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Crítica | Mister No – Especial Vol. 4: Um Mundo Perdido

por Luiz Santiago
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Um dos grandes momentos na vida de um cientista, de um pesquisador, é encontrar algo de novo em sua área. Na arqueologia isso é cada vez mais raro e a paternidade ou maternidade de algumas descobertas parece um sonho distante para os profissionais da disciplina, e isso já há bastante tempo. Nesta aventura de Mister No Especial, Um Mundo Perdido, Guido Nolitta brinca com essa hipótese colocando Pat (uma velha conhecida do protagonista) numa expedição ao Estado do Mato Grosso, em busca da lendária cidade de Zeta (ou apenas Z).

Como sempre, a pesquisa de Nolitta é aplaudível e sua mescla de fatos com ficção funciona bem, fornecendo boa ação para o leitor desde a falha no avião de Mister No até o seu encontro com Pat e os outros pesquisadores que buscam o “mundo perdido”. A expedição tenta seguir os passos do explorador, antropólogo, arqueólogo e escritor britânico Percy Fawcett, que morreu no Mato Grosso (provavelmente) no ano de 1925, enquanto tentava provar uma teoria de que existia na Serra do Roncador os restos de uma civilização perdida. O último registro do explorador data de 19 de maio de 1925, e a partir dessa data ele simplesmente desapareceu.

O que Pat e seus colegas tentam aqui é seguir esses passos valendo-se de um contato local, que entrou em contato com um estudioso paulista (atendendo a uma nota de jornal) e disse conhecer uma tribo de índios que conhecia o caminho até as tais ruínas. Por mais que a história comece com uma linha de ação recorrente nas histórias de Mister No, o leitor percebe uma mudança de tom e, pouco a pouco, a atmosfera de aventura e mistério tomam conta da narrativa, com entradas semelhante a de diários feitas pelo roteiro de Nolitta e muitíssimo bem exibidas pela arte de Roberto Diso — seus desenhos para a geografia, flora e faunas do Brasil são sempre impressionantes.

O autor também se permite misturar à ficção um outro fato histórico pouco conhecido do grande público, que é a questão do Manuscrito 512 ou, mais especificamente, a “Relação histórica de uma oculta e grande povoação antiquíssima sem moradores, que se descobriu no ano de 1753“, documento que narra uma bandeira guiada por Francisco Raposo e João Silva Guimarães no meio da mata baiana. Mesmo se tratando de um documento histórico de outro período e de outro território, essa relação serve de inspiração para Pat e seus colegas alimentarem as esperanças de que existia sim algo a ser descoberto no interior do Brasil.

Ainda sobra espaço para uma aproximação com a obra do escritor britânico H. Rider Haggard (As Minas do Rei Salomão) e, ao final, a citação direta ao belíssimo Parque Nacional de Sete Cidades, no Piauí, local com formações rochosas peculiares que Mister No compara à peculiar erosão que ele e sua colega encontram no meio da mata. Ciente do espaço geográfico que percorre e sabendo utilizar isso para fins dramáticos, Um Mundo Perdido nos traz uma boa saga de exploração da natureza regada a tiros, insinuações sexuais, muita briga e reviravoltas… como toda boa história de Mister No.

Speciale Mister No #4: Un Mondo Perduto (Itália, julho de 1989)
Publicação original:
 Sergio Bonelli Editore
No Brasil: Tex e os Aventureiros #3 (Editora Mythos, 2005)
Roteiro: Guido Nolitta
Arte: Roberto Diso
Capa: Roberto Diso
148 páginas

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