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Crítica | Monarch: Legado de Monstros – 2X02: Ressonância

Para que serve metade do elenco fixo dessa série?

por Ritter Fan
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  • spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos demais episódios da série e das outras obras do MonsterVerse.

Prometo que, a não ser que haja uma mudança muito grande na temporada, esta será a última vez que abordarei o seguinte: para que diabos serve todo o núcleo composto pelos meios-irmãos Cate (Anna Sawai) e Kentaro Randa (Ren Watabe), a amiga deles May Olowe-Hewitt (Kiersey Clemons) e pelo pai deles, Hiroshi Randa (Takehiro Hira)? De jovens adultos perdidos que ficam se bicando, pai MacGuffin e amiga aleatória com ocasional utilidade, esse quarteto foi rebaixado a, respectivamente, matadores de kaiju barata, Professor Pardal e amiga aleatória sem nenhuma utilidade. Eles são quase tão relevantes, em termos narrativos, ao sujeito que diz a Tim (Joe Tippett) que ele é o oficial mais graduado da Monarch no mega iate ou a mulher que mostra na tela do computador os detalhes técnicos do drone que precisa ser modificado. Diria que eles empatam até mesmo com o figurante que só aparece para morrer (ou ser impregnado, não duvidaria) pelo baratão lá da Terra Oca.

Não adianta que Anna Sawai tenha se destacado em Xógum: A Gloriosa Saga do Japão, pois poucos atores – e nenhum tão jovem e inexperiente – têm a capacidade de pegar um personagem mal escrito e transformar em algo palatável. Sua Cate é um poço de emoções contraditórias e que não fazem sentido algum, em um momento gritando que todos precisam salvar Lee Shaw e, no momento seguinte, se remoendo porque salvou Lee Shaw. É muito diálogo vagabundo e direção de atores desleixada em tão pouco tempo e olha que nem cheguei a falar de Watabe e Clemons, já que os dois sequer têm espaço para serem irritantes, mais parecendo aqueles extras que aparecem por um segundo no terceiro plano de uma cena movimentada e repleta de personagens. E não, não adianta tentar dizer que pelo menos Hiroshi faz sentido ali pela sua ligação emocional com a mãe que ficou décadas no mundo dos monstros, pois encostar cabeças por um segundo enquanto o sujeito magicamente altera o drone é o exemplo clássico do que é Monarch, uma produção cujo time de roteiristas não encostam, mas sim batem cabeça constantemente.

Desopilado o fígado, Ressonância é justamente o que se poderia esperar de um segundo episódio de Monarch, depois que o primeiro gastou todo o dinheiro da computação gráfica pesada até pelo menos o capítulo de metade da temporada: uma sucessão de sequências que mostram sem mostrar o novo monstrão que, sendo aquático por natureza, uma escolha de caráter puramente financeiro, não tenham dúvida, pode aparecer como sombras e ondas no oceano. Mas esse não é um problema sério justamente porque já era de se esperar e tenho que admitir que as sequências de plano geral do bicho aproximando-se dos navios e depois correndo atrás de seu filhote(?) são suficientemente boas visualmente para não fazerem feio. Até mesmo a tal baratona que invade o navio da Monarch é simpática, por assim dizer. E o episódio tem um trunfo importante, que é o retorno de Kurt Russell a seu Lee Shaw velho (ou idoso, sei lá, mas hoje não estou particularmente PC, então deixem-me em paz…), algo que funciona de imediato, especialmente no contraste com o hesitante Tim, mostrando que os dois podem construir uma boa química.

O valor de Lee Shaw – e a função dele! – é, porém, maior do que apenas ser o responsável por atos heroicos quase suicidas como ele faz aqui em Ressonância. Ele ao lado de Keiko Miura (Mari Yamamoto) no presente ecoa e comenta ele (Wyatt Russell) com Keiko no Chile, em 1957. Não é nada brilhante ou fora desse mundo, ainda que seja hilário a forma como Bill Randa (Anders Holm) é (auto)defenestrado da história para criar aquele clima de melodrama barato, mas, na falta de monstrengos digitais a cada três minutos, é o que temos de bom na temporada pelo visto (e Tim, eu gosto do Tim). Mesmo que seja um clichê para lá de idiota fazer com que as informações vitais sobre o novo titã e suas baratas venham a conta-gotas em flashbacks que se contorcem para revelar o mínimo possível, a paralelização do casal não oficial em dois momentos rende alguma coisa segura e simpática o suficiente para que o espectador esqueça por alguns momentos o quarteto que prometi não abordar mais.

Quero ver, porém, como é que a temporada vai conseguir enrolar essa história de novo titã misterioso por mais oito episódios sem recorrer a flashbacks para a época em que ele era um titãzinho que sofria bullying na escola de monstros da Kaijulândia e que, por isso, virou malvadão quando cresceu. Se bem que, pensando bem, eu até que preferiria ver isso do que episódio depois de episódio lidando com momentos de quase-destruição que é o que parece estar pintando por aí. Como a esperança é a última que morre, agora é aguardar para descobrir se essa segunda temporada de Monarch tem algum ás na manga que nos surpreenderá… como por exemplo o anúncio de que a temporada, na verdade, só terá três episódios. Vocês não encontrariam crítico mais feliz do que eu se isso acontecer, podem ter certeza!

Monarch: Legado de Monstros – 2X02: Ressonância (Monarch: Resonance – EUA, 06 de março de 2026)
Criação e showrunner: Chris Black
Direção: Lawrence Trilling
Roteiro: Dan Dworkin
Elenco: Anna Sawai, Kiersey Clemons, Ren Watabe, Mari Yamamoto, Anders Holm, Wyatt Russell, Kurt Russell, Joe Tippett, Takehiro Hira
Duração: 48 min.

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