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Crítica | Modern Love – 1ª Temporada

por Ritter Fan
559 views (a partir de agosto de 2020)

É fácil, muito fácil gostar demais de Modern Love. Baseado nos relatos reais da famosa coluna homônima do jornal New York Times, a nova série em formato de antologia da Amazon Prime Video conta com um elenco estelar e roteiros que, de tão simples, realçam os elementos de fantasia, quase fabulescos das histórias que conta, transformando a série em um simpático e muitas vezes necessário “intervalo” entre obras mais sérias e mais densas. E não, não há nada de fundamentalmente errado com isso se o espectador não se deixar enganar pelo desavergonhado verniz de clichês manipuladores que cada capítulo derrama generosamente e que tocam as teclas sentimentais corretas quase sempre.

Formada por sete capítulos, cada um contando uma história separada com elenco próprio com começo, meio e fim e mais um episódio de fechamento que introduz dois novos personagens em um simpático arremedo de história e que reúne todos os demais em uma espécie de epílogo para fazer sorrir, Modern Love lida, como o título muito bem diz, com o amor, mas não necessariamente o amor “moderno”, até porque essa é uma adjetivação que carrega um subjetivismo gigantesco. É, decididamente, uma série para lavar a alma e para ser assistida sem grandes pretensões.

Afinal de contas, é impossível não se deixar encantar com a relação paternal entre o carrancudo porteiro Guzmin (Laurentiu Possa) e a jovem independente Maggie (Cristin Milioti) em When the Doorman Is Your Main Man ou se emocionar com a história dupla de amores perdidos com o gênio da tecnologia Joshua (Dev Patel) de um lado e a jornalista Julie (Catherine Keener) de outro em When Cupid Is a Prying Journalist ou se sensibilizar com a bipolar Lexi (Anne Hathaway) lutando contra sua enfermidade que a impede de se conectar com todos ao seu redor em Take Me as I Am, Whoever I Am. Essa trilogia inicial, aliás, é, na minha lista, a melhor da temporada por conterem as narrativas mais inusitadas e personagens mais interessantes, ainda que todos trafegando sem vergonha por uma espaçosa zona de conforto narrativo com roteiros cuidadosamente cunhados para satisfazer, para agradar e, mesmo que alguns momentos nos façam refletir mais pausadamente aqui e ali, para anestesiar.

O mesmo vale para Rallying to Keep the Game Alive (reparem que os títulos são basicamente descritivos das histórias que contam), que apoia-se quase que exclusivamente no carisma de Tina Fey e John Slattery como um casal de meia idade que procura se redescobrir para fazer o roteiro bem básico funcionar. E é justamente isso – a química entre os personagens – que não funciona muito bem em At the Hospital, an Interlude of Clarity, que conta com Sofia Boutella e John Gallagher Jr. como um quase-casal tentando tornar-se um casal em meio a um acidente doméstico. Pelo menos a qualidade volta com o quase perigosamente ousado So He Looked Like Dad. It Was Just Dinner, Right? que lida com o abismo de gerações criando atritos e situações embaraçosas entre a jovem Maddie (Julia Garner) e o homem de meia idade já avô Peter (Shea Whigham, atuando com os olhos injetados e vermelhos como se estivesse o tempo todo drogado). A última história completa (por assim dizer) é Hers Was a World of One, que lida com a paternidade/maternidade, com um casal gay (vivido por Andrew Scott e Brandon Kyle Goodman) querendo adotar o futuro filho de uma mulher (Olivia Cooke) que vive como uma nômade nas ruas dos EUA por escolha própria e que captura o espectador pela inusitada combinação de personagens e de situações. O fechamento fica por conta do amor já com idade avançada (Jane Alexander e James Saito) em uma história terna, mas que parece mais uma vinheta com um título – The Race Grows Sweeter Near Its Final Lap – mais longo do que o tempo que leva para ela chegar ao fim.

A produção não se arrisca. Não só a ambientação é muito parecida entre uma história e outra, todas passadas em Nova York, como cada dupla – ou em alguns casos trinca – de atores é cirurgicamente dirigida de maneira a extrair do espectador o mesmo tipo de reação, normalmente positiva, com os necessários segundos de “aflição” sobre o destino de cada um. Há sequências genuinamente sensacionais, como basicamente toda as análises de Guzmin sobre os namorados de Maggie ou a forma musical como os altos da personalidade luminosa de Lexi contrasta com seus baixos extremamente claustrofóbicos. Mas esses momentos diferentes e genuinamente interessantes são exceções em um mar mais genérico e padrão que os trabalhos de direção de John CarneySharon Horgan, Tom Hall e Audrey Wells procuram manter. Não só há a impressão de mais absolutamente conformidade, como se a série não fosse no formato de antologia, mas sim uma coisa só, mas também há uma certa aversão ao risco.

Como disse mais acima, não há nada de fundamentalmente errado nessas escolhas mais… digamos… pasteurizadas de manipulação de sentimentos, só que fica aquela forte sensação de enorme potencial não realizado para que seja possível agradar ao maior número de pessoas. Afinal, com exceção de Boutella e Gallagher Jr., todo o elenco é afiado, com especial destaque para Possa e Milioti, Patel e Keener, Fey e Slattery e, claro, Hathaway, mas os textos entregues a eles só vão até determinado ponto, jamais desafiando, jamais realmente tornando um episódio memorável para além do tempo em que demoramos para assisti-lo.

Modern Love é o clássico exemplo de série feita para o espectador sentir-se bem consigo mesmo ao assisti-la. É a dose certa de simpatia para iluminar alguns minutos do dia ou para gerar conversas que muito provavelmente logo descambarão para outros e mais interessantes assuntos.

Modern Love (EUA – 18 de outubro de 2019)
Direção: John Carney, Sharon Horgan, Tom Hall, Emmy Rossum
Roteiro: John Carney, Sharon Horgan, Tom Hall, Audrey Wells
Elenco: Anne Hathaway, Tina Fey, Andy García, Dev Patel, Caitlin McGee, John Slattery, Brandon Victor Dixon, Catherine Keener, Julia Garner, Cristin Milioti, Olivia Cooke, Andrew Scott, Shea Whigham, Gary Carr, Sofia Boutella, John Gallagher Jr., Ed Sheeran, Jane Alexander, Peter Hermann, James Saito
Duração: 29 a 35 min. cada episódio (8 episódios)

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26 comentários

André 4 de novembro de 2020 - 13:41

Faltam apenas dois episódios para eu terminar, mas eu gostei muito. E apesar de concordar com a crítica, quanto ao potencial dessa série que poderia ter sido melhor explorado, acho que se você está procurando algo para assistir que seja leve, emocionante, e seja um pouco diferente do ‘padrão’ Netflix, as chances do espectador gostar de Modern Love são altíssimas! Gostaria que tivesse uma segunda temporada rs.

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planocritico 4 de novembro de 2020 - 14:17

É como eu disse: impossível não gostar dessa série! Ela faz tudo muito direitinho e se torna encantadora no processo. Mas é basiquinha, por assim dizer.

Qual episódio gostou mais até agora?

Abs,
Ritter.

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André 7 de novembro de 2020 - 13:56

Oi, Ritter!

Antes só queria desfazer meu engano, já que, na verdade, vi até o episódio 5 (No hospital, um interlúdio de clareza), ou seja, ainda me restam mais 3 episódios. Enfim, eu ia ver todos para responder sua pergunta, mas percebi que não há necessidade. Os três primeiros me impactaram positivamente, mas sinceramente não sei dizer se há um que eu tenha gostado mais. Eu acho que posso destacar algumas cenas que mais me comoveram. Por exemplo, no 4° (Renovando para manter o jogo vivo) apesar de ser uma história simples/ previsível, aquela cena deles jogando na quadra de tênis, um respeitando o tempo do outro, em plena sintonia, pra mim disse muito mais que todas as falas anteriores. O 5° (do hospital), a despeito da situação inusitada do primeiro encontro, a cena da Yasmine deitando a cabeça no colo do Rob para repousar, me transmitiu paz, intimidade, nem sei explicar. E o quê dizer sobre o olhar apaixonado do Michael (Andy Garcia) para seu amor do passado, Julie. Talvez no tocante a personagens, a Lexi foi a que mais tive empatia, pois sei o quanto é difícil falar abertamente a respeito das suas ‘limitações’. Enfim, não sou crítico rs, mas tentei transmitir um relato mais sincero possível.
Abs! 🙂

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planocritico 8 de novembro de 2020 - 13:21

Obrigado, meu caro! Valer por compartilhar suas impressões!

Abs,
Ritter.

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Wendell Santana 2 de novembro de 2019 - 18:44

Amando a série… mas eu já vi 3 episódios e senti como se ela fosse um “black mirror” amoroso, isso porque mostra a realidade dos relacionamentos e não a fantasia criada nos contos de fadas. Nenhuma das histórias que assisti me fizeram ficar “bem comigo mesmo de primeira”… primeiro veio o soco no estômago e depois eu comecei a repensar certas coisas até que apenas no episódio 3 veio a parte do “ficarei bem comigo mesmo” como a crítica apontou. Amazon está de parabéns.

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planocritico 2 de novembro de 2019 - 18:56

Não senti soco no estômago algum. Achei a série light do começo ao fim.

Abs,
Ritter.

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Wendell Santana 4 de novembro de 2019 - 11:37

Essa é a beleza da arte.Enquanto pra vc a série é light, pra mim tem sido uma jornada de autoconhecimento e avaliação.

Responder
planocritico 4 de novembro de 2019 - 11:37

Sem dúvida!

Abs,
Ritter.

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Dante 27 de outubro de 2019 - 19:09

Ótima crítica! Queria assistir, mas como estou completamente lotado de séries, essa deve ficar na listinha, por enquanto.

Responder
planocritico 27 de outubro de 2019 - 19:10

Obrigado!

Essa série é simpática, mas definitivamente não é uma prioridade.

Abs,
Ritter.

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MaxwellGregory 25 de outubro de 2019 - 19:14

Poxa, concordo com você, mas foi uma jornada “bem gostosinha”, despretensiosa mesmo. Normalmente tudo que assisto é meio denso, então essa veio para dar aquela relaxada mesmo. Assisti antes de dormir, na hora do almoço hehe. Me incomodou muito o último episódio porque o casal era simplesmente incrível e praticamente metade do tempo de tela foi cortado para unir outras histórias (desnecessário para mim, pois nenhum se conectava diretamente). Seria mais interessante em cada episódio os personagens se cruzarem ao acaso, que alguns se conhecessem, passassem do lado do outro, meio que algo como o Hitchcock fazia nos filmes, ficaríamos atentos para saber quem apareceria em qual episódio e tal. Muita gente achou desnecessária a cena musical da Anne, mas eu adorei. Super me imagino num musical quando tô feliz hehe Abraços

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planocritico 25 de outubro de 2019 - 19:41

As cenas musicais no episódio da Anne foram espetaculares e perfeitas para o que se queria passar.

Mas a série é isso mesmo: gostosinha.

E concordo que não era necessário aquele tipo de união no final. Ficaria bem melhor da maneira que você sugeriu.

Abs,
Ritter.

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Juliana 25 de outubro de 2019 - 19:03

Adorei “Modern Love”. Concordo que a série não se arrisca muito, mas ela consegue cativar…
Claro, como em qualquer antologia, alguns episódios destacam-se mais do que outros, e os meus preferidos foram o 2º e o 3º episódio. Já em termos de atuações, eu acho que a Anne Hathaway foi quem conseguiu se sobressair, pois, dentro do seu episódio, ela vai da comédia romântica ao drama com tamanha naturalidade

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planocritico 25 de outubro de 2019 - 19:41

Sim, concordo que consegue cativar. Sobre atuação, a Anne Hathaway está mesmo muito bem, mas gostei também da Keener e do cara que faz o porteiro no primeiro episódio!

Abs,
Ritter.

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Teco Sodre 25 de outubro de 2019 - 16:33

Esse ep da foto é o melhor! Adorei a Anne Hathaway! Gostei muito também do episódio com o Dev Patel, When Cupid Is a Prying Journalist. Os demais achei medianos e alguns irregulares e bem mornos. O ep com a Tina Fey mesmo, que eu achei que seria muito bom, pra mim foi Tina fail.

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planocritico 25 de outubro de 2019 - 19:41

Eu gostei mais do primeiro episódio, mas o da Hathaway fica em segundo lugar.

Eu achei que a Fey com o Slattery ficaram adoráveis juntos. Mas o roteiro lá é fraquinho…

Abs,
Ritter.

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Teco Sodre 28 de outubro de 2019 - 09:08

Curioso… Eu não senti a menor química entre eles.

Sobre o primeiro ep: ainda que o começo do episódio contextualizasse a relação entre a protagonista e o porteiro, achei por demais estranha essa interação deles. Não tem como não taxá-la de invasiva e até um tanto machista. Não gosto de alardear manifestos e ativismos, mas não consegui enxergar aquilo com outro viés.

Responder
planocritico 28 de outubro de 2019 - 10:01

Não viu uma relação de pai e filha ali?

Abs,
Ritter.

Responder
Teco Sodre 28 de outubro de 2019 - 10:15

Então: por mais que isso tenha sido explicado… ele não era “exatamente” um pai… e se fosse, ainda assim, o comportamento dele continuaria a ser invasivo e machista. A relação de pai e filha, ao meu ver, não descaracterizaria essas nuances que eu senti na postura dele, entende o que eu quero dizer?

planocritico 28 de outubro de 2019 - 14:20

Para todos os efeitos dramáticos, ele é o pai dela. Partindo dessa premissa, ele não é invasivo e sim protetor como todo pai tem (e não “deve” e não “pode”) que ser e, para ser protetor, algum nível de “invasão” é mais do que natural. Filhos não podem ser criados sem que os pais façam o micro-gerenciamento da vida deles. Sim, um pai (e uma mãe) pode não gostar de namorado ou namorada X, Y, Z, pode não gostar de amigos ou amigas, pode dizer que “vai dar m” se continuar desse jeito, pode tudo que não seja acorrentar o filho ou filha no pé da cama para ele ou ela não fazer besteira. E mesmo assim a partir de certa idade, pois antes pode acorrentar sim. Educação é impor limites e limites são estruturados a partir de “invasões”.

Sobre machismo, juro que não vi nada que não seja um pai preocupado com sua filha. Se olhar torto para namorado da filha é ser machista, então pode me colocar nessa lista. O que eu vi no capítulo foi uma relação de absoluta troca.

Abs,
Ritter.

Teco Sodre 29 de outubro de 2019 - 09:33

Você fala como se ela tivesse 5 anos de idade. Ela é adulta, independente e não tem nenhum vínculo sanguíneo com ele. O “afeto” que poderiam sentir um pelo outro não justifica, ao meu ver, essa intromissão que ele tem sobre os relacionamentos dela. Ela tinha um “respeito” por ele que mais se aproximava de temor do que de gratidão. A minha sensação é de uma relação invasiva, sim, e me colocando no lugar dela, eu é quem poria limites no que ele deveria ou não opinar sobre a vida dela. Porque por mais que ela o veja como uma figura paterna, isso não lhe dá o direito de definir com quem ela deve sair ou não. Muitas vezes os pais se equivocam: não conhecem os namorados de suas filhas e as proíbem de se relacionar por uma questão machista/paternalista um tanto exacerbada. Muitas mulheres não querem esse tipo de relação de controle/intromissão. As coisas que você falou aqui sobre “amarrar ao pé da cama” me soam bastante pré-históricas (até cogitar essa intenção). O Guzmin sem sombra de dúvidas não era mau intencionado, você sente no episódio que era um sentimento de afeto genuíno e não-maldoso, porém, ficou em mim uma sensação de invasão e intromissão nas atitudes dele.

planocritico 29 de outubro de 2019 - 14:40

Vamos com calma para você não me interpretar mal.

Filhos são filhos. Sejam de 5, 18, 30 ou 50 anos. Eles sempre serão filhos e os pais sempre os protegerão. Vínculo sanguíneo não é a única maneira de se criar laços familiais.

Dito isso, a sua impressão pode ter sido essa de invasividade e machismo e não posso fazer muito para mudá-la, pois acredito piamente que a primeira impressão é a que fica. Mas eu posso te assegurar que o roteiro e o episódio não tiveram nem de longe essa intenção e em nenhum momento eu senti isso. Aliás, curiosamente, quem me indicou a série foi uma amiga minha da minha idade que apontou justamente esse episódio como o melhor, destacando justamente o Guzmin. A reação da minha esposa foi idêntica.

Note que somente a primeira cena cria uma “dúvida” sobre a natureza da relação entre os dois, justamente para criar um estranhamento que logo é dissipado. Guzmin é PARA OS EFEITOS DO EPISÓDIO, o pai da moça e ela aceita e QUER isso. Deve haver um passado facilmente imaginável de relacionamento complicado dela com a família sanguínea dela, se é que eles estão vivos. E o mesmo vale para Guzmin.

O ponto é que eles precisam ser vistos, no episódio, como pai e filha e, como pai e filha, a relação deles é exatamente como a relação entre pai e filha (ou filho) deve ser. Ou o pai (e a mãe) não pode demonstrar nunca descontentamento sobre amigos/amigos, namorados/namoradas de seu filho/filha? Não é papel do pai (ou da mãe) passar suas impressões?

E note que é a moça que PROCURA a aprovação de Guzmin. Ele já havia se mostrado um excelente julgador de caráter de uma pessoa e nunca, em circunstância alguma, diz para ela se afastar de alguém ou se aproximar de alguém. Ele apensa diz o que vê e ela faz o que quiser. Afinal, quando ela descobre que está grávida, quem ela procura? Quando ela precisa deixar a filha com alguém, quem é esse alguém?

A relação deles é de TROCA, amor paternal/filial mesmo e TROCA, AMOR exige controle, exige sinceridade. Deixar que o filho faça tudo ou não falar para o filho o que pensa é a receita para o fracasso de uma relação dessas.

Sobre acorrentar ao pé da cama, foi uma metáfora, não é mesmo? No entanto, que fique claro: liberdade não é algo que se tem, é algo que se conquista e colocar o filho de castigo, tolhendo sua liberdade, é o que quis dizer. Afinal, é assim que se educa e não passando a mão na cabeça e aceitando tudo que ele/ela quer fazer ou faz sem que haja consequências.

Abs,
Ritter.

Teco Sodre 29 de outubro de 2019 - 15:39

Sempre me senti muito bem vindo aqui no PC, e às vezes fico com receio de discordar de algumas questões, justamente porque não quero parecer implicar e nem militar sobre elas ou palestrar pra você ou pra ninguém. Mas, acho que temos algumas coisas para discutir sobre pontos de sua fala. O fato de duas mulheres próximas a você reverenciarem o personagem e/ou o episódio, não quer dizer necessariamente que não há machismo nas entrelinhas do personagem e/ou episódio, até porque o machismo pode estar presente em qualquer fala, discurso, perspectiva, atitude, e isso independe de gênero/orientação sexual, etc. Uma mulher pode ser tão machista quanto um homem. Com isso, NÃO QUERO DIZER que sua amiga ou sua esposa, também o sejam. Só estou afirmando que o fato de terem sido duas mulheres que reforçaram as mesmas impressões que a sua, não necessariamente descaracterizam qualquer traço machista no personagem e/ou episódio. E olha, Fan, nem é meu lugar de fala, porque não sou mulher. Mas, o que você disse sobre as minhas impressões (que ficaram sobre esse personagem) eu realmente assino embaixo. Pra mim, o curto tempo do episódio não teve tempo de maturar a relação, talvez por isso não assimilei as mesmas nuances paternais que você. Mas, ainda acredito que mesmo que Guzmin seja um “bom pai”, e o olhar dele seja um olhar “protetivo”, é importante que as pessoas adultas, principalmente as adultas, se sintam livres, se sintam capazes de fazer suas escolhas sem que uma outra pessoa interfira de nenhuma maneira. Como nem todas as histórias de amor não são definitivas, e como não vimos um antes do ep e nem um depois do ep, não é certo que a relação aprovada por Guzmin tenha vingado. Ele pode ter errado dessa vez. 😛

planocritico 29 de outubro de 2019 - 15:50

Você é sempre bem-vindo, meu caro. Discordâncias fazem parte do dia-a-dia e são salutares!

Concordo plenamente com você que o fato de duas mulheres próximas a mim terem dito isso que disseram não quer absolutamente dizer que não há machismo no texto do episódio. Pode haver. Eu não vi nada disso e nem elas, mas beleza.

No entanto, no final do seu comentário você dá a entender que a moça não tem liberdade ou sofreria interferência em sua liberdade. Mas então apenas falar para um filho que fulaninho não me parece legal é interferir? Se for, aí eu discordo frontalmente, pois isso significa que então o pai não pode falar a verdade para o seu filho, suas impressões. Só para fazer um relato pessoal: uma vez minha filha me apresentou a uma amiga nova. Depois que ela foi embora e tal, minha filha me perguntou o que havia achado sobre a amiga e eu disse que não havia gostado dela. Dei lá minhas razões, alertando minha filha para ficar de olho na menina. Nunca mais toquei no assunto. Corta para seis meses depois: a menina sacaneou minha filha fortemente por razões frívolas. Instinto de pai pode ser muito importante. Isso é interferir ou é só ser honesto e não ficar cheio de dedos e sempre baixar a cabeça em nome de uma “liberdade” que pode resultar até mesmo na limitação da liberdade de emitir opiniões?

E tem mais: no capítulo, ela procura a aprovação do Guzmin. Ele ele nunca age de maneira a tolher a liberdade dela. Ele só fala o que pensa da maneira mais educada possível e, aí vem o mais importante: ele revela para ela ao final que ele não julga as pessoas que ela namora, mas sim o que ele acha que ELA acha dos namorados. Essa diferença é importante aqui.

Abs,
Ritter.

Teco Sodre 30 de outubro de 2019 - 11:17

Prometo rever esse episódio para tentar entender a sua perspectiva. Não se atenha sobre essa questão que eu falei sobre a liberdade tão ao pé da letra.

planocritico 30 de outubro de 2019 - 14:26

Tranquilo, meu caro! Sempre estarei aqui para trocar ideias na concordância e na discordância!

Abs,
Ritter.

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