- Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos demais episódios da série e das outras obras do MonsterVerse.
Minha primeira frase na crítica do último episódio da primeira temporada de Monarch foi “que finalzinho vagabundo esse…”, assim com reticências e tudo mais. E não tenho outra saída do que dizer, agora, “que comecinho vagabundo esse…”, pois Causa e Efeito é um episódio inane que teve como único objetivo me fazer desperdiçar 60 minutos de minha vida (sem contar com o tempo para escrever a crítica, obviamente) assistindo uma bobagem que não faz nada pela série ou pela franquia como um todo que não apresentar um novo e ameaçador monstro que é a razão pela qual Kong estava tão ouriçado lá na Ilha da Caveira e que continua assim no início do capítulo. Trata-se de dilapidação de orçamento com bits e bytes para renderizar criaturas titânicas e também com cenários práticos aqui e ali, pois tudo o que vemos é cansado, repetido, simplista e bobo mesmo para quem não espera muita coisa de filmes e séries de monstros gigantes.
Que a versão Kurt Russell de Lee Shaw seria resgatada de Axis Mundi, ninguém tinha dúvida, mas esse resgate não precisava ser deflagrado por um piti histérico de Cate Randa (Anna Sawai) que, de tanto fazer biquinho, leva seu meio-irmão Kentaro (Ren Watabe), seu pai Hiroshi (Takehiro Hira) e May Olowe-Hewitt (Kiersey Clemons) de volta para a ilha para uma missão mal-ajambrada e ridiculamente fácil que novamente abre o portal para a Terra Oca e é bem-sucedida em tirar Shaw de lá, mas não sem trazer junto uma criatura lovecraftiana que, não demora, desaparece no oceano e que, obviamente, será a grande ameaça da temporada. Não há tensão, não há nenhum resquício de dificuldade, não há dramaticidade maior do que mais reclamações sobre a infidelidade de Hiroshi, com o máximo que o episódio consegue fazer sendo a morte(?) banal de Natalia Verdugo (Mirelly Taylor), personagem tão vazia que o que acontece com ela nem registra direito.
Os flashbacks para 1957 que dão mais para Mari Yamamoto fazer como Keiko do que apenas ficar “tonta” no presente depois de passar décadas – para nós – lá no mundo dos monstros não ajuda muito também, com o triângulo amoroso de cientistas formado por ela, Bill Randa (Anders Holm) e Shaw Jovem (Wyatt Russell) em algum lugar remoto do Chile servindo de criação de contexto para o que vemos ocorrer na ilha. Não é terrível, claro, mas é genérico, bem qualquer coisa, do tipo que já vimos mil vezes antes nos mais diversos filmes e séries. E o pior é que, pelo jeito que a progressão a passo de cágado acontece, esse flashback chileno muito provavelmente será mantido por um bom tempo ainda, no mínimo até a ação no presente parar de bater cabeça e descobrir o que afinal é esse monstrão novo que até Kong teme e como eliminá-lo da face da Terra.
Claro que a computação gráfica é vistosa e há um gasto considerável de dinheiro aqui nesse primeiro episódio como isca, o que costuma indicar que, nos próximos, o CGI será usado a conta-gotas até mais ou ou menos a metade da temporada. É bacana ver um mega-Kong e é bacaninha ver criaturas menores aqui e ali, ainda que, em um mundo bombardeado por esse tipo de criação computadorizada, a tendência seja a de um retorno cada vez menor no departamento da admiração por essas coisas. Se pelo menos o trabalho dos técnicos que renderizaram as criaturas fosse acompanhado de um roteiro no mesmo nível, não teria muito o que reclamar de Monarch em geral e desse primeiro episódio em particular, mas, infelizmente, não é o caso. Espetáculo sem substância é oco como o ecossistema das criaturas e não há nada mais irritante do que ver algo vazio mesmo na categoria do puro divertimento, já que puro divertimento não é, nem nunca foi, uma sucessão de imbecilidades jogadas de qualquer jeito na tela para um público aparentemente com cada vez menos capacidade de perceber que o sarrafo foi jogado lá no chão. O Monsterverse jamais chegou a ser algo fora de série, temos que combinar, mas Monarch, pelo visto, continuará sendo o ponto mais baixo dessa oferta frustrante de criaturas monstruosas. Tomara que eu esteja enganado, porém…
Monarch: Legado de Monstros – 2X01: Causa e Efeito (Monarch: Cause and Effect – EUA, 27 de fevereiro de 2026)
Criação e showrunner: Chris Black
Direção: Lawrence Trilling
Roteiro: Chris Black
Elenco: Anna Sawai, Kiersey Clemons, Ren Watabe, Mari Yamamoto, Anders Holm, Wyatt Russell, Kurt Russell, Joe Tippett, Takehiro Hira, Mirelly Taylor
Duração: 60 min.
