Crítica | Mister No – Especial Vol.2: Homens na Selva

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Em um sentido geral de construção narrativa, Homens na Selva (1987), segundo Especial de Mister No (seguindo-se a Magia Negra) tem um resultado final bem mais interessante. Nesta edição, com roteiro de Guido Nolitta e fantástica arte e capa de Roberto Diso, o piloto americano radicado no Brasil está passando “umas férias” em Caracas e ali é contratado por um jornalista para procurar um explorador dado a extremismos, que se perdeu no rio Orinoco. O contato é feito de maneira rápida, já na terceira página da revista, após o contexto geográfico e o status atual de Mister No e a história se desenvolve a partir dessa missão entregue logo de cara.

Desde a sua estreia nos quadrinhos, com o arco formado por Mister No e Amazônia (1975), Jerry Drake tem uma premissa de aventuras que mescla exploração territorial, encontro com um leque de pessoas de diferentes alinhamentos morais, e perigos de morte que vão ganhando novas camadas à medida que a aventura avança. Em essência, são histórias de busca, perigo e elevação do personagem a um certo “super-heroísmo”, dada a sua capacidade de se safar das coisas mais complicadas e aparentemente impossíveis, como as que ocorre nesta edição — especialmente na cena do tiro que recebe, mas que gera apenas um ferimento do qual o personagem rapidamente se recupera.

Toda a missão de busca pelo explorador perdido tem um quê de armadilha. O fato de o jornalista esconder informações o tempo inteiro também é um indício disso, mas o leitor só começará a fazer as devidas ligações quando a resposta está prestes a ser dada, o que de modo algum atrapalha a experiência, já que o roteiro de Nolitta consegue passar de um elemento problemático para outro sem maiores problemas… com exceção da sequência final, com Mister No fazendo o seu pequeno show de exposição dos bandidos na TV e assumindo a narrativa jornalística para a população venezuelana, enfrentando os farsantes e criminosos ao vivo.

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Toda a caminhada pela amazônia venezuelana, a relação com as tribos indígenas e o uso dos rios e outros elementos geográficos do local para desenvolver a história são as melhores coisas de Homens na Selva. A arte de Roberto Diso mostra o grupo de exploradores cercados pela natureza que o tempo inteiro oferece perigos e consegue contrastar visualmente os momentos de agilidade, briga e fuga com os de caminhada pela mata, caça ou atividades tranquilas como acampamento e observação atenta do local. Mesmo perdendo um pouco a mão na cena dentro da rede de TV (ou seja, as 10 páginas finais), o enredo aqui é extremamente cativante e repleto de boas cenas. Uma aventura na selva com abordagem quase literária (daqueles livros de exploração territorial, da categoria de Dersu Uzala), e que consegue dar conta de forma aplaudível do seu objetivo principal.

Speciale Mister No #2: Uomini nella giungla (Itália, junho de 1987)
Publicação original:
 Sergio Bonelli Editore
No Brasil: Editora 85 (2018)
Roteiro: Guido Nolitta
Arte: Roberto Diso
Capa: Roberto Diso
140 páginas

LUIZ SANTIAGO (Membro da OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.