tocha, se Casou com Mercúrio, teve uma filha e depois foi retratada como uma pegadora de homens do Universo Marvel: Cavaleiro Negro, um humano comum(durante sua segunda passagem pelo Quarteto), Sentinela, Ronan…

Responder
planocritico 13 de fevereiro de 2019 - 00:42

Eita, li seu comentário em um fôlego só! Esbanjou conhecimento enciclopédico Marvel, hein? Queria ter 1/10 da sua memória!!! HAAHHAHAHHAHHHHAHAH

Mas você tem toda razão. A impressão que dá é que a Marvel, até recentemente, não sabia lidar bem com suas super-heroínas…

Abs,
Ritter.

Responder
vc falou em pipoca? 6 de maio de 2019 - 20:36

Uma pena saber disso, adorava a crystalis quando fez parte do quarteto na era lee/kirby, sentia que onde erravam com a sue faziam um pouco melhor na crystalis.

Responder
Dri Ferro 12 de fevereiro de 2019 - 19:30

Cara, esse arco do estupro da Ms.Marvel é tão errado de tantas formas que não entendo como criaram, aprovaram e ainda publicaram ainda mais numa edição comemorativa. Só fui ler a Grandes Heróis Marvel #17 com esse arco quando mais velho e fiquei “ué, o que eu acabei de ler?” Claremont acertou muito nesse anual não só pelo lado da Carol quanto pela Vampira. Claremont posteriormente trabalhou com a Carol nas histórias dos X-Men transformando ela em Binária durante a Saga da Ninhada e também utilizava ela como um contato do Wolverine, mas nesse período com ela sem poderes por conta do embate com a Vampira a personagem ficou relegada a era coadjuvante só sendo bem trabalhada depois como Warbird no run do Kurt Busiek nos Vingadores.

Responder
planocritico 12 de fevereiro de 2019 - 19:45

Fiquei com a mesma dúvida que você. Inconcebível esse negócio ter sido publicado…

Agora uma pergunta de verdade: esse arco da Ninhada se chama mesmo Saga da Ninhada ou esse é só um nome informal? É que vou fazer a crítica dele exatamente porque é o que marca a transformação da Carol em Binária e estava procurando um título decente…

Abs,
Ritter.

Responder
Dri Ferro 12 de fevereiro de 2019 - 20:20

Cara, entre os fãs esse arco sempre foi conhecido como saga da ninhada e está nomeado assim em vários sites, mas agora que você falou, não achei nenhum dado oficial do nome do arco nos sites oficiais da marvel, só uma publicação antiga na Amazon com esse nome, mas pode chamar de Saga da Ninhada mesmo que é o nome “popular” entre os fãs pra esse arco de histórias https://uploads.disquscdn.com/images/80798cfd378000f4cbd175630860cb722dd0af19d2b943257c672c01f4713a64.jpg .

Responder
planocritico 12 de fevereiro de 2019 - 22:12

Estava pensando mesmo em usar Saga da Ninhada, pois é assim que eu sempre ouvi falar dela. Valeu pela confirmação!

Abs,
Ritter.

Responder
Rafael Lima 12 de fevereiro de 2019 - 13:45

Pois é. Essa história toda faz a Saga do Clone do Homem Aranha parecer Marvels. Não é só que é revoltante. Não é só que é simplesmente errado. Mesmo que pudéssemos ignorar tudo isso (e não devemos), é ridículo mesmo como narrativa. A Carol aparece grávida. Quem é o pai? perguntam, E ela responde “porra, eu não sei, acordei grávida”. E os colegas de equipe praticamente respondem “Pô de boa. O importante é vir com saúde”. Meu, isso é estúpido e errado de qualquer lado que se olhe. Não tem justificativa que chegue a tempo, mesmo pro período de publicação.

Responder
planocritico 12 de fevereiro de 2019 - 14:30

A Saga do Clone é uma maravilha narrativa perto disso, com certeza!

E sim, as reações dos integrantes dos Vingadores quando descobrem a gravidez, muito antes de saber as circunstâncias, são absolutamente patéticas. Não sei onde o Micheline e o Shooter estavam com a cabeça…

Abs,
Ritter.

Responder
Brontops 12 de fevereiro de 2019 - 13:29

Eu também caí na historinha do Micheline.
O que me faz pensar, como é fácil, muito fácil, ser manipulado por uma história.

Mas eu gostaria de saber é se há um relato posterior de bastidores dessas histórias. Foi mesmo isso que aconteceu? Algum leitor notou o que havia acontecido? Claremont ficou indignado? O Shooter não era editor das duas histórias?

Responder
planocritico 12 de fevereiro de 2019 - 14:30

Houve reação na época e há até artigos escritos sobre o assunto. Claremont deixou bem clara sua posição. E não, o Shooter já tinha saído quando Claremont escreveu o “desfazimento” da imbecilidade do Micheline.

Abs,
Ritter.

Responder
adrianocesar21 12 de fevereiro de 2019 - 12:14

Esse anual dos Vingadores é provavelmente o auge criativo do Claremont, contando seu trabalho sozinho, sem a colaboração do Byrne. Acho que poucos fizeram tanto por um personagem em uma unica edição. Acho que a partir daí a editora passou a olhar melhor pra Carol..mas essa é outra história.. ainda teve muito chão pra Carol se tornar a personagem que é hoje.. mas podemos considerar que tudo começou aí. pena que anos depois ele erra tanto fazendo a Vampira ser estuprada em Genosha.. Hoje quando olho pro que o Micheline fez com ela da uma tristeza… lembro quando saiu por aqui em uma Grandes Heróis Marvel e na época não notamos.. o texto dele nos leva a pensar que tudo aquilo era normal e bonito… repugnante em vários aspectos

Responder
planocritico 12 de fevereiro de 2019 - 12:30

@adrianocesar21:disqus , concordo, bem por aí mesmo!

E sobre não notar, infelizmente a idade nos faz glosar esse tipo de coisa monstruosa. Quando jovem, época em que li isso pela primeira vez, não me lembro de ter percebido absolutamente nada. Ao reler hoje, já ciente da polêmica, eu juro que não acreditei que era nesse nível. Fiquei chocado com coisas como “olha, que legal, teremos um bebê na Mansão dos Vingadores” e “que amor lindo o dos dois”…

Abs,
Ritter.

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Leandrodosanjos 13 de fevereiro de 2019 - 03:24

Na epoca que foi publicada em Heróis da TV eu tinha uns 13/14 anos…Não tinha a mínima noção do que era um estupro…Mas minha visão romantizada da vida teve nojo desse Marcus. Eu queria e torcia pelo Casal Carol e Simon(que só se concretizou nos anos 2000)…Quanto a Vampira, há controversias…Lembro de ter lido sessão de cartas na epoca onde leitores americanos questionavam se ela havia sido estuprada pelos guardas ou “abusada”…Nesse sentido queriam dizer que não houve sexo mas toque abusivo em seu corpo…Não faria sentido a jovem virgem(deveria ter uns 18 anos) ter iniciado sua vida sexual com um estupro coletivo(seria muito cruel da parte de Claremont) e mereceria posteriormente várias sessões de terapia ou intervenções psiquicas de Psylocke…Lembro que a personalidade Carol assumiu o controle do corpo pela primeira vez naquela história, mas…Ana Marie assumiu o corpo de volta e o estupro não foi mencionado desde então…Nem em flasback nem como lembrança…Um estupro “real ” acotneceu nas histórias do Capitão America: Sharon Ventura, a Miss Marvel 2 foi presa e estuprada pelos homens do Mercador de Poder…O trauma foi tão grande e o plott continuou nas histórias do Quarteto Fantástico…Sharon desenvolveu uma aversão total aos homens por isso, quase deixou Johnny morrer; quase espancou El Diablo até a morte e quase virou uma cópia daquela vilã Man- Killer ou uma generica da Thundra…Sharon se apaixonou pelo Ben por não considerá-lo um homem de verdade….E sua transformação em Mulher -coisa só piorou seu estado emocional….(corrigindo: as histórias dos Vingadores eram publicadas em Herois da TV, mas esse final desastroso saiu em Grandes Herois Marvel)…

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planocritico 13 de fevereiro de 2019 - 16:34

@Leandrodosanjos:disqus , vou começar a vetar seus comentários porque você me faz parecer um cara com Alzheimer em estágio avançado com sua memória monstruosa… Você tem um gene X ativado, por acaso? HAHAHAHHAAHAHAHAHAHHAH

Falando sério, você mencionou Sharon Ventura e minha mente travou completamente. Foi como se você tivesse aberto o compartimento secreto do baú no sótão do meu avô… Nossa… Sharon Ventura, a segunda Miss Marvel, lutadora de luta livre e que realmente foi estuprada…

Nossa. Vou ter que catar essa história para reler!

Manda mais comentários!

Abs,
Ritter.

Responder
Leandrodosanjos 15 de fevereiro de 2019 - 02:43

Fiz masi 2 comentários , mas não foram aprovados, ou talvez não chegaram até vc…Um era sobre o primeiro arco de Ms Marvel ter sido publicado no Brasil Em Herois da Tv e o arco de Hecate ter saido em Superaventuras Marvel, Em SAM tbm saiu a história com o então pai da Carol… A Abril não publicou mais aventuras da MM e a ultima historia foi o encontro dos Marvels e saiu em Capitão América…A proxima aparição da heroina no Brasil foi somente durante a Saga de Korvac…

planocritico 16 de fevereiro de 2019 - 23:44

@Leandrodosanjos:disqus , peço desculpas! Deixei acumular comentários para aprovar! Mas já soltei e respondi todos!

Abs,
Ritter.

vc falou em pipoca? 6 de maio de 2019 - 20:43

Eu não conheço muito a mulher coisa mas pelo seu resumo acho que seria uma personagem bem interessante de trabalhar, claro que aliviando a violência (não sei se daria conta desse nível de crueldade num filme da marvel). Serviria pra questionar se nós admiramos as heroínas por elas serem fodas ou por serem gostosas, mostrando a decadência da sharon após ter sido considerada “não-mulher”, não por ser feita de pedra mas por ter deixado de ser atraente. Enquanto aplaudem várias heroínas mas só sabem falar do físico delas e não de seus atos heróicos.

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Luiz Santiago 11 de fevereiro de 2019 - 21:03

CARALHO, eu to bem chocado de que isso aconteceu e foi tratado dessa forma pelo roteiro! Vou ler essa HQ só pra confirmar a raiva! E já vejo que Chris Claremont veio, como sempre, arrumar a bagunça e criar algo foda onde não parecia possível…

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planocritico 11 de fevereiro de 2019 - 22:14

Sabe aquela história que você vai lendo e seu queixo vai caindo (negativamente, claro) e você espera que algo como hipnose ou controle mental dos Vingadores seja revelada? Pois é. Mas não, o idiota do Micheline vai até o fim com a maluquice revoltante dele. Leia. Vale como curiosidade histórica, especialmente a forma que Claremont escolheu para jogar tudo na cara da Marvel…

Abs,
Ritter.

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